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Cultura

Weimar e o crânio do gênio

O ano de 2005 marca o bicentenário da morte de Friedrich Schiller e a cidade de Weimar se prepara para os festejos. Mas a história de seus restos mortais é controversa, indo da vala comum a incertezas sobre seu crânio.

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Schiller faleceu em lamentável estado de saúde

O novo ano começou em Weimar sob o signo de Friedrich Schiller. Em um concerto de Ano Novo no Teatro Nacional Alemão, a orquestra da cidade apresentou a Canção do Sino, composta pelo poeta e dramaturgo em 1800, inaugurando assim as festividades em homenagem ao bicentenário de sua morte.

Comemorações semelhantes estão planejadas em diversas cidades do país. Mannheim, Jena, Stuttgart e a pequena Marbach do Neckar, onde nasceu, prepararam um calendário de festividades ao longo do ano. O Instituto Goethe também realizará uma série de eventos internacionais.

Mas é Weimar, berço do Classicismo alemão, que mais atrai interessados na vida e obra de Schiller. Lá estão dois crânios atribuídos ao poeta. Um deles repousa em um representativo caixão de carvalho trabalhado, ao lado do de seu colega Johann Wolfgang von Goethe. O outro, em um simples caixão sem nome. Qual deles é o verdadeiro, ainda é motivo de discussão entre especialistas.

Primeiro destino: vala comum

O diagnóstico da autópsia não deixa dúvidas sobre o lamentável estado de saúde do poeta. Aos 45 anos, seu pulmão estava gangrenoso e pastoso, seu coração havia perdido substância muscular, vesícula biliar e baço estavam dilatados, os rins, deformados – atestou o médico particular do duque de Weimar. "Sob tais condições, é admirável que o pobre homem tenha podido viver tanto tempo", concluiu.

Schiller Nationalmuseum in Marbach

Museu Nacional Schiller, em sua cidade natal, Marbach do Neckar

À meia-noite, na passagem do 11 ao 12 de maio de 1805, o simples caixão contendo o corpo do poeta circulou pelas ruelas vazias de Weimar até chegar ao cemitério onde foi enterrado em vala comum. "Nenhum tom suave de música, nenhuma palavra de padres ou bocas amigas", segundo a descrição de Thomas Mann em Versuche über Schiller (Tentativas sobre Schiller) .

Nem mesmo Goethe compareceu à cerimônia. Ele odiava enterros e velórios e nem no enterro de seus pais esteve presente. Quando o corpo de sua esposa Christiane foi levado ao necrotério, em junho de 1816, Goethe permaneceu "o dia todo na cama", como ele mesmo conta em seu diário.

Um cadáver, 23 crânios

Mas a viúva de Schiller nunca admitiu a idéia de que a vala comum fosse o descanso final de seu marido e desejava para ele um túmulo próprio, ao lado do qual ela mesma poderia ser enterrada um dia. Foi só em março de 1826 que o caixão já corroído contendo o corpo decomposto de Schiller foi removido. Com ele, vieram 23 crânios. O prefeito da cidade apontou para o maior deles e gritou: "Este deve ser o crânio de Schiller".

Meio ano depois, Goethe trouxe o suposto crânio do amigo para sua casa, onde manteve a "relíquia sagrada" por meses sobre uma almofada de veludo azul, coberta com uma tampa de vidro adornada com prata. Após uma breve passagem pela biblioteca do grão-ducado, em dezembro de 1827 o crânio foi finalmente transferido – junto com outros ossos atribuídos a Schiller – ao jazigo onde se encontra até hoje.

Comprovação seria possível

Em 1883, a autenticidade do crânio foi questionada pela primeira vez pelo anatomista Hermann Welcker. Especialistas estavam de acordo, mas a população ficou indignada. Em 1911, August von Froriep ordenou que outros 63 crânios fossem removidos para análise e, após estudos intensos, indicou um outro crânio como sendo o verdadeiro. Uma comissão de peritos da Sociedade de Anatomia confirmou a descoberta e o segundo crânio foi levado à cova.

Weimar

Goethe e Schiller em frente ao Teatro Nacional Alemão, em Weimar

Na opinião da antropóloga Ursula Wittwer-Backofen, seria perfeitamente possível comprovar cientificamente sua autenticidade mesmo passados 200 anos da morte de Schiller. Bastaria fazer um positivo do rosto de Schiller a partir de sua máscara mortuária para excluir os crânios nos quais o positivo não encaixe.

Entretanto, para se saber com absoluta certeza qual o crânio verdadeiro, seria preciso fazer uma análise genética, por exemplo da raiz de um dente, que seria então comparada com roupas ou outros objetos que contenham material genético, ou mesmo com o DNA de atuais descendentes de Schiller.

Outras preocupações

BdT: Schillers Totenmaske aus der Herzogin Anna Amalia Bibliothek in Weimar

Máscara mortuária de Schiller, parte do acervo da Biblioteca Duquesa Anna Amalia que escapou ao incêndio

Mas a Fundação dos Clássicos de Weimar, que mantém os legados de Goethe e Schiller, não pretende realizar a curto prazo um estudo para comprovar qual o verdadeiro crânio. "Não planejamos investigação alguma", disse a porta-voz Angela Jahn ao jornal Bild. "Isso não ajudaria muito, pois precisaríamos de material para comparações genéticas e um cabelo também poderia não ser genuíno."

Para o filólogo alemão Albrecht Schöne, que escreveu um livro a respeito, "seria vergonhoso para a fundação se fosse comprovado que os dois crânios são falsos". Mas a fundação tem atualmente outras preocupações, como a recuperação do acervo da Biblioteca da Duquesa Anna Amália, parcialmente destruída durante um incêndio em setembro de 2004.

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