Você está com todas as xícaras no armário? | Entenda a Alemanha, sua diversidade, estrutura e história | DW | 18.05.2016
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Entenda a Alemanha

Você está com todas as xícaras no armário?

As gírias, expressões idiomáticas e ditados populares são a parte mais difícil de uma língua estrangeira. Mas pode ser divertido traduzi-los literalmente. Eis alguns exemplos para você usar na próxima visita à Alemanha.

Uma das primeiras coisas que os alunos de alemão aprendem é dizer Guten Tag (bom dia). Mas nem todas as expressões alemãs são tão fáceis como as formas habituais de se cumprimentar. As gírias, expressões idiomáticas e ditados populares são o capítulo mais difícil de uma lingua estrangeira - ou o mais divertido, se alguém resolver traduzi-los literalmente. Aqui vão alguns exemplos, para que você possa rir um pouco e aperfeiçoar o vocabulário para sua próxima visita à Alemanha.

De xícaras, parafusos e bolas

Das frases populares que viraram expressão idiomática, uma das que mais impressiona é "Você não está com todas as xícaras no armário" (Du hast nicht alle Tassen im Schrank), que também pode ser formulada como pergunta. O alemão que lhe disser isso não está interessado em nenhum inventário da sua cozinha, nem estará criticando uma eventual desordem de coisas fora do lugar. Não: ele está duvidando do seu estado mental! É como se dissesse que você anda com um parafuso solto (Bei dir ist eine Schraube locker).

A coisa começa a engrossar...

Se você não gosta da pessoa que disse isso, poderia responder dizendo "não vá me montar sobre o despertador" (Geh mir nicht auf den Wecker), que quer dizer o mesmo que "vá incomodar outro", e portanto é mais delicado que o nosso "não enche...." E se o alemão (ou a alemã) responde a você dizendo "tenho o nariz cheio" (Ich habe die Nase voll) não precisa oferecer um lenço, mas é bom sair de perto. Isso quer dizer um basta, como nosso "estou de saco cheio" com você ou com alguma coisa.

Se alguém disser que você o põe "no alto da palmeira" (Du bringst mich auf die Palme!) também se recomenda cautela, você terá irritado tanto a pessoa a ponto de ela subir na palmeira, provavelmente de raiva. Agora se alguém mandar você ir para "onde cresce a pimenta" (Geh wo der Pfeffer wächst) é melhor encerrar a conversa, ele está mandando você pro diabo.

Você me deixa no alto da palmeira (Du bringst mich auf die Palme!)

"Você me deixa no alto da palmeira" (Du bringst mich auf die Palme!)

No entanto, se desejarem a você "que quebre o pescoço e a perna" (Hals und Beinbruch), não se impressione, não é insulto. Essa pessoa está desejando, por incrível que pareça, muita sorte!

Bichos para todas as ocasiões

A presença de animais nas expressões idiomáticas e ditos populares é bem antiga e muitos alemães de hoje mal saberiam explicar como eles surgiram. Assim, se alguém disser a você que "foi tudo para o gato"(Alles für die Katz) não pense que ele deu tudo para o bichano não: foi tudo em vão.

A porca em alemão não torce o rabo, mas aparece em vários tipos de afrontas verbais. Se você ouvir um "abaixo de todas as porcas" (unter aller Sau), por exemplo, saiba que estão falando de algo abaixo de qualquer crítica. Aliás a porca, em alemão, sempre "paga o pato" quando se trata de xingamentos.

Agora o que o alemão não faz de jeito algum é "comprar o gato dentro do saco" (Die Katze im Sack kaufen), ou seja, dar um tiro no escuro ou meter-se em algo sem saber exatamente o que é. Mas se alguém exclama que "um cavalo está me dando um coice" (mich trit ein Pferd) não comece a procurar o quadrúpede. É que a pessoa apenas soltou uma exclamação para expressar a grande surpresa que levou. Pois é, uma surpresa como um coice...

E se tudo isso lhe parecer o cúmulo, o fim da picada, certamente é porque "não cabe em nenhum couro de vaca" (Das passt auf keine Kuhhaut), expressão do tempo do onça, ou melhor, do tempo em que possivelmente os documentos com as coisas sérias eram escritos em couro.

Pois mesmo assim não se desespere e continue estudando esse idioma tão rico em expressões. E se você achar que nunca conseguirá dominar a língua de Goethe e Schiller, que este último ditado da filosofia popular germânica lhe sirva de consolo: "Os camponeses mais burros têm as maiores batatas" (Die dümmsten Bauern haben die dicksten Kartoffeln).

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