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Economia

Ventos da energia eólica sopram para o Brasil

Empresas alemãs prevêem esgotamento do mercado nacional de energia eólica. Futuro do setor estaria no exterior. Brasil surge como sexta mais importante alternativa.

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Alemanha está atrasada no offshore, ao contrário da Dinamarca (foto)

As perspectivas da energia eólica fora da Europa marcaram a segunda edição da feira internacional Windenergy, em Hamburgo, esta semana. As empresas alemãs do setor preparam-se para a saturação do mercado nacional e europeu nos próximos anos e buscam novas opções. O Brasil desponta como uma promessa, segundo o Instituto Alemão de Energia Eólica (Dewi).

A Alemanha tem hoje 14.609 megawatts de capacidade instalada, ou seja, 36% da mundial. Os ventos respondem por 6% de toda a eletricidade gerada no país, enquanto no restante do mundo não passa de 0,5%. Em pesquisa com empresários do setor, o Dewi (Deutsches Windenergie-Institut) apurou que o início da exploração dos recursos offshore dará novo impulso à produção eólica, caso a atual política oficial de incentivo não sofra alterações. Recentemente os ministérios da Economia e do Meio Ambiente estiveram em atrito por conta dos subsídios.

A evolução na Alemanha

O aproveitamento dos ventos marinhos está dois anos atrasado, principalmente devido a questões legais para distribuição das concessões. Os primeiros cata-ventos no mar deverão entrar em operação em 2006 ou 2007. Os empresários calculam que em 2008 a Alemanha disporá de energia eólica da ordem de 21.600 MW gerada em terra (onshore) e 1500 no mar.

A opção offshore ganhará então velocidade e até 2012 deverá pular para 6800 MW de capacidade instalada, enquanto a onshore avançará mais lentamente para 22.600 MW. Os aerogeradores no mar superarão os de terra como recurso energético no mais tardar em 2030, quando a rede offshore poderá gerar 30.500 MW contra 23.700 MW da onshore.

Mercados externos

Windpark Trandeiras

Portugal também já tem cata-ventos para geração de eletricidade

Também por conta da expectativa de uma arrancada no setor offshore, as empresas alemãs mudaram sua visão sobre os mercados do futuro na Europa. Sobretudo o interesse pelo britânico cresceu, mas também pelo francês, visto como o mais promissor. Desprezada há dois anos, a Áustria aparece agora como a terceira opção. Na direção contrária, Espanha e Itália perderam pontos e o entusiasmo com as chances de bons negócios na Polônia e Turquia, verificado há dois anos, praticamente morreu.

O Dewi estima que até 2011 o mercado de energia eólica fora da Europa crescerá de tal forma que sua capacidade instalada superará a do Velho Continente. Em 2012, deverá haver aerogeradores em todo o mundo capazes de produzir 150 mil megawatts, contra 40 mil MW de hoje.

E neste quadro os Estados Unidos e o Brasil surgem como as grandes promessas. Tanto o governo norte-americano quanto o brasileiro tomaram em 2002 a decisão política de incentivar a energia eólica. Os alemães apostam no sucesso desta fonte alternativa no Brasil, especialmente após a recente divulgação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa).

Brasil está no caminho certo

"O potencial eólico é gigantesco. Em toda a costa há bom vento e também em outros lugares", declarou Jens-Peter Molly, diretor do Dewi, à DW-WORLD. Entretanto, "o potencial comercial é em princípio pequeno, pois o Proinfa prevê um primeiro passo de apenas 1100 megawatts até o fim de 2006".

Ou seja: em dois anos, menos da metade dos 2.645 MW instalados em 2003 na Alemanha. Mesmo assim, Molly não considera pouco. "É uma grandeza interessante, tanto que muitas firmas desejam instalar estes 1100 MW."

O diretor do Dewi elogia a política do governo brasileiro. "O programa dá o passo certo para a energia eólica. Quem a deseja, infelizmente ainda precisa incentivá-la, ao menos no início. Todo o mundo precisa diversificar suas fontes energéticas. E no Brasil, quando as reservas das hidrelétricas ficam vazias, pode-se ter cortes de energia", lembra Molly, referindo-se ao racionamento de 2001.

Ele confia que o pioneirismo do Brasil na América Latina resultará num papel de liderança no continente. Os demais países sul e centro-americanos deverão seguir o Brasil mais cedo ou mais tarde, diz o diretor do Dewi.

Molly acrescenta que o país também crescerá industrialmente com isto. "Se os fabricantes quiserem vender no Brasil, acabarão se instalando no país e depois irão procurar outros mercados." A maior fabricante de aerogeradores do mundo, a alemã Enercon, já deu este passo. Sua subsidiária Wobben Windpower fica em Sorocaba.

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