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Mundo

Violência volta às ruas da França

Ataque incendiário a ônibus em Marselha deixa mulher gravemente ferida. DW-WORLD entrevistou cientista político sobre situação na França, um ano após os quebra-quebras nas periferias.

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Grupo de jovens ateou fogo em ônibus em Marselha

O presidente da França, Jacques Chirac, condenou o atentado da noite de sábado (28/10) em Marselha, em que uma senegalesa de 26 anos foi gravemente queimada depois que um grupo de jovens incendiou o ônibus em que viajava. Apesar do reforço policial, aconteceram arruaças em várias cidades francesas neste final de semana.

O primeiro-ministro Dominique de Villepin anunciou para esta segunda-feira uma reunião de emergência para discutir a segurança dos transportes públicos no país. Na última sexta-feira, foi o primeiro ano da morte de dois jovens eletrocutados enquanto fugiam da polícia em Clichy-sous-Bois, perto de Paris. Este havia sido o estopim para os quebra-quebras das semanas seguintes em várias cidades do país.

DW-WORLD conversou com Henrik Uterwedde sobre a situação nos banlieues franceses. Ele é vice-diretor do Instituto Teuto-Francês em Ludwigsburg e professor de Ciências Políticas na Universidade de Stuttgart.

DW-WORLD: Quais as causas da frustração dos jovens ?

Professor Dr. Henrik Uterwedde

Uterwedde

Henrik Uterwedde: Trata-se naturalmente de uma profunda crise social. Nas periferias da França contam-se mais de 700 regiões problemáticas, nas quais moram cerca de cinco milhões de pessoas. Estas áreas são "monoculturas", em que 40% dos jovens não terminaram a escola e o índice de desemprego é de 20%, ou seja, o dobro da média do resto da França. Nestas cidades, concentram-se todos os tipos de problemas sociais do país. Soma-se a isso a crise de integração. Principalmente os filhos de imigrantes são discriminados quando procuram emprego.

Após os conflitos do ano passado , o governo anunciou uma série de iniciativas . Que medidas políticas foram tomadas ?

Já havia bons programas antes de 2005 na área social. Após os quebra-quebras, houve quatro pontos centrais. Por um lado, tentou-se melhorar as chances de emprego dos jovens da periferia. Por outro, as medidas voltadas contra a discriminação étnica. Existe ainda um setor bastante caro: o da política habitacional. Temos um enorme problema com a aglomeração de edifícios de apartamentos. Foi iniciado um projeto de saneamento urbano e de moradias. No quarto ponto, trata-se da repressão. Naturalmente que o Estado não pode permitir o surgimento de áreas que vivem à margem da Justiça. Todas estas medidas, no entanto, não terão efeitos rápidos.

As medidas tomadas estão no caminho certo ?

Acredito que sim. Os resultados mais visíveis são os da modernização das áreas habitacionais. As outras medidas precisam de mais tempo. A situação do emprego naturalmente que depende da economia. E esta no momento não está bem. O fracasso na escola é outro grande problema. Sabemos que as chances de trabalho aumentam com o êxito na escola. Para combater o fracasso na escola, não basta um punhado de professores.

Como se combate a discriminação dos jovens ?

Você pode proibir a discriminação, mas tente mudar a mentalidade de um empresário que tem restrições a imigrantes. Ha também exemplos de discriminação positiva. Uma das maiores universidades de elite, a "Sciences Po", o Instituto de Ciências Políticas de Paris, fez uma espécie de acordo com ginásios de áreas problemáticas, onde garante o estudo a um determinado contingente de alunos destes colégios.

O sindicato da polícia Action Police advertiu que a violência ganha influência islâmica ...

A partir dos conflitos do ano passado, não se pode dizer isso. Pelo contrário, houve alguns representantes da comunidade islâmica que se tornaram importantes parceiros dos prefeitos, por serem os únicos a exercerem influência sobre os jovens. Num barril de pólvora não se pode excluir por completo tal possibilidade. Mas no momento não vejo nenhum perigo neste sentido.

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  • Data 29.10.2006
  • Autoria Ercin Özlü (rw)
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  • Data 29.10.2006
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