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Economia

Vioxx: alemães vão à Justiça nos EUA

Berlinense quer participar da queixa coletiva contra a Merck. Cerca de 340 mil alemães tomaram Vioxx, acusado de riscos cardiovasculares. Estudo aponta que seu uso levou a pelo menos 2500 derrames e infartos no país.

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Produto foi retirado do mercado no início do mês

As dúvidas sobre os efeitos colaterais do medicamento Vioxx surgiram há algumas semanas, depois que um estudo realizado pela Food & Drug Administration (FDA), órgão regulador do mercado de alimentos e medicamentos dos EUA, mostrou que o remédio pode duplicar os riscos de ataque cardíaco e derrames cardiovasculares a partir de 18 meses de uso contínuo.

O produto fabricado pela Merck, segunda maior companhia farmacêutica dos EUA, é usado no tratamento da artrite e dor aguda e havia sido retirado do mercado mundial no início do mês.

Vários casos documentados

O advogado berlinense Andreas Schulz, que representa os familiares de um paciente que morreu após ter ingerido o produto durante quase três anos, pensa em participar da queixa coletiva que está sendo movida nos Estados Unidos. O seu escritório representa ainda vários outros doentes potencialmente afetados pelo medicamento.

O uso contínuo do produto na Alemanha causou tromboses, derrames ou infartos em pelo menos 2500 pacientes alemães, acusa Peter Sawicki, chefe de um instituto de controle de qualidade e eficiência na área de saúde. "Considerando os estudos de risco feitos com o medicamento, conclui-se que parte destes pacientes certamente não sobreviveu a estes graves efeitos colaterais", analisa Sawicki.

125 milhões de doses na Alemanha em 2003

Vioxx von Merck

Sede da Merck, em Nova Jersey (EUA): risco de indenizações milionárias?

No ano passado, os convênios obrigatórios de saúde pagaram 125 milhões de doses do medicamento (não contando aí o consumo de pacientes de planos particulares), o que contabilizaria um mínimo de 340 mil pessoas na Alemanha que tomaram Vioxx regularmente.

Um estudo da FDA norte-americana havia feito uma projeção de que mais de 27.700 ataques cardíacos poderiam ter sido evitados nos EUA entre 1999 e 2003, se os pacientes tivessem substituído Vioxx por um medicamento similar.

O Vioxx, sucesso mundial de vendas da empresa, foi lançado nos Estados Unidos em 1999 e era comercializado em mais de 80 países. O faturamento mundial de Vioxx em 2003 atingiu 2 bilhões de euros. Desde que o produto chegou ao mercado, há cinco anos, foram feitas advertências sobre seus efeitos colaterais.

Também outras fábricas de medicamentos estão ameaçadas. Segundo Sawicki, todo o complexo de inibidores do chamado Cox-2 são suspeitos de provocar problemas cardiovasculares. Até o final da semana passada, foram enviados aos conselhos de medicina 1011 comunicados sobre complicações com Vioxx, dos quais 198 sobre problemas cardiovasculares. Em 28 deles, diagnosticou-se parada cardíaca. Bayer já passou pela experiência Outra grande empresa farmacêutica envolvida em escândalo semelhante foi a alemã Bayer, que em 2001 retirou do mercado seu produto anticolesterol Lipobay, depois de várias mortes por insuficiência renal, principalmente nos Estados Unidos. Até agora, ela já resolveu 25% das queixas, para o que gastou 1,1 bilhão de dólares. Advogados que ganham este tipo de causa nos EUA levam 5% do valor da indenização, a título de gratificação. Por outro lado, desempenham um papel importante: eles obrigam os gigantes da indústria farmacêutica a levar outros fatores em consideração, que não os 20% de lucros.

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