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Brasil

Visita emblemática do papa à favela da Varginha empolga moradores

Passagem do líder católico, que prega "Igreja pobre e para os pobres", é considerada um dos maiores símbolos da primeira viagem internacional de Francisco. Porém, céticos questionam falta de melhorias em longo prazo.

Há dias que os moradores da favela da Varginha, no Rio de Janeiro, preparam casas e ruas. A comunidade terá um ilustre visitante nesta quinta-feira (25/07): o papa Francisco. Se há duas semanas os moradores reagiam com agressividade contra curiosos no local, hoje eles parecem ter concordado em permitir a presença de jornalistas nas ruas da favela.

"A visita vai ser boa", avalia o jogador de futebol Getúlio Muller, mesmo não sendo católico. "Sou evangélico. Mas eu acho que as pessoas têm que respeitar o direito do outro. Todo mundo tem que compartilhar o momento", defende. O papa vai falar com a comunidade exatamente ali, onde Getúlio e seu time da liga dos veteranos acabam de jogar. O palco do discurso aos fiéis será a cobertura de concreto do vestiário.

Francisco chegará de papamóvel até a entrada da favela. Dali, ele deverá caminhar até o campo de futebol. Depois de discursar, o líder da Igreja Católica vai inaugurar o novo altar da pequena capela de Varginha.

Favela Varginha

Mesmo evangélico, Getúlio Muller está animado com presença do papa em Varginha

Essa não é a primeira vez que um papa visita uma favela do Rio. Em 1980, João Paulo 2º esteve no Vidigal, na zona sul. Agora, na primeira visita de um pontífice a uma favela carioca em três décadas, Francisco quer ressaltar com a visita a ideia de uma "Igreja pobre e para os pobres".

"Faixa de Gaza"

Com cerca de mil moradores, Varginha é uma das menores favelas do Rio. Ela faz parte do Complexo de Favelas de Manguinhos, que tem aproximadamente 40 mil habitantes. Por ter sido uma área de fogo cruzado entre traficantes de drogas e policiais, a principal avenida de Varginha foi apelidada de "Faixa de Gaza" pelos próprios moradores.

"Aqui era como a Faixa de Gaza do Oriente Médio, com muitos tiros. Não era uma rota adequada em determinados horários, entre 18h e 5h da manhã seguinte. Hoje temos um caminho mais calmo", conta Everaldo Oliveira, morador de Varginha que ajuda a organizar a visita do papa à comunidade.

Ao saber da passagem de Francisco por Varginha, conta Oliveira, os moradores não puderam conter a emoção. "Foi um momento de muita alegria. O pessoal pulou, agradeceu a Deus. Depois foi muito trabalho para preparar tudo."

Varginha ainda carece de muitas obras. Como não há saneamento básico na comunidade, no período de fortes chuvas as casas costumam ficar inundadas. Ainda assim, os moradores rejeitaram o projeto do governo de realizar as obras antes da visita da Sua Santidade. "Essa é a realidade", diz Muller.

Bildergalerie Varginha 6 Papstbesuch Rio de Janeiro

Por causa do alto índice de violência, principal rua de Varginha foi apelidada de "Faixa de Gaza"

Braços abertos

Mensagens de boas-vindas ao papa foram penduradas em vários locais de Varginha. Ivan Macedo chegou a escrever uma música em homenagem à visita de Francisco à comunidade. "Seja bem-vindo, sua Santidade, o papa", diz a letra. "Aqui no Rio de Janeiro nós te esperamos de braços abertos, abertos a todos que querem te ouvir."

Apesar da euforia de alguns, nem todos parecem ver com bons olhos a visita do líder da Igreja Católica. "Se o Brasil é um país laico, como pode uma única religião atrair tanta atenção?", questiona Antônio Carlos Firmino, ressaltando que os afro-brasileiros e religiões indígenas acabam sendo negligenciados.

Para Alan George, artista que se oferece como guia de visitantes na favela, a Jornada Mundial da Juventude não é nada mais do que um evento pelo qual o Brasil quer se mostrar de maneira positiva na mídia. "De vez em quando aparecem autoridades aqui. O outro papa, o João Paulo 2º, também já esteve aqui. E nada mudou depois disso", diz George, incrédulo.

Favela Varginha

Morador da Rocinha teria desaparecido após ser levado por policiais

Presença policial

No fim do ano passado a polícia do Rio realizou uma operação de pacificação em várias favelas do Complexo de Manguinhos – entre elas, Varginha. Integrantes de Organizações Não-Governamentais que trabalham na comunidade ressaltam que a presença policial é positiva, mas que ainda é preciso realizar mais avanços.

A relação entre policiais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e moradores de favelas, no entanto, ainda é marcada por atritos. Há dias, por exemplo, centenas de pessoas têm protestado em frente ao palácio do governador pedindo respostas sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, 42 anos, morador da favela da Rocinha. A população afirma que ele foi levado por policiais para "averiguações" no dia 14 de julho, "sem ter feito nada de errado".

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