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Mundo

Vice de Obama vai à Ásia em meio à tensão com China por ilhas

Visita de Biden ganha novo status após Pequim decretar zona de defesa aérea sobre ilhas de administração japonesa e, indiretamente, comprar briga com EUA. Demonstrações de força refletem política chinesa mais agressiva.

A visita de rotina do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Pequim, para discutir a cooperação econômica bilateral, ganhou um interesse especial devido à escalada de tensões em torno de um grupo de ilhas no Mar da China Oriental – denominadas Diaoyu pelos chineses e Senkaku pelos japoneses. Neste domingo (01/12), o político democrata inicia um giro pela Ásia Oriental que, além da China, inclui Japão e Coreia do Sul.

Pequim escolheu um momento delicado para unilateralmente declarar zona de defesa aérea sobre o arquipélago rochoso e inabitado, exigindo que as companhias aéreas lhe apresentem os planos de voo de todos os aviões que penetrem nessa região, que é administrada pelo Japão.

US Vizepräsident Joe Biden in Brasilien

Vice-presidente americano, Joe Biden, durante visita ao Brasil, em maio de 2013

Em resposta, os EUA enviaram para lá, na última segunda-feira, uma dupla de bombardeiros do tipo B-52. Segundo o porta-voz do Departamento de Defesa americano, Tom Crosson, essa era "uma operação de treinamento longamente planejada". Mas ficou claro também tratar-se de uma afirmação dos interesses americanos e um ato de desafio contra a superpotência emergente.

Nos últimos dias, enquanto a China respondia com o envio de aviões de caça para a área, a mídia estatal cuidava de exacerbar os ânimos, exigindo "contramedidas oportunas, sem hesitação". Essa escalada do "olho por olho, dente por dente" parece se encaminhar para o mais sério confronto na área em quase duas décadas – ou seja, desde a crise em torno do Taiwan, em meados dos anos 90.

Testando as próprias forças

"Não acho que devamos subestimar a relevância deste assunto", comenta Thomas König, coordenador do programa para a China do think-tank European Council on Foreign Relations (ECFR). "Pela primeira vez, a China bateu de frente com os Estados Unidos nessa região. Os chineses se deram conta de que agora são protagonistas mundiais, e estão testando as águas como nunca fizeram antes."

König classifica a investida de Pequim como erro de cálculo. "Eles certamente não estavam contando com esse tipo de reação de um governo que normalmente é um tanto mais diplomático. Eu também fiquei surpreso, porque antes os EUA diziam que as Ilhas Senkaku eram uma questão regional."

Senkaku-Inseln

Ilhas Diaoyu -Senkaku, no Mar do Leste da China, são administradas pelo Japão

"Mas, pessoalmente, acho que essa foi a jogada certa para os EUA", prossegue. "A zona [de defesa aérea estabelecida por Pequim] poderia ser vista como um questionamento dos interesses americanos na região. Por outro lado, a resposta dos EUA pode também ser considerada irresponsável, já que alguém poderia ter atirado naqueles aviões."

A posição de König em relação à China também é bastante condenatória. "Eles não estão muito claros quanto às próprias intenções em relação à zona de defesa. E eu acho que o tiro saiu pela culatra: foi um jeito bastante imaturo de proceder, por ter sido tão drástico."

Mudança de ares

Segundo o especialista do ECFR, no entanto, certo grau de confusão é quase inevitável dada a crueza da nova política externa chinesa. Ele interpreta tais incidentes como os primeiros sintomas de uma mudança de ares, à medida que a potência asiática se torna mais segura de si.

"Talvez agora seja a hora de questionar as estruturas de poder que têm funcionado até agora. Talvez os protagonistas da região estejam pensando: 'Bem, isso funcionou até agora, mas como é que vamos agir daqui a 20 anos?' Eu espero que tais incidentes não aconteçam com mais frequência – mas acho que vão", afirma.

Rod Wye, especialista em assuntos chineses do think-tank britânico Chatham House, concorda. "A China diria que se trata de uma coisa perfeitamente natural, e muitos outros países da região têm declarado zonas de defesa aérea desse tipo."

Interesse renovado na região

O que está por trás de toda essa situação é o interesse renovado dos EUA pela região da Ásia-Pacífico, ainda complicado pelo comprometimento do país com a defesa do Japão. Em outras palavras: quaisquer tensões entre a Pequim e Tóquio inevitavelmente envolverão também os americanos, e isso intensifica o clima de paranoia já reinante entre as duas potências.

B-52 Bomber USA

Bombardeiro B-52 dos Estados Unidos

"Os chineses têm a suspeita constante de que os EUA os estão cercando, e os EUA suspeitam de quais sejam as intenções finais da China na Ásia-Pacífico", explica Wye. Por outro lado, ambos têm interesse em manter boas relações econômicas, e assim as relações sino-americanas parecem, por vezes, um tanto esquizofrênicas. Afinal, em 2014 Pequim planeja participar num importante jogo de guerra no Oceano Pacífico, ao lado da Marinha americana e seus aliados regionais.

"É uma relação onde nenhum dos lados entendeu completamente que posição tem", define Wye. "Há uma tensão contínua entre a evidente necessidade de se engajar – o que é econômica e militarmente vantajoso para ambos os lados –, e a forma como a grande relação de poder vai resultar, a longo prazo. No momento, é uma mistura muito complexa e volátil."

Por outro lado, não há causa para alarmismo, ressalta o especialista da Chatham House."Isso não significa que eles tencionem necessariamente ser mais incisivos em assuntos maiores. "A China está inevitavelmente mais envolvida em outras questões internacionais do que antes – devido a sua dependência do petróleo do Oriente Médio e outros fatores –, mas isso não significa que vamos observar o mesmo tipo de atividade ostensiva que o país tem demonstrado na sua vizinhança imediata."

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