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Cultura

Walker Evans ganha retrospectiva em Berlim

Mostra reúne 200 imagens registradas pelo americano, um dos grandes nomes da fotografia do século 20. Conhecido por imagens icônicas da Grande Depressão nos EUA, ele também captou cenas em Cuba e no Taiti.

Quando alguém pensa em Albert Einstein, a imagem que vem à cabeça é a do olhar debochado do cientista com a língua de fora. O mesmo vale para o triunfo americano na Segunda Guerra e a cena do marinheiro beijando a enfermeira nas ruas de Nova York; ou para a fome na África e a criança esperando a morte observada por um abutre. Já quando o assunto é a Grande Depressão americana, diversas imagens costumam vir à cabeça – e certamente muitas delas foram feitas por Walker Evans.

O fotógrafo chamou a atenção do grande público com uma série de fotografias documentais sobre a pobreza nos Estados Unidos durante a década de 1930. No entanto, a retrospectiva Walker Evans – Ein Lebenswerk (Walker Evans –Trabalho de uma vida), em cartaz em Berlim, mostra que as imagens do americano vão muito além dos anos da depressão e que sua obra é vasta, variada e intensa.

"Ele é um dos mais conhecidos fotógrafos da história da fotografia. Um homem único. Evans estudou literatura e, quando esteve em Paris, conheceu James Joyce. Em diversas ocasiões, disse que queria fotografar da mesma maneira como Joyce escrevia e utilizar o fluxo de consciência em seu trabalho visual. Assim, criou ícones dos EUA em crise", disse Gereon Sievernich, diretor do Martin-Gropius-Bau, na abertura da exposição no local.

Com mais de 200 impressões originais, a exposição é a primeira grande retrospectiva da obra do fotógrafo na Alemanha. A mostra reúne imagens feitas entre 1928 e 1974, incluindo tanto fotos icônicas como trabalhos quase desconhecidos.

Ausstellung Walker Evans. Ein Lebenswerk im Martin-Gropius-Bau

Menina em Nova Orleans, fotografada por Evans em 1935

Ícones da crise

Evans foi um dos pioneiros da fotografia documental. Por décadas, sua prolífera obra abordou os mais diversos tipos de personagens. Sua maneira sóbria e realista de fotografar criou uma imagem única e autêntica dos Estados Unidos. Como nenhum outro fotógrafo antes dele, Evans mostrou com grande sensibilidade as amarguras e sutilezas do cotidiano.

"Como historiador da arte, sempre me fascinou a maneira como Evans retratava as pessoas no metrô de Nova York no final da década de 1920, assim como seu envolvimento com o Museu de Arte Moderna [da cidade] – um dos lugares centrais de sua vida e carreira", afirmou o curador James Crump na abertura da exposição.

Nascido em Saint Louis, no estado americano do Missouri, em 1903, Evans se mudou para Nova York no começo da década de 1920, com a ambição de se tornar escritor. Entretanto, durante uma temporada em Paris, ele tirou suas primeiras fotografias e, quando voltou aos EUA, seus amigos artistas o encorajaram a continuar fotografando.

Seu bairro, seus amigos e desconhecidos no metrô foram as primeiras impressões que Evans registrou com a câmera. O caráter documental e sensível das imagens despertou interesse, e no começo da década de 1930, ele participou de diversos livros e exposições.

Ausstellung Walker Evans. Ein Lebenswerk im Martin-Gropius-Bau

Fachada de uma casa em Denver, no Colorado, fotografada por Evans em 1967

Em 1935, o fotógrafo começou a colaborar com o a Administração da Segurança Agrícola (FSA, na sigla em inglês), órgão público criado para encontrar uma solução para a crise agrícola que assolava os Estados Unidos. Seu trabalho era documentar as condições sociais e econômicas no sul do país. Com o fim do contrato, ele resolveu continuar documentando a situação sem o respaldo do governo.

Com suas fotos, ele pretendia captar a dura realidade das pessoas comuns – artesãos, mineiros, fazendeiros. Ele abriu os olhos para uma realidade diferente daquela retratada por ele mesmo nas ruas de Nova York. E essas poderosas imagens tiveram grande repercussão.

Em 1938, Walker Evans: Fotografias Americanas foi a primeira exposição individual de um fotógrafo no MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York. Nas décadas seguintes, ele continuou produzindo intensamente, mas seu trabalho caiu no esquecimento entre o grande público.

Além da Grande Depressão

Evans só voltou a ser reconhecido nos anos 1970. "Ele passou duas ou três décadas trabalhando de maneira mais discreta como fotojornalista. Nos anos 1950, conheceu [o fotógrafo John] Szarkowski, e entre eles surgiu uma relação muito simbólica, que foi importante para os dois. Em 1971, Szarkowski curou uma grande retrospectiva do trabalho de Evans no MoMA", conta o curador.

Ausstellung Walker Evans. Ein Lebenswerk im Martin-Gropius-Bau

Curador da exposição em Berlim passou anos visitando arquivos de Evans para reunir 200 fotos

Szarkowski foi responsável por trazer o trabalho de Evans para novos grupos e por estabelecê-lo como um dos grandes fotógrafos americanos. Evans influenciou nomes como Garry Winogrand, Diane Arbus e Robert Frank.

Além das icônicas fotos da Grande Depressão, a exposição em Berlim também apresenta séries feitas por Evans no Taiti e em Cuba, além de retratos da vida cotidiana em diferentes partes dos EUA.

"Passei anos visitando os arquivos de Evans até chegar às 200 imagens que estamos apresentando aqui. Esse foi o número de imagens que Szarkowski incluiu na retrospectiva de 1971. O trabalho de Evans na década de 1930 acabou se tornando um reflexo de como os EUA olhavam para si mesmos. Eu gostaria de criar um senso muito mais amplo sobre Evans e celebrar um trabalho que também floresceu depois da década de 1930", reitera o curador Crump.

"Walker Evans – Ein Lebenswerk" ("Walker Evans –Trabalho de uma vida") está em cartaz no Martin-Gropius-Bau em Berlim até 9 de novembro.

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