Villa Schöningen: testemunha da história das duas Alemanhas | Conheça os destinos turísticos mais famosos da Alemanha | DW | 14.11.2009
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Turismo

Villa Schöningen: testemunha da história das duas Alemanhas

Construída por um rei prussiano, Villa Schöningen é símbolo de diferentes momentos históricos. Recém-inaugurado, novo museu exibe obras sobre a Guerra Fria e relata a história da mansão e das pessoas que nela viveram.

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Villa Schöningen ficava na fronteira entre as duas Alemanhas

Se a localização de Villa Schöningen é por trás ou em frente à ponte Glienecker Brücke, isso depende do ponto de vista do visitante: se ele vem de Berlim ou de Potsdam. A parte da frente da mansão já é grandiosa: branca, romântica, com arcadas na fachada e uma torre. Além disso, em um nicho de fundo azul, uma estátua de Minerva, a deusa da sabedoria, já deslumbra aqueles que visitam o prédio, que nos últimos 150 anos foi cenário de vários acontecimentos históricos da Alemanha.

Inicialmente, o rei Frederico Guilherme 4º viveu no local. Quando assumiu o trono em 1840, seu sonho era converter toda a Prússia em um imenso jardim. Mas, como isso não foi possível, contentou-se em transformar as regiões de Potsdam e Berlim em belíssimas paisagens.

Glienicker Brücke Flash-Galerie

Ponte Glienecker Brücke e à direita a Villa Schöningen

Para isso, contratou grandiosos arquitetos, como Karl Friedrich Schinkel e Ludwig Persius. Junto com o paisagista Peter Joseph Lenné, transfiguraram a chamada "ilha de Potsdam" em uma obra de arte arquitetônica e natural, cujos eixos visuais determinados como que por acaso atraem a visão do observador a paisagens ou construções da "Arcádia prussiana".

Uma mansão no centro de uma paisagem cultural

A Villa (palavra que significa mansão, em alemão) fora construída em 1826 perto da ponte Glienecker Brücke a pedido de um armador. Ponto de encontro de grupos de caça e de membros de famílias reais de ambos os lados do rio Havel, mais tarde a ponte se tornaria parte da fronteira entre as duas Alemanhas.

Embora não fosse uma mansão muito bonita, o rei a comprou porque a partir dela se podiam ver as construções palacianas de Schinkel. Sob a direção do arquiteto Ludwig Persius, a Villa fora então transformada em mansão de estilo italiano. Mais tarde, o marechal da corte Kurd Wolfgang von Schöning mudou-se para a mansão – emprestando seu nome ao prédio. Posteriormente, a casa pertenceu durante 100 anos aos Wallich, uma família judia de banqueiros.

Testemunha da história

Com o início da perseguição do regime de Hitler, os Wallich foram expulsos da mansão e tiveram de fugir da Alemanha. Primeiramente, os nazistas utilizaram o local como biblioteca, depois como escritório militar e, mais tarde, como hospital para soldados russos.

Blick auf ein originales Mauersegment vor der sanierten Villa Schöningen Flash-Galerie

Segmento do Muro de Berlim foi mantido

Após o fim da guerra, a casa foi usada como sede da Federação dos Sindicatos da então jovem República Democrática Alemã (RDA). No local, havia também um jardim-de-infância, que logo se expandiu tanto que a central sindical acabou deixando o prédio. Restaurada e reinaugurada em 1949, a ponte fora rebatizada pela RDA de “ponte da unidade”. Com a construção do Muro, em 1961, o jardim da mansão passou a fazer parte da chamada Faixa da Morte.

A Guerra Fria e a Alemanha dividida

A partir daí a ponte passou a ser controlada por guardas de fronteira. Às crianças alemãs-orientais que brincavam no pátio da mansão dizia-se que era uma medida de proteção contra os "vizinhos criminosos". Não se dizia, no entanto, que os soldados estavam instruídos para disparar contra pessoas que tentassem fugir da RDA.

Certamente as crianças também não tinham conhecimento do tapete de pregos de 15 centímetros (apelidado de gramado de Stalin), colocado no fundo do rio Havel para impedir que as pessoas saltassem da ponte para fugir. Às vezes, as crianças também assistiam à troca de agentes entre americanos e russos na linha branca que dividia os dois territórios.

Quase uma vítima

Depois da queda do Muro, os donos da mansão receberam de volta sua propriedade, mas logo a venderam. Mais tarde, um investidor do Oeste alemão propôs construir outras mansões no terreno, mas a lei de proteção ao patrimônio histórico impediu a realização do projeto.

Abandonada por tanto tempo, algum dia ela teria de ser demolida. No entanto, Mathias Döpfner e Leonhard Fischer evitaram a destruição de última hora, comprando a mansão e a transformando em um museu privado, que relata as histórias que não podiam ser contadas às crianças.

Eine Frau betrachtet in der sanierten Villa Schöningen in Potsdam eine Videodokumentation Flash-Galerie

Exposição interativa no museu Villa Schöningen relata história da mansão e das pessoas que ali viveram

Inaugurado em 8 de novembro último, após um saneamento completo, o museu tem dois andares para exposições. No primeiro, um mostra de obras dos artistas Ilya & Emilia Kabakov, Neo Rauch, Marek Pivovski e Josephine Meckseper tratam dos acontecimentos e consequências da Guerra Fria.

No térreo, a curadora austríaca Lena Maculan organizou uma exibição interativa, que narra, com poucos objetos e muitas imagens, a história do prédio, da fronteira, da ponte e da vida daqueles que ali viveram, trabalharam e sofreram. Pelas janelas da casa, o visitante ainda pode apreciar a vista do rio, do Palácio Babelsberg e da igreja Heilandskirche no bairro de Sakrow, em Potsdam.

Confira a localização de Potsdam no leste da Alemanha

Autor: Silke Bartlick/ Mirra Banchón (jbn)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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