Votação no Parlamento italiano pode acelerar renúncia de Berlusconi | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 08.11.2011
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Mundo

Votação no Parlamento italiano pode acelerar renúncia de Berlusconi

Se o governo não conseguir aprovar suas contas na Câmara dos Deputados, Berlusconi terá de escolher entre uma nova moção de confiança e a renúncia. Estratégia da oposição é mostrar que o líder não tem mais a maioria.

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Berlusconi tem cada vez menos apoio no Parlamento

Esta terça-feira (08/11) pode ser um dia decisivo na Itália. Uma votação na Câmara dos Deputados, apesar de se tratar de uma mera formalidade, pode determinar o fim do governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Mas mesmo que os acontecimentos do dia acelerem a saída do primeiro-ministro italiano, o fato pode demorar um pouco para se concretizar, já que ele se nega a deixar o posto e parece menosprezar a realidade que o cerca.

Nesta segunda-feira, Berlusconi disse que não está preso à sua cadeira, mas que está convencido de que conseguirá a maioria no Parlamento. A realidade, porém, parece ser outra. O partido do chefe de governo, o PdL, está perdendo integrantes, e provavelmente Berlusconi não tem mais a maioria absoluta nem a maioria relativa na Câmara dos Deputados. No Senado a situação também é delicada.

E ainda: importantes nomes que antigamente apoiavam o primeiro-ministro começam a mudar de posição, como Roberto Formigoni, governador da região da Lombardia e membro do PdL. "Berlusconi poderia escolher o caminho que eu sugeri a ele há vários meses, ou seja, dizer claramente que renuncia ao posto de primeiro-ministro para o bem da nação", declarou.

A afirmação é diplomática, mas a mensagem é clara: Berlusconi deve desaparecer. Giuliano Ferrara, chefe do jornal Il Foglio e ex-ministro num antigo governo Berlusconi, é ainda mais direto: "Que Berlusconi está preparando a sua renúncia é fato consumado, isso deve acontecer em algumas horas, ou até em alguns minutos".

Isso é tipicamente italiano: um minuto se transforma facilmente em horas, que podem se transformar em dias. Deixar o poder voluntariamente é algo que Berlusconi não quer – nos círculos parlamentares comenta-se que o chefe de governo deixou de ouvir até seus conselheiros mais próximos.

Na Câmara dos Deputados

O resultado da votação desta terça-feira na Câmara dos Deputados não tem significado político, mas psicológico, já que a votação não está associada a uma moção de confiança. Trata-se da aprovação da prestação de contas do orçamento de 2010, uma mera formalidade. Mas votação semelhante já falhou no passado, levando ao voto de confiança de outubro.

Para não prejudicar o país, a oposição montou uma estratégia. "É possível que nós nos abstenhamos, de maneira a aprovar as contas do orçamento, mas também para mostrar que Berlusconi não dispõe mais de maioria", disse Benedetto della Vedova, da aliança FLI.

E há chances de essa estratégia funcionar. A oposição se abstém majoritariamente para que o relatório de contas passe. No entanto, caso haja mais "não" e abstenções do que votos a favor, fica claro que o governo não tem mais a maioria na casa. A oposição poderia, então, solicitar uma nova moção de confiança na Câmara dos Deputados, que seria votada após dois dias – caso Berlusconi não renuncie.

O primeiro-ministro prefere, no entanto, encarar uma moção de confiança no Senado, onde ele ainda tem maioria e gostaria de associar a essa votação aos seus esforços de economia nas contas públicas.

Se isso vai chegar a acontecer, é incerto. A própria Lega Nord, parceiro de coalizão, se distancia do governo. O ministro do Interior, Roberto Maroni, já fala em novas eleições. "No momento, as notícias dizem que há uma fuga dos membros do PdL para outros partidos. Eu respeito muito o secretário-geral [Angelino] Alfano, e tenho certeza que ele está consciente da situação difícil e espero que ele aja politicamente para evitar que Berlusconi tenha o mesmo fim que Prodi teve no Parlamento."

O ex-primeiro-ministro Romano Prodi não sobreviveu a uma moção de confiança em 2008.

Autor: Stefan Troendle, de Roma (np)
Revisão: Alexandre Schossler

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