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Economia

Vinho doce ou vintage do século?

Os vinicultores alemães estão colhendo as uvas para um vinho de qualidade excepcional. A safra de 2003 deverá ter um lugar destacado nos registros históricos da enologia alemã.

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Safra pequena, de qualidade excepcional, mas com um senão

Uma primavera amena, seguida pelo verão mais quente e ensolarado que a Alemanha já registrou e um outono seco: as condições climáticas foram quase ideais para a maturação das uvas. Já meses antes do início da colheita, os produtores mais entusiasmados começaram a falar do "vinho do século". Contudo, a seca outonal foi muito rigorosa em várias partes do país, com conseqüências para a qualidade final do produto: os enólogos preferem falar de um vinho de qualidade excepcional, mas não lançam mão de superlativos.

Independente disto, o presidente da Federação Alemã de Viticultura, Norbert Weber, apresentou uma avaliação muito positiva das potencialidades da safra: "De abril até agosto, a temperatura na Alemanha foi de 3ºC acima da média. Com isto, tivemos um clima comparável ao do sul da França".

Açúcar e álcool

No Rheingau, uma das principais regiões de vinicultura da Alemanha, as uvas já apresentavam em setembro um nível excepcional de maturação, com um recorde de 302 graus oechsle, segundo Norbert Weber. Oechsle é uma unidade de medida do conteúdo de açúcar da uva, indicando seu grau de maturação. Em média, o mosto deste ano deverá atingir entre 15 e 20 graus oechsle mais que o do ano passado.

Onde há mais açúcar, também aumenta o teor de álcool. Segundo Weber, "isto significa para o vinho 2,5% mais álcool por volume". De maneira geral, o vinho alemão de 2003 deverá apresentar mais corpo, maior teor de álcool por volume, retrogosto fino e coloração intensa.

Produção reduzida

Apesar de todas as vantagens climáticas em 2003, o "verão do século" também trouxe problemas para as cepas. "Desde o início do ano, tivemos cerca de 25% menos chuvas que a média dos anos anteriores", afirmou Norbert Weber. Com isto, a produção total de vinho deverá ser uma das menores dos últimos 20 anos, com cerca de 8 milhões de hectolitros. E, além disto, a seca dificultou a maturação das uvas em muitas regiões vinícolas.

"Sem água não se pode cozinhar", comentou também o presidente da Federação Alemã dos Produtores de Vinho com Predicado, Michael Prinz zu Salm. Principalmente as vinhas em terrenos rochosos ou arenosos sofreram enormemente com o clima seco de 2003. As vinhas novas e as áreas mais áridas de cultivo dependeram este ano de cuidados intensos, para que se pudesse salvar pelo menos uma parte da safra, admite também Norbert Weber.

Pouca acidez

Um outro fenômeno também prejudicou a vintage 2003, mesmo nas vinhas que foram irrigadas artificialmente ou onde se sacrificou uma parte das uvas em busca de melhor qualidade para o restante. Os vinicultores acabaram constatando, com grande surpresa, que as fantásticas condições climáticas do corrente ano tiveram um efeito inusitado: reduziram o teor de acidez, uma das características marcantes do vinho alemão.

Um certo grau de acidez é fundamental para os grandes vinhos. E mesmo um vinho de mesa tem de ter entre 0,6% e 0,75% de acidez por volume, para que seja seco e equilibrado, ou seja, de boa qualidade. Principalmente as uvas brancas do tipo Sylvaner, Müller-Thurgau e outras foram as mais atingidas pelo problema. A redução do teor de acidez faz com que o vinho venha a apresentar uma impressão mais adocicada e insossa. Além disto, ele tem menos vitalidade e não pode ser guardado por longo tempo nas adegas.

É por esta razão que os enólogos preferem esperar o lançamento da vintage 2003, antes de concederem ao produto alemão deste ano o almejado predicado de "vinho do século".

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