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Alemanha

Verões quentes e geleiras derretidas

O calor que assola a Europa pode ser sintoma de uma catástrofe climática. Enquanto as águas do Mar do Norte registram as temperaturas mais quentes dos últimos 130 anos, as geleiras austríacas podem vir a desaparecer.

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Altas temperaturas: população satisfeita, especialistas preocupados

Para o turista despreocupado, as temperaturas recordes das águas – de até 28 graus - na costa alemã são até bem-vindas. Para os especialistas, são motivo de dor de cabeça. A pergunta paira no ar morno: isso é normal? “Acho que não”, responde o oceanógrafo Gerd Becker, de Hamburgo. “As mudanças climáticas tornam-se agora simplesmente visíveis. Até mesmo as águas profundas no Mar Báltico registram, no momento, quatro graus acima dos níveis convencionais. Também no Mar do Norte, detecta-se um a dois graus a mais, comparando-se aos últimos anos. Isso mostra que há uma enorme quantidade de calor armazenado”, completa Becker.

Emissões de gases - Há mais de dois anos, as temperaturas das águas que banham a Alemanha vêm se mostrando mais altas que as médias registradas anteriormente. O ministro alemão do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, acredita que as condições extremas do atual verão europeu “não podem ser atribuídas exclusivamente à catástrofe climática”, mas acentua que essas mudanças bruscas vêm se repetindo em conseqüência do aquecimento da terra.

O importante, segundo Trittin, é evitar que a situação venha a se agravar ainda mais. Para isso, é necessário reduzir cerca de 80% das emissões de dióxido de carbono até o ano de 2050. A curto prazo, o ministro pretende fazer com que 12,5% do consumo energético do país seja suprido, até 2012, por energias renováveis.

Problemas para o turismo - Para o metereologista Mojib Latif, do Instituto de Oceanografia de Kiel, a Alemanha terá, em 50 anos, um clima semelhante ao de Oklahoma, nos EUA. “As estações do ano passarão a ser semelhantes: os verões serão mais quentes e úmidos, com longos períodos de seca e precipitações que parecem dilúvios. Os invernos, ao contrário, serão muito mais amenos”. Latif preconiza que o turismo no sul da Europa irá sofrer sérios efeitos em função das mudanças climáticas: “Não posso imaginar que, com ondas de calor tão fortes como as que assolam agora a Itália, o país ainda poderá oferecer viagens de descanso para turistas”.

"Piscinas temperadas" - Especialistas apontam as emissões de gases como dióxido de carbono, metano e FCC como as responsáveis pela situação. A temperatura global, constatam os metereologistas, subiu 0,7 grau nos últimos cem anos, o que deverá fazer com que condições climáticas extremas assolem o planeta nos próximos tempos.

Um bom exemplo do que vem acontecendo é o Mar Mediterrâneo. Suas águas atingiram neste verão europeu o ápice de 32 graus, transformando-se em uma verdadeira “piscina temperada”, como descreveu a mídia espanhola. O normal, para a época do ano, seria uma temperatura entre os 25 e 26 graus.

Geleiras: coisa do passado? - Outro aspecto que deixa os especialistas apavorados é o que vem acontecendo com as geleiras do continente. Na Áustria, mais de seis metros de gelo derreteram-se este ano. Em meio século, é possível que toda a paisagem glacial do país venha a desaparecer.

“O recorde até agora era de uma perda de gelo de 3,2 milhões de metros cúbicos por ano. Apenas nas últimas duas semanas, já se perdeu um milhão de metros cúbicos”, alerta o pesquisador Heinz Slupetyky no diário Der Tagesspiegel. E isso acontece enquanto do outro lado dos Alpes, na bacia do rio Pó, na Itália, as usinas hidrelétricas são obrigadas a interromper seu trabalho por falta de água. Sinais de um futuro nada promissor para o planeta.

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