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Economia

Volks pode cortar até 15 mil vagas

A Volkswagen corta funcionários e busca outros centros de produção para fugir dos altos custos com mão-de-obra na Alemanha. Redução de quadros no país será superior a 10%.

A crise do setor automotivo alemão parece não dar sinais de alívio. A Volkswagen, uma das mais tradicionais montadoras de veículos do país, que já foi abalada este ano por denúncias de corrupção, anunciou no início desta semana um grande programa de corte de pessoal que pode atingir até 15 mil de seus 103 mil trabalhadores na Alemanha.

A Volkswagen, segundo seus próprios dirigentes, ainda não atingiu o nível de competitividade necessário para garantir uma boa posição no mercado internacional. Hoje, a empresa produz 6 milhões de carro ao ano, mas vende pouco mais de 5 milhões de unidades. Por isso, várias medidas de redução de gastos terão de ser empregadas nos próximos anos.

Embora seja uma empresa alemã, fundada em 1937, a Volkswagen descobriu, na última década, que produzir na Europa Oriental pode ser uma forma bem mais econômica de abastecer o mercado europeu. As fábricas da empresa na Polônia e na República Tcheca, por exemplo, apresentam uma relação custo-benefício muito mais vantajosa para a empresa. Outros mercados europeus em que a renda média do trabalhador é inferior à alemã, como Portugal, também têm sido explorados pela companhia.

Cortes de custos

Um intenso programa de redução de custos de produção, batizado de ForMotion, não foi suficiente para equilibrar as contas da montadora na Alemanha. "Não conseguimos contornar [as dificuldades], vamos ter de cortar custos com pessoal", afirma o presidente do Conselho Fiscal da Volkswagen, Bernd Osterloh. Apesar das dificuldades, a direção da empresa anunciou que o resultado antes de impostos deste ano deve ser melhor que o de 2004.

Einen Motor fuer den VW Polo GTI montiert Martina Omerovic an der Montagelinie im Werk des Autobauers Volkswagen

Funcionários: emprego em risco

Segundo Osterloh, o programa de cortes de funcionários na Alemanha vai atingir "milhares de trabalhadores". O presidente do Conselho Fiscal da empresa recusou-se a falar em números concretos. Especialistas em mercado automotivo afirmam, entretanto, que a baixa utilização da capacidade instalada da montadora – em Wolfsburg, principal fábrica da Volks no país, a ociosidade está em torno de 30% – deve acarretar entre 10 e 15 mil demissões.

Uma das esperanças de salvação de postos de trabalho na Volks alemã é o utilitário compacto Marrakesh, que a empresa quer lançar nos próximos anos no mercado europeu. A montadora acenou com a possibilidade de adaptar a fábrica de Wolfsburg para produzir o veículo, mas ainda não tomou a decisão, pois quer evitar os altos custos com pessoal da Alemanha. Por isso, cogita produzir o utilitário em Portugal, na fábrica de Leça da Palmeira.

Marrakesh: mil empregos

A produção do Marrakesh em Wolfsburg poderia preservar cerca de mil empregos na Alemanha. Entretanto, a decisão de montar o utilitário no país adicionaria um custo de aproximadamente 883 euros por unidade, de acordo com a direção da empresa. Por isso, Osterloh disse que é importante que os custos com encargos trabalhistas na Alemanha – cerca de 20% superiores aos de outros mercados – sejam reduzidos de forma definitiva.

Volkswagen Brasilien

Fábrica do Brasil: 4 mil demissões

Para produzir o veículo utilitário na Alemanha, a Volkswagen está exigindo um acordo especial para a contratação de mão-de-obra que evitaria o pagamento de salários mensais superiores a 2500 euros. A decisão sobre a produção do Marrakesh deve sair até o fim deste mês.

O programa de demissões da Volkswagen tem um desenho muito parecidos com outros já aplicados em todo o mundo. Funcionários com menos tempo de casa, por exemplo, estarão mais suscetíveis a perder o emprego. Trabalhadores com idade superior a 54 anos, mesmo em cargos administrativos ou de chefia, poderão requerer aposentadoria antecipada.

Crise no Brasil

A Volkswagen emprega mais de 400 mil pessoas no mundo. No Brasil, são 22,3 mil funcionários. A empresa cortou cerca de 4 mil postos de trabalho no país, em 2003, em um programa de redução de custos que custou 120 milhões de euros à matriz. Após o período de crise, a subsidiária brasileira da Volkswagen desenvolveu o modelo Fox, um sucesso de vendas, que a partir deste ano é vendido também no mercado europeu.

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