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Mundo

Washington e Seul reiteram frente unida contra Coreia do Norte

Na primeira ida aos EUA da recém-eleita Park Geun-hye, líder norte-americano destaca cooperação, especialmente comercial, com a Coreia do Sul. Mas especialistas observam atritos numa relação baseada num inimigo comum.

EUA e Coreia do Sul são aliados há 60 anos. Desde o fim da Guerra da Coreia (entre 1950 e 1953 e que manteve a divisão da Península da Coreia em dois países), os norte-americanos se responsabilizam pela segurança da parte sul do braço de terra.

Desde então, nada mudou. "Se a Coreia do Norte [de regime comunista] acredita ser capaz de, com suas recentes provocações, criar um racha entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos ou ajudar o Norte a ganhar reconhecimento internacional, então o dia de hoje é uma prova de que a Coreia do Norte falhou mais uma vez", ressaltou na Casa Branca o presidente dos EUA, Barack Obama, nesta terça-feira (07/05), durante o início da primeira visita de dois dias ao país da recém-eleita presidente sul-coreana, Park Geun-hye.

Na ocasião, o líder norte-americano lembrou a cooperação entre as duas nações. Citou o envio de tropas ao Afeganistão, exercícios militares conjuntos e o acordo comercial assinado pelos dois países no ano passado.

Obama sublinhou que o acordo já está dando frutos e que os EUA estão vendendo mais mercadorias, serviços e produtos agrícolas para a Coreia do Sul. As exportações de automóveis teriam aumentado em 50%.

Tal avaliação não é amplamente partilhada pelos analistas. "Ainda é cedo demais para fazer um balanço real", alerta Scott Snyder, especialista em Coreia do Council on Foreign Relations, uma organização de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Nova York. "Os números do comércio mostram um aumento, mas que ainda não é significativo e difícil de ser concretamente relacionado com o acordo de livre comércio [de 2012]."

"Política de confiança" de caráter militar

Segundo Snyder, o acordo é sobretudo um sinal político de solidariedade mútua, já que o que continua ligando os dois países é, principalmente, a cooperação militar e o inimigo comum, a Coreia do Norte.

O especialista diz ainda que, por outro lado, os sul-coreanos vêm se emancipando cada vez mais da potência protetora. Em 2015, o poder de comando em caso de guerra deverá passar dos Estados Unidos à Coreia do Sul – o que não significa que as tropas norte-americanas venham a deixar o país, ressalva Snyder. "As discussões nunca giraram em torno de uma retirada de tropas, mas da transição de uma missão liderada pelos norte-americanos a uma missão apoiada pelos norte-americanos."

Südkorea USA Manöver 25.04.2013

Exercícios militares: para analistas, relação tem de evoluir para se manter num futuro sem a ameaça norte-coreana

"O fundamental é que estejamos preparados para intimidações e respondamos a agressões, que não rebatamos provocações, mas que permaneçamos abertos para a possibilidade de a Coreia do Norte escolher um caminho pacífico", resumiu Obama, ao abordar sua política em relação à Coreia do Norte, sobre a qual ambos os líderes parecem concordar.

Tal abordagem corresponde à "política de confiança" da presidente sul-coreana, mesmo que esta não seja tão clara, conforme ressalta Nicholas Eberstadt, do American Enterprise Institute. "A posição de Park em relação à Coreia do Norte é bastante dura", aponta o especialista, ressaltando que a presidente deu liberdade a seus militares para que respondam às provocações bélicas do Norte sem levar em conta as preocupações políticas.

Tanto Park como Obama quiseram deixar em aberto se o fato de a Coreia do Norte ter retirado dois mísseis de médio alcance de seus lançadores móveis, nesta segunda-feira, pode ser interpretado como um sinal positivo. Obama deixou claro que a época em que o regime comunista de Pyongyang provocava uma crise e depois recebia concessões por voltar atrás já é parte do passado. Mas tanto Washington como Seul estão cientes de que a única maneira de se obter um relaxamento das tensões é com pequenos passos.

Necessidade de modernização

Os especialistas concordam que a Coreia do Sul é um parceiro essencial na política dos Estados Unidos para a Ásia. Snyder, do Council on Foreign Relations, ressalta que a Coreia do Sul é o país "onde os EUA têm bases no continente asiático".

No entanto, a Casa Branca está ciente de que a aliança precisa de uma "modernização", evoluindo de uma pura aliança militar para uma parceria econômica de ação internacional.

Há também atritos – como é o caso, por exemplo, da política nuclear da Coreia do Sul. "O ponto central é que a Coreia do Sul reivindica o direito de enriquecer e reprocessar material nuclear", considera Snyder, comentando que esse desejo é visto com pouco agrado pelo governo dos EUA, por ser esta também a principal controvérsia na disputa com a Coreia do Norte.

E a presidente sul-coreana avisou que vai pedir, em seu discurso perante o Congresso, nesta quarta-feira, que trabalhadores qualificados sul-coreanos consigam um visto de trabalho nos EUA com mais facilidade, conforme previsto no acordo de livre comércio.

Uma incógnita é se aliança vai prevalecer quando o inimigo comum não existir mais. Para Eberstadt, isso pode se tornar realidade em um futuro não muito distante. "Se a aliança é feita para permanecer num futuro pós-Coreia do Norte, então, os dois chefes de Estado devem fornecer uma justificativa para isso e devem também convencer as respectivas populações disso", acredita. Mas isso parece ainda não ser o caso, pois o inimigo comum continua sendo o principal fator de união dos dois países.

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