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Alemanha

Viagem à lua com energia solar

Os europeus vão à lua pela primeira vez com a sonda espacial Smart-1. Construída pela Agência Espacial Européia - ESA - ela se aproximará até 300 quilômetros da lua.

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Cientistas querem saber como é o outro lado da lua

A sonda européia já teve seu lançamento adiado mais de uma vez por problemas técnicos com o foguete Ariane 5. Com partida prevista para as primeiras horas de domingo (28), da base especial na Guiana Francesa, a Smart-1 é uma sonda pequena, pesando apenas 367 quilos e movida a energia solar. Smart na verdade é a sigla de Pequena Missão de Pesquisa e Técnica Avançadas. O projeto em si é um experimento para "demonstrar a tecnologia", como expõe seu coordenador científico, Bernard Foing.

Uma propulsão lenta mas revolucionária

O que será testado, principalmente, é sua propulsão iônica que, no futuro, poderá facilitar muito as longas viagens interplanetárias. O motor da Smart-1 funciona de forma completamente diferente dos usados até agora para impulsar foguetes. Enquanto os motores tradicionais são à base combustão, isto é, o impulso é causado pela queima de um combustível químico, a propulsão iônica se dá com um gás nobre. Seu nome é xénon. A energia solar retira elétrons dos átomos desse gás. Como tais elétrons são negativos, restam os iões positivos. Essas partículas são fortemente aceleradas em um campo magnético. Ao disparar em direção ao espaço sideral a uma velocidade de até 100 mil quilômetros por hora, elas movimentam a sonda.

A velocidade das partículas pode parecer alta, mas o impulso da propulsão iônica é muito mais fraco do que o de motores convencionais. Esse impulso corresponderia à pressão que uma folha de papel exerce sobre a mão de uma pessoa. Na Terra Smart-1 não sairia do lugar desse jeito. Mas com a ausência de gravidade no espaço, o impulso mínimo basta para acelerar a sonda. Ela se move, então lentamente, mas de forma constante. Sua vantagem: a propulsão iônica funciona por anos e anos, enquanto os demais motores queimam seu combustível em poucos minutos.

Uma tartaruga econômica

Para Franco Bonacina, porta-voz da Agência Espacial Européia (ESA) não há dúvida de que o futuro das viagens espaciais está nessa tecnologia. "No final das contas, a tartaruga de iões irá ultrapssar a lebre dos foguetes", disse ao diário alemão Kölner Stadt-Anzeiger, lembrando o conto infantil. Na verdade, o trecho até a lua é muito curto, como para que ela demonstre suas vantagens de longo prazo. Em 1969, os astronautas da Apollo 11 não precisaram mais de três dias para chegar ao satélite da Terra, com propulsão de foguete.

A Smart-1, contudo, levará muito mais tempo: fará o percurso em 16 meses. Isso porque a ESA escolheu um roteiro incomum, a fim de poupar mais energia ainda. Depois de lançada pelo foguete Ariane em órbita estacionária, a sonda irá se afastar lentamente da Terra, com sua propulsão iônica. Durante um ano, Smart-1 circundará nosso planeta, distanciando-se cada vez mais da Terra. Até chegar tão perto da lua a ponto de entrar no seu campo de gravitação. Até que isso aconteça, ela terá percorrido milhões e milhões de quilômetros, ou mais exatamente 260 vezes a distância entre a Terra e a lua.

Lá chegando, entra em ação outra de suas vantagens: é mais fácil controlá-la e dirigi-la pela propulsão iônica. Ela freia lentamente e mantém-se de forma estável em órbitas baixas. A volta que a Smart-1 dará em torno da lua irá durar pelo menos seis meses. Sua distância irá variar entre 300 e 10 mil quilômetros.

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