Verdes optam por apoio a plano de Merkel para desligar usinas nucleares | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 26.06.2011
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Alemanha

Verdes optam por apoio a plano de Merkel para desligar usinas nucleares

Verdes decidiram apoiar o plano do governo alemão de desativar todas as usinas nucleares até 2022. Em congresso extraordinário do partido, maioria votou pelo sim, embora muitos delegados prefiram desligamento até 2017.

Mais de 800 delegados compareceram a congresso

Mais de 800 delegados compareceram a congresso

Com alguns votos contrários, algumas abstenções e muitas objeções, a maioria dos quase 800 delegados do Partido Verde aprovou o plano de desligamento das usinas nucleares na Alemanha proposto pela chanceler alemã Angela Merkel. Originalmente, o partido defendia o desligamento de todas as centrais nucleares já em 2017.

A lei será votada no Parlamento alemão na quinta-feira, e a decisão dos Verdes não influi no resultado, já que uma maioria parlamentar para aprovação da medida já está assegurada. Atualmente, oito das 17 usinas nucleares do país estão desativadas e não voltarão a funcionar. Os nove reatores restantes serão desativados gradualmente até 2022.

No encerramento do congresso especial do partido neste sábado, os Verdes afirmaram, entretanto, que vão "continuar trabalhando com todas as forças para que a última usina nuclear seja desligada da rede o mais rápido possível, inclusive claramente antes de 2022." Os Verdes também reivindicam que a desistência do uso de energia nuclear seja escrita na Constituição alemã, para que se torne irrevogável.

O governo de coalizão de Merkel havia originalmente votado em 2010 pelo prolongamento da vida das 17 usinas nucleares da Alemanha até 2040. Mas depois o desastre de Fukushima, em março deste ano, obrigou o governo a rever sua posição.

Controvérsias internas


Líderes verdes Claudia Roth e Cem Özdemir

Líderes verdes Claudia Roth e Cem Özdemir

Enquanto a maioria dos delegados do Partido Verde comemorou a decisão de Merkel de mudar a política energética, alguns membros mais ligados a movimentos antinucleares e a organizações ambientalistas desejam um "não" do partido ao plano do governo. Mas ao final da reunião, prevaleceu a coerência.

"Depois de décadas de luta, conseguimos uma vitória real", disse a presidente dos Verdes, Claudia Roth. O líder da bancada do partido no Parlamento, Jürgen Trittin, vê o "sim" do seu partido como uma vitória definitiva. "Este é um dia histórico. Não há mais nenhum partido pró-energia nuclear na Alemanha".

Algumas reivindicações centrais dos Verdes, no entanto, não farão parte da lei que será votada na quinta-feira. Entre elas, estão o fechamento do depósito de resíduos nucleares de Gorleben e a elevação dos padrões de segurança para usinas nucleares.

Reações da oposição

O secretário-geral da União Democrata Cristã (CDU), Hermann Gröhe, celebrou a decisão dos Verdes, mas se manteve cético. "É claro que fiquei contente com a decisão, mas uma andorinha só não faz verão", disse. Gröhe argumenta que o partido ambientalista ainda terá que mostrar se está a "assumir responsabilidades" ou se "continuará a incentivar protestos", negando seu aval a "medidas pouco populares, como construção de novas redes elétricas ou de usinas de gás mais eficientes", necessárias de agora em diante, segundo o conservador.

O deputado social-democrata Thomas Oppermann também comemorou a decisão. "Foi uma prova de fogo para a capacidade de governar dos Verdes. O resultado é um bom sinal para um trabalho de cooperação entre verdes e social-democratas a partir de 2013", disse.

O líder do partido A Esquerda, Gregor Gysi, criticou o voto dos Verdes. "Tecnicamente falando, seria possível desativar as centrais nucleares já em 2014 ou em 2017, como os Verdes queriam. Mas como eles concordaram em votar a favor do desligamento em 2022, só para mostrar que podem se coligar com os conservadores, acabam tolerando vários anos nos quais a população continua sob o risco desnecessário de um desastre nuclear como o de Fukushima", lamentou.

FF/dpa/afp/rtr
Revisão: Marcio Damasceno

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