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Alemanha

Violência militar em atos e palavras

Relatos recentes sobre a propagação de mobbing nas Forças Armadas alemãs causaram grande apreensão na sociedade. Mais e mais soldados se mostram dispostos a denunciar esta prática, propagada não apenas na Alemanha.

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Humilhação de recrutas é prática corrente nos exércitos europeus

Enquanto o governo alemão investiga a acusação de que oficiais da Bundeswehr, as Forças Armadas alemãs, encenaram o seqüestro de um grupo de jovens recrutas, levando a farsa ao limite do abuso, o Ministério britânico da Defesa se confronta com acusações de mobbing dentro de seu Exército.

As acusações sucederam a morte de quatro jovens recrutas estacionados na base militar de Deepcut entre 1995 e 2001. Investigações internas revelaram quatro casos de suicídio, mas os familiares das vítimas, que atribuem sua morte à cultura de medo e violência, entraram com uma ação pública contra o Exército.

Apesar de relatórios policiais terem comprovado abusos em Deepcut, mais precisamente 173 casos de estupro, racismo e agressão física, as autoridades militares se recusam a abrir um inquérito independente.

Pedindo socorro por telefone

A relutância em autorizar uma investigação independente não surpreende Malcolm Thorn, que está tentando convencer o Ministério de Defesa a reconhecer oficialmente a organização Forces Helpline, fundada por ele mesmo. Trata-se de um serviço telefônico de orientação para soldados que precisem de conselhos confidenciais em caso de mobbing, isto é, assédio moral ou tortura psicológica. Thorn está impressionado com a repercussão do serviço, procurado por soldados não apenas britânicos, mas da Alemanha, Holanda e até Nova Zelândia.

Parece que os soldados estão cada vez mais dispostos a falar sobre as práticas de mobbing no ambiente militar. Na semana passada, soldados do Exército austríaco chocaram a sociedade com suas revelações de tortura durante treinamentos para operações de resgate de reféns de seqüestro. O escândalo foi detonado pela divulgação de uma fita de vídeo que documenta situações semelhantes às escandalosas táticas usadas pelos soldados norte-americanos na prisão Abu Ghraib no Iraque, com cenas de recrutas nus e encapuzados sendo arrastados pelo chão.

Embora os recentes casos de tortura na Áustria, Alemanha e Grã-Bretanha tenham virado manchete por seu teor chocante, Thorn conhece tudo isso por experiência própria. Ele confirma que certas práticas de terror − como pendurar recrutas da janela pelo cadarço dos sapatos ou banhá-los em água gelada misturada com excrementos humanos − são usuais no Exército britânico, destacando que o mobbing mental tem o mesmo poder de "dobrar" uma pessoa.

Bundeswehr-Rekruten

Soldados alemães marcham no quartel de Coesfeld, um dos focos dos recentes escândalos de abuso de recrutas nas Forças Armadas

O poder das palavras

Esta também é a opinião do alemão Sven Knüppel, tenente da reserva com duas décadas de experiência na Bundeswehr. Em entrevista à DW-WORLD, ele confirmou que "um soldado pode até resistir a extremas provações físicas, mas dificilmente a degradações verbais constantes".

Para ele, a cultura de mobbing não é tão forte nas Forças Armadas alemãs como nas britânicas. "O Exército britânico tem uma estrutura muito diferente da Bundeswehr, pois sua tradição se manteve intacta por muitos e muitos anos. Após 1945, as Forças Armadas alemãs foram inteiramente reestruturadas. Mas mesmo assim não daria para dizer que estas coisas não acontecem, pois sempre vai haver loucos que vão continuar fazendo valer seu estilo pessoal em todos os escalões", comenta Knüppel.

Estatísticas oficiais do governo alemão revelam que uma em nove pessoas no país foi pelo menos uma vez vítima de mobbing no ambiente de trabalho. O maior número de casos ocorre em hospitais e instituições de assistência social, entre o funcionalismo público e membros da Igreja. Ou seja, os militares não são únicos e nem os primeiros.

O psicólogo Patrick Tissington, pesquisador do fenômeno, considera o mobbing parte da natureza humana. Em entrevista à DW-WORLD, ele afirmou que a tendência de demonstrar poder em relação aos mais fracos tem a ver com o desejo de assumir controle sobre o ambiente: "Contra isso precisa haver bons líderes que saibam cortar o problema pela raiz".

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