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Mundo

Vizinhos da Síria pressionam por mais ajuda para lidar com refugiados

Em conferência em Berlim, Jordânia e Líbano dizem não terem mais capacidade para receber tantos sírios e pedem que UE intensifique engajamento pela superação da crise. Turquia afirma que ofensiva contra EI é pouco.

Berlim recebeu nesta terça-feira (28/10) representantes de cerca de 40 países e organizações internacionais para uma conferência sobre os refugiados sírios, numa reunião que, embora não tivesse como objetivo a obtenção de doações, terminou com dinheiro como principal assunto.

A guerra civil na Síria tem forçado milhões a procurarem abrigo nos Estados vizinhos, sobretudo nos mais próximos, Jordânia, Líbano e Turquia. Esses três países aproveitaram a reunião na capital alemã para pedir mais ajuda à Europa para lidar com o problema.

O governo alemão prometeu para os próximos três anos ajudas no montante de pelo menos 500 milhões de euros para as nações vizinhas que recebem refugiados. A própria Alemanha abriga atualmente 70 mil sírios, sendo considerada exemplar na União Europeia.

A situação na Síria é especialmente urgente, com a proximidade de mais um inverno, o quarto, desde o início dos choques entre tropas do governo e rebeldes sírios.

O encontro desta terça foi promovido pelo chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, juntamente com o ministro do Desenvolvimento Gerd Müller e com o apoio do alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres.

Capacidade de acolhimento se esgota

"Se a comunidade internacional quer que nós arquemos por ela com esse peso, então precisa nos ajudar", afirmou o ministro jordaniano do Exterior, Nasser Judeh. Seu país, um dos mais pobres da região e entre os mais carentes de água no mundo, recebe no momento 1,5 milhão de refugiados, com os quais tem que dividir seus escassos recursos.

O número de moradores de certas localidades da Jordânia aumentou até 400%, com graves consequências para os sistemas de educação e saúde. Por exemplo, os planos de longa data do governo de reformar as escolas do país, afirmou Judeh, tiveram que ser adiados.

Syrien Flüchtlinge Konferenz in Berlin 28.10.2014 Plenum

Embora não tivesse como objetivo a obtenção de doações, reunião acabou com dinheiro como principal assunto.

O primeiro-ministro libanês, Tammam Salam, mencionou que o enorme afluxo de refugiados tem um "efeito desestabilizador" sobre seu país. Segundo ele, o Líbano, de área e população relativamente pequenas, se encontra diante de "vários desafios", criando-se uma situação que oferece "solo fértil" para o extremismo.

Salam lembrou que o Líbano acolheu mais de 1 milhão de sírios em fuga do conflito, mas que agora alcançou o limite de sua capacidade. Sua própria população é de 4,5 milhões, e a nação enfrenta sérios conflitos internos. Além disso, a economia nacional se encontra em declínio, o desemprego cresce, os aluguéis sobem e a infraestrutura está sobrecarregada.

Mais cooperação internacional

A Turquia também é afetada pela onda de refugiados, dos quais acolhe 1,5 milhão. Isso, segundo o vice-chanceler turco, Naci Koru, já custou 4 bilhões de dólares ao país, dos quais apenas 250 milhões foram reembolsados pela comunidade internacional.

Koru advertiu também que são insuficientes os atuais ataques aéreos da aliança internacional contra a milícia jihadista do "Estado Islâmico" (EI) no norte da Síria.

Segundo Koru, a investida do EI contra a cidade fronteiriça curda de Kobane expulsou para seu país tantos sírios quanto os acolhidos por toda a Europa desde 2011. O político turco ressaltou, ainda, a necessidade de uma "estratégia abrangente".

As nações vizinhas da Síria presentes à reunião em Berlim expressaram o desejo comum de que a UE intensifique seu engajamento pela superação da crise na região, acolhendo mais refugiados. O alto comissário da ONU reforçou esse apelo por mais apoio internacional. Até o momento, o bloco liberou um total de 2,8 bilhões de euros para esse fim.

AV/afp/dpa/epd

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