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Cultura

Viena expõe imagens da violência

Os conflitos na Irlanda do Norte, a guerra na ex-Iugoslávia, a pena de morte e os excessos da mídia são alguns dos temas discutidos pela mostra na capital austríaca, como parte da campanha “Arte contra a Violência”.

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Museumsquartier de Viena, que abriga a exposição

No começo, ouve-se apenas a melodia da voz de Chet Baker e vê-se o vinil girando. Aos poucos, o jazz vai sendo subtituído pelo ruído de um caça e percebe-se que o avião sobrevoa Belgrado. A seqüência é real, tirada de uma reportagem da TV americana sobre a guerra na ex-Iugoslávia.

Em Let’s Call it Love, a artista Breda Beban mostra como um bombardeiro passa pelos céus da cidade, para no final da ação – e do vídeo – atirar seus mísseis. A beleza melancólica da voz de Chet Baker vai se transformando quase que imperceptivelmente no horror da guerra. O dia-a-dia passa a ser dominado pela violência.

Pena de Morte - O mesmo banalizar da violência no cotidiano pode ser visto na série de fotos The Omega Suites, da norte-americana Lucinda Devlin. A artista documenta aqui os últimos lugares por onde passaram condenados à morte nos EUA. O título, que remete à última letra do alfabeto grego, já anuncia o fim. Os espaços, vistos vazios por Devlin, são estetizados, congelados, expostos em forma de "instalações sanitárias".

As fotos - em cor - registram cadeiras elétricas, câmaras de gás e outros locais destinados à morte por envenenamento. O trabalho da artista, que foi visto na Plataforma da Humanidade da última Bienal de Veneza, é um retrato clínico, estéril e cru das instituições norte-americanas que executam a pena de morte.

Guerra Civil - Contundente de forma semelhante é a obra do irlandês Paul Seawright, que registra no vídeo Sectarian Murder locais onde vítimas da guerra civil na Irlanda do Norte foram assassinadas. Seawright sobrepõe às imagens uma locução sóbria a respeito dos mortos - quem foram e como foram executados. Os locais dos crimes vazios, secos, sem referências visuais ao que ali se passou, provocam no espectador uma dor indireta. "A dramaturgia da câmera esbarra na força sugestiva do local do crime, que ocupa o lugar da vítima ausente e conota o espaço negativamente", comenta o diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Já o suíço Christoph Draeger utiliza em seu vídeo Feel Lucky Punk??! seqüências originais de filmes como Taxi Driver, Pulp Fiction ou Nascido Para Matar. Junto a essas, são editadas imagens de atores amadores, que imitam as cenas de violência dos filmes, transformando o acontecimento - como um assalto, por exemplo - em cenas absolutamente grotescas. Estratégia semelhante é usada pelo francês Alexandre Périgot em seu vídeo Kill Kill Choréographie, em que atores amadores encenam atos de violência através de movimentos extremamente exatos, mímica exagerada e gestos patéticos.

A exposição gira em torno do caráter ambíguo que permeia a relação entre arte e violência, registrando aí um misto de denúncia e fascínio. Planejada muito antes do último 11 de setembro, quando ganhou em atualidade, a mostra pode ser vista no Museusmquartier de Viena até o próximo 25 de agosto.

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