1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Eleição na Alemanha

Verdes acertam ponteiros para oposição

Renate Künast, ministra da atual coalizão de governo, assume ao lado de Fritz Kuhn liderança da bancada verde no Parlamento. Partido se prepara para se tornar oposição e dá primeiros passos na era pós-Joschka Fischer.

default

Fritz Kuhn e Renate Künast: liderança verde

Enquanto tudo indica que a Alemanha será governada por uma coalizão dos "grandes" SPD e CDU, tanto verdes quanto liberais, cogitados em grande estilo para a formação das mais diversas (e disparatadas) alianças, parecem seguir cada vez mais em direção aos bancos de oposição no Bundestag.

Os verdes, obrigados a se reorganizar depois da despedida inesperada do atual ministro do Exterior, Joschka Fischer, se viram às voltas com a escolha de um nome que pudesse, ou pelo menos tentasse, ocupar o lugar deixado pelo darling do partido.

K e K: dupla harmônica

Verbraucherministerin Renate Künast

Renate Künast

A decisão foi tomada nesta terça-feira (27/09) e os escolhidos são a atual ministra da Agricultura e Defesa do Consumidor, Renate Künast, e um dos fundadores do partido, Fritz Kuhn.

A dupla – K & K (de Künast e Kuhn) – é considerada harmônica e tradicionalmente conhecida nos meandros da facção. Tanto que Kuhn, no primeiro turno da escolha interna, não quis se candidatar na condição de adversário de Künast. Tendo aceitado a concorrência ao posto apenas depois que o nome da ministra já estava acertado como uma das lideranças.

Kuhn, embora tenha sido um dos fundadores dos Verdes (depois de ter se desligado, no final dos anos 70, do Partido Social Democrata, em sinal de protesto contra a política nuclear do então chanceler federal Helmut Schmidt), consegue hoje abrir alas dentro do partido graças à recente saída triunfal de Fischer.

Concorrência na oposição

A questão que ronda o partido e é debatida pela mídia alemã, no entanto, é se a nova liderança será capaz de preencher o vácuo deixado por Fischer no cenário político alemão.

Bildergalerie Wahl05 FDP Parteitag

Guido Westerwelle (esq.) e Wolfgang Gerhardt (dir.)

Além da árdua tarefa de ter que enfrentar a "concorrência" entre os outros opositores de plantão, como o liberal Guido Westerwelle e os esquerdistas Oskar Lafontaine e Gregor Gysi. Todos conhecidos pelo domínio exemplar das artimanhas da retórica política.

No "dia dos pequenos" que foi esta terça-feira, o Partido Liberal (FDP) também confirmou o nome do atual líder da bancada, Wolfgang Gerhardt, para o posto. No entanto, apenas até abril do próximo ano, quando Westerwelle, presidente do partido, deverá assumir a liderança liberal no Parlamento. A facção, como os verdes, se prepara para a oposição.

Agricultores e rollerblades

Mas se o verde Fischer era capaz de arrastar com freqüência duas mil pessoas em suas aparições em público, a presença de Künast não costuma mover mais de algumas centenas. A advogada de 49 anos, de cabelos espetados e adepta convicta de rollerblades, entrou para os quadros do partido na capital alemã, tendo participado da primeira coalizão social-democrata-verde no governo de Berlim, em 1989.

Em 2001, com os verdes já no poder, Künast assumiu a pasta da Agricultura e Defesa do Consumidor. "Logo ela, que encarnava o protótipo de uma mulher urbana, bem-sucedida profissionalmente e autônoma, viria a se transformar na ministra da Agricultura. Atuar politicamente ela havia aprendido nos anos 70, quando morava numa república em Berlim", recapitula o diário Der Tagesspiegel.

Novos ritmos

Joschka Fischer, ao se despedir da "primeira fileira" do partido, afirmou ter sido ele um dos "últimos roqueiros" da política alemã. Depois, teriam aparecido apenas "políticos de playback".

Joschka Fischer spaziert durch das Watt

Joschka Fischer: longe dos centros do poder

O que talvez não deva ser esquecido, lembra o Der Tagesspiegel, é que "a música do presente é medida de outra forma, ou seja, pelos beats por minuto. Não tendo, assim, nada de aconchegante. As batidas de Künast, no caso, são de qualquer forma bem fortes", conclui o jornal.

É possível que os verdes estejam realmente a caminho da era dos remixes. Num cenário político alemão que, no momento, parece não suportar outra coisa que não a mistura de ritmos e tonalidades. Mesmo que os resultados, à primeira vista, pareçam um tanto quanto estranhos.

Leia mais