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América Latina

Vitória do PRI no México traz de volta história de corrupção e nepotismo

Analistas concordam que eleitores mexicanos desejam, acima de tudo, paz e segurança. Porém partido de Enrique Peña Nieto traz consigo histórico de sete décadas de repressão e clientelismo.

De volta ao ponto de partida: o Partido da Revolução Institucionalizada (PRI) retorna ao poder no México após vencer as eleições presidenciais deste domingo (01/07). Nos últimos 12 anos, ele tivera que se subordinar ao conservador PAN, porém antes o PRI fora o partido dominante, por mais de 70 anos,

México: eterno emergente?

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Durante longo tempo, os grupos oposicionistas não tiveram praticamente nenhuma relevância, assim, a partir de 1929 e através de várias mudanças de nome, o PRI teve toda a tranquilidade para armar sua base de poder.

Corrupção, nepotismo e repressão foram fatores importantes para o onipresente partido se impor. Durante protestos nos anos 60, por exemplo, forças de segurança estatais fuzilaram estudantes, numa ação que permaneceu sem qualquer punição.

Sai o PRI

O lento ocaso do PRI foi desencadeado pela crise de endividamento na América do Sul da década de 80. Também o México vivera acima de suas possibilidades, e a consequência foi uma grande crise financeira.

Contudo o geoeconomista Christof Parnreiter, da Universidade de Hamburgo, também responsabiliza o partido pela má situação econômica pós-crise. "Fala-se sempre em 'emergente', mas o país nunca emerge." Além disso, o partido nunca conseguir esboçar um programa econômico que também promovesse a estabilidade social.

Assim, o PRI só conseguiu vencer o pleito presidencial de 1988 graças a muita fraude eleitoral. Após um colapso do sistema de informática eleitoral, no dia seguinte à eleição o candidato do PRI, Carlos Salinas, foi apresentado como vencedor.

Poder do narcotráfico

Finalmente, em 2000, a oposição conseguiu se impor. O conservador Partido de Ação Nacional (PAN) prometeu fazer tudo melhor do que o PRI, que se apresentava como social-democrático.

Porém muitos mexicanos consideram fracassada, acima de tudo, a luta dos conservadores contra os poderosos cartéis das drogas do país. Em 2006 o atual presidente Felipe Calderón mobilizou dezenas de milhares de soldados no combate contra o narcotráfico. Essa confrontação direta custou mais de 55 mil vidas nos últimos anos, entre elas as de numerosos civis.

Na opinião de Bert Hoffman, diretor do Instituto GIGA de Estudos Latino-Americanos, em Hamburgo, muitos eleitores mexicanos queriam simplesmente paz e tranquilidade. A resignação dominou, dentro do seguinte espírito: "Não vamos nos livrar mesmo dos cartéis das drogas, mas pelo menos queremos sair à rua em segurança. Pouco nos importa que tipo de maracutaia eles vão fazer lá em cima".

Luta contra cartéis de drogas custou 55 mil vidas

Luta contra cartéis de drogas custou 55 mil vidas

Olhos internacionais

A hora pareceu propícia para o velho partido de situação PRI, que na luta contra os cartéis muitas vezes apostou em acordos de cessar-fogo, diz Hoffman. "As pessoas podem seguir tranquilamente com os negócios ilegais delas, contando que não cuspam na sopa dos políticos."

Além disso, o PRI nunca saiu de cena, realmente, e pôde manter grande parte de suas estruturas clientelistas. "Ele podia não deter a presidência, mas teve sempre representação forte em nível federal e elegeu diversos governadores. Não é que ele tenha voltado do nada", comentou o especialista em México à Deutsche Welle.

No entanto, o México mudou nos últimos anos. Quando, no final de 2012, o novo presidente, Enrique Peña Nieto, assumir o cargo por seis anos, muitos irão examiná-lo bem de perto. O geoeconomista Parnreiter ressalta que o país está mais interconectado internacionalmente, hoje.

"Devido à integração no Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), há simplesmente olhos demais voltados para o México. Também na qualidade de membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), agora o país simplesmente tem que obedecer certas regras do jogo.

Corrupção segue

Porém os analistas não unânimes em afirmar que tal não significa o fim da corrupção, da falta de transparência e do nepotismo. "Todo o sistema do PRI se baseia em clientelismo e corrupção"; explica Parnreiter à DW. E Hoffmann completa: "Essa é a marca registrada do PRI, eles são bons em política por debaixo dos panos".

Críticos acusam Enrique Peña Nieto de não passar de marionete

Críticos acusam Enrique Peña Nieto de não passar de marionete

O chefe de Estado eleito também traz essa marca. Os adversários do bem apessoado político de 45 anos o acusam de não passar de uma marionete telegênica. Nos bastidores, os velhos clãs seguirão manipulando os fios.

Peña Nieto prometeu dar uma nova cara ao Partido da Revolução Institucionalizada. Mas o especialista em política mexicana Parnreiter é um dos que duvidam que venha a ser mais do que uma cara. "Até agora, ele não pôde desenvolver um perfil próprio. Não acredito que isso ainda venha a acontecer."

Autoria: Klaus Jansen (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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