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Cultura

Wagner e "O Anel" no ano comemorativo 2013

De Bayreuth até Melbourne: o "Anel" será encenado no mundo inteiro. A obra de Richard Wagner está em voga. Leia aqui os pontos altos no ano comemorativo dos 200 anos do compositor.

Wagner como forma de pagamento? Por ocasião do bicentenário do nascimento de Richard Wagner, no dia 22 de maio de 2013, será lançada na Alemanha uma moeda especial de 10 euros com sua efígie. A ironia dessa decisão do Ministério alemão das Finanças não teria escapado ao compositor, que constantemente estava fugindo de seus credores.

Porém, assim como os bombons de chocolate Mozartkugeln pouco dizem sobre a arte de Mozart, só se percebe a dimensão das atividades previstas durante o Ano Wagner ao olhar para os palcos do mundo. Em 2013, Wagner será visto, ouvido, cantado, representado e festejado como nunca foi antes.

Das Festspielhaus in Bayreuth

Teatro do Festival em Bayreuth

Anel em série

Ao longo do ano, a tetralogia O anel do NibeIungo será encenada em Melbourne, Seattle, Nova York, Viena, Milão, Berlim, Hamburgo, Munique, Frankfurt, Paris e Londres. Algumas montagens já são conhecidas, outras são inéditas.

Claro que a obra wagneriana não se esgota aqui. Os demais "dramas musicais" do aniversariante também serão devidamente apresentados. No mundo inteiro, quase não existe uma casa de ópera que não tenha incluído Wagner em sua programação para 2013. Bons solistas wagnerianos sempre foram uma raridade, e para aqueles em atividade, o sem-número de récitas significará um ano extremamente cansativo.

Christian Thielemann

Christian Thielemann: regente wagneriano aclamado

Mas o que pensam os profissionais? Christian Thielemann, talvez o mais importante regente wagneriano do momento, disse em entrevista à DW: "Isso significa que é preciso manter a qualidade e, em geral, caso se tenha algo a dizer, que seja de preferência algo novo, e não uma repetição".

Porém não é necessário sacrificar tudo no altar da modernidade. "Sou profundamente avesso a jogar tudo por terra. É como o conservador esclarecido, que diz: ‘Eu mantenho o que é digno de ser mantido e, de resto, estou aberto para o novo.’ E assim deveria ser."

Velha Europa, Novo Mundo

Melbourne apresenta em novembro e dezembro de 2013 o Opera Australia Ring Cycle, sua nova montagem de O anel do Nibelungo. No Novo Mundo, há maior preferência por montagens convencionais, enquanto no Velho Continente exigem-se novas interpretações. Esse paradoxo é, porém, compreensível, uma vez que a história das montagens e da recepção é muito mais densa na Europa.

Com sua imponente produção do Anel de 2012, a Metropolitan Opera de Nova York deixou as discussões ideológicas a cargo dos velhos europeus, situando suas montagens no século 19. A encenação de Robert Lepage, com direção musical de Fabio Luisi, será repetida no bicentenário.

Kent Nagano

Kent Nagano rege a Tetralogia em Munique

A Ópera de Munique também antecipou o jubileu. O regente Kent Nagano explica: "Nós quisemos festejar o aniversário de Wagner com um ano de antecedência, aproveitando a ocasião para criar o nosso próprio Anel". A produção será reapresentada em 2013, em três ciclos completos.

Na Ópera de Berlim, a nova montagem da Tetralogia, da qual duas óperas já estrearam, ficará completa a partir de março de 2013. A encenação é do diretor belga Guy Cassiers. Sob a direção musical de Daniel Barenboim, cantam estrelas internacionais como Irene Theorin, Peter Seiffert, Waltraud Meier e René Pape. A produção segue depois para o Teatro Scala de Milão.

Conexão Leipzig-Bayreuth

Leipzig, onde atuaram grandes músicos como Johann Sebastian Bach, Felix Mendelssohn-Bartholdy e Robert Schumann, é também a cidade natal de Richard Wagner. Um festival de 16 a 26 de maio traz exposições históricas e musicais, incluindo também oito óperas do compositor.

Enquanto local de nascimento e última cidade onde Wagner morou, Leipzig e Bayreuth desenvolvem uma conexão especial no ano comemorativo, com a produção das primeiras óperas do compositor: Rienzi, As fadas e Amor proibido. Estas não pertencem ao repertório regular do Festival de Bayreuth, e serão apresentadas na Ópera de Leipzig e no Oberfrankenhalle de Bayreuth.

Para decepção de muitos, as obras de restauração e reforma da Casa Wahnfried, onde Richard Wagner morou em Bayreuth e que hoje é um museu, não ficarão prontas para o Ano Wagner.

Entretanto, a cidade oferece uma programação variada, também para quem não gosta de ópera. O projeto Wagner goes rap convida adolescentes a escreverem raps a partir de libretos do compositor e poeta. Happy birthday Wagner é o título de um concurso de filmes de curta-metragem. E a Ópera de Leipzig chegou a encomendar um musical baseado na biografia do compositor, sem uma nota de música wagneriana.

Deutschland Oper Staatsoper München Götterdämmerung

"Crepúsculo dos deuses", última parte do "Anel", na Staatsoper de Munique

Feliz aniversário, Wagner

No Teatro do Festival, em Bayreuth, não faltará oportunidade para parabenizar o compositor, a começar por um concerto de aniversário em 22 de maio, sob a regência de Christian Thielemann. A partir daí, as atenções se concentram no Festival Wagner, de 25 de julho a 28 de agosto.

Consta do programa a montagem de O anel do Nibelungo por um diretor que já colocou alguns clássicos de pernas para o ar: o berlinense Frank Castorf. Claro, sem alterar a partitura, o que é proibido pelas normas do festival. A direção musical é do maestro Kyrill Petrenko, natural de Omsk, Sibéria. Os ensaios já se iniciaram em agosto de 2012.

O time de diretores promete uma montagem sensacional – se não for um escândalo. Mas isso é perfeitamente normal para Wagner e Bayreuth, lembra o regente Thielemann. "Exagerando um pouco: se um saco de carvão tomba em Bayreuth, logo vira manchete no New York Times. Esse interesse louco que Bayreuth desperta, até nos mais altos círculos jornalísticos, tem a ver com a história, e tudo o mais. Por outro lado, é fantástico. Acho fascinante que uma pessoa como Wagner, que morreu em 1883, continue nos mantendo em xeque até hoje. É inacreditável."

Com tantas apresentações e produções, que bússola o maestro propõe como orientação na espessa selva do Ano Wagner? Para Thielemann, profundidade, e não amplidão, é o critério decisivo.

"Eu procuraria ouvir antigas gravações de regentes excelentes, em especial o que aconteceu em Bayreuth nos anos 50 e 60. Há coisas espantosas: Clemens Krauss, Hans Knappertsbusch, também Herbert von Karajan, que regeu o Anel uma vez no festival. Enfim, maestros de personalidade forte, que interpretaram essa obra de maneiras tão diversas. E é incrível que possa ser assim."

Autoria: Rick Fulker (sc)
Revisão: Augusto Valente

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