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Mundo

Veterana jornalista chinesa recebe liberdade condicional

Por motivos de saúde, tribunal em Pequim permite que Gao Yu, de 71 anos, cumpra pena em casa. Condenada por revelar segredos de Estado à imprensa estrangeira, colaboradora da DW nega acusações

Após apelos internacionais, um tribunal chinês decidiu nesta quinta-feira (26/11) que a jornalista veterana Gao Yu, de 71 anos, poderá cumprir o restante de sua pena em casa, por motivos de saúde. Horas antes, a mesma corte havia apenas reduzido em dois anos a pena de Gao, para cinco anos de prisão, provocando indignação.

Numa decisão surpreendente, o Terceiro Tribunal Intermediário de Pequim concedeu à jornalista liberdade condicional devido a um informe médico que indicava que ela sofre de uma "enfermidade grave", segundo a agência de notícias oficial Xinhua. O tribunal teria decidido que "por ora, a pena poderá ser cumprida fora da cadeia".

Pela manhã, Mo Shaoping, advogado de Gao, disse que o estado de saúde da jornalista, que sofre de problemas cardíacos, "continua crítico".

"O hospital e o tribunal confirmaram que a saúde dela está em péssimo estado e que, portanto, ela não tem condições de cumprir a pena na prisão", disse Mo após o anúncio da liberdade condicional. "Ela poderá ir para casa e buscar atendimento médico."

A saúde da chinesa vem piorando no cárcere, um dos motivos pelos quais ela apelou da sentença a sete anos de prisão anunciada em abril deste ano.

Gao, que já havia sido presa em maio do ano passado, foi condenada

por vazar segredos de Estado

a um grupo de mídia estrangeiro. Segundo relatos, trata-se de um memorando conhecido como "Documento Nº 9". Publicado em agosto de 2013, o documento trazia uma lista do que o regime considerava ameaças ao Partido Comunista e advertia, entre outras coisas, contra a liberdade de imprensa nos padrões ocidentais e contra os direitos humanos.

A jornalista refuta veementemente as acusações. Colaboradora regular da DW, ela teria confessado suas "ofensas" na TV estatal chinesa. Mais tarde, seu advogado disse que ela fora coagida.

A simples redução da pena em dois anos havia sido criticada pelo diretor-geral da DW, Peter Limbourg. "Estamos profundamente decepcionados com esse veredicto. A diminuição da pena de sete para cinco anos é cínica diante da sua idade e de seu estado de saúde."

Liberdade de imprensa

Por seu engajamento ao longo de décadas, Gao Yu foi condecorada pelo Instituto Internacional de Imprensa como um dos 50 "Heróis da Liberdade de Imprensa" em 2000. Já na época da repressão violenta da Revolução Cultural Chinesa de 1989, a jornalista passou vários meses na prisão, acusada de ser "mentora intelectual" dos estudantes.

Três anos mais tarde, ela foi condenada a seis anos de prisão por revelar documentos secretos do Partido Comunista. Já há muito tempo ela é proibida de publicar na China. Gao colabora com meios de comunicação internacionais, entre eles a redação chinesa da DW.

Nesta quinta-feira, a Anistia Internacional comemorou o anuncio da liberdade condicional como "ótimas notícias". O trabalho dos advogados e da comunidade internacional foi recompensado, disse William Lee, da organização.

CN/dpa/ap/afp/efe

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