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Economia

Voando pelos trilhos

A nova linha de trens rápidos ICE 3, de Colônia a Frankfurt, está completando um ano. Boa alternativa ao automóvel e ao avião, o projeto ainda enfrenta dificuldades, mas está destinado ao sucesso.

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ICE 3: o trem mais rápido da Alemanha

Cidades não se aproximam, mas a companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn conseguiu encurtar o percurso entre Colônia e Frankfurt, ao introduzir há um ano o trem rápido ICE 3, com uma linha própria. Em vez de 2h15min, como antes, os passageiros conseguem chegar de uma cidade a outra em 1h15 desde o ano passado.

O trecho que liga a cidade de origem romana à pulsante metrópole dos bancos é o mais importante no eixo Norte-Sul na Alemanha. Por Colônia ou Frankfurt também passam linhas Leste-Oeste e até internacionais, como as ligações Paris-Berlim e de Amsterdã a Viena ou Zurique.

Inaugurada em 1º de agosto de 2002, a nova linha transportou 4,5 milhões de passageiros em seu primeiro ano de existência, que "voaram" pelos 177 quilômetros a 300 quilômetros por hora. As perspectivas são de atingir 25 milhões de usuários em 2010.

Os detalhes técnicos da maravilha sobre trilhos

Comodamente instalado em sua poltrona, o passageiro mal nota essa velocidade recorde na malha ferroviária alemã, apesar das várias curvas e pontes no percurso. Isso graças a alguns detalhes técnicos. Deu-se grande atenção à colocação plana dos trilhos, por exemplo. Em vez de cascalho entre eles, usou-se concreto armado. O resultado é que o ICE 3 desliza suavemente.

Seus 54 trens especiais têm 200 metros de comprimento e capacidade para 440 passageiros. Uma potência de 11 mil cavalos-vapor foi necessária para dar conta de vários aclives. Preparando-se para o futuro, a Deutsche Bahn já encomendou mais desses trens especiais.

Concorrência para automóvel e avião

Neue ICE Strecke zwischen Frankfurt a.M. und Köln

A companhia ferroviária colocou um "1" vermelho bem grande, junto à linha do ICE 3 para chamar a atenção dos automobilistas para a economia de tempo de uma hora, com o novo trem, no percurso de Colônia a Frankfurt.

Em vários trechos, a nova estrada de ferro do ICE 3 corre paralelamente à auto-estrada A3, o que vem bem a calhar para o departamento de marketing da Deutsche Bahn. Um de seus objetivos é convencer os motoristas das vantagens do trem superrápido, "a" alternativa de transporte.

O ICE 3 ganha fácil dos automóveis, que nos horários de pico só avançam de um engarrafamento ao seguinte. Mas o projeto mais brilhante da companhia ferroviária alemã também faz concorrência ao avião nesse trecho, principalmente no transporte de passageiros com destino ao Aeroporto de Frankfurt, o maior do país.

O preço da rapidez e probleminhas impertinentes

Alta velocidade nos trilhos têm seu preço: uma passagem somente de ida, na segunda classe, custa cerca de 50 euros. O projeto representou um alto investimento: a construção da nova linha, que precisou de 30 túneis e 18 pontes, consumiu 6 bilhões de euros e levou seis anos. Embora os trens estejam longe de esgotar sua capacidade - o índice do ICE 3 é de 37%, um pouco abaixo da média de 40% dos demais trens - a companhia está satisfeita, pois o trecho dá lucro.

A associação de usuários de transportes ferroviários Pro Bahn crê que o número de passageiros aumentaria muito, se houvesse mais ligações diretas. A dificuldade reside no número de trens - 54 - que não seria suficiente para tal, segundo o presidente da associação, Karl-Peter Naumann. Quem viaja de Munique a Colônia, tem que fazer transbordo para a linha especial, se quiser "voar" com o ICE 3.

Alguns problemas tornaram-se patentes no primeiro ano de funcionamento e alguns ainda esperam por solução. O primeiro foi a pontualidade, que nem sempre foi cumprida e atingiu um índice de 85%. O outro também incomodou bastante os passageiros no verão: o ar condicionado não funcionou, e - como certamente explicaria a Lei de Murphy - justamente nos dias em que os termômetros marcaram temperaturas recordes.

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