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Mundo

Venezuelanos protestam contra o governo

Manifestantes exigem data para as próximas eleições e libertação de oposicionistas presos. Marchas foram convocadas da cadeia pelo ex-prefeito Leopoldo López, principal adversário do presidente Nicolás Maduro.

Atendendo à convocação feita na semana anterior pelo líder oposicionista Leopoldo López, milhares de venezuelanos foram às ruas neste sábado (30/05) em protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Vestidos de branco, os manifestantes exigem o agendamento das próximas eleições legislativas e a libertação de oposicionistas presos. As marchas contrárias ao regime socialista ocorrem na capital Caracas e em diversos pontos do país. Venezuelanos que vivem no exterior também se manifestaram, por exemplo, do Chile e da Suíça.

López, ex-prefeito da cidade de Chacao, convocou a onda de manifestações do presídio militar de Ramo Verde, no subúrbio de Caracas, onde está preso desde fevereiro de 2014. Ele é acusado de incitação à violência nos protestos daquele ano, que deixaram dezenas de mortos.

O

vídeo

foi divulgado no Twitter pela esposa de López, Lilian Tintori, que participa das manifestações em Caracas ao lado de outras mulheres de oposicionistas presos.

Desde o último sábado, López faz uma greve de fome para forçar o Conselho Nacional Eleitoral a marcar a data das eleições parlamentares, que deveriam ocorrer no fim deste ano. Nem todos os partidos de oposição participam das manifestações – a Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que reúne partidos oposicionistas na Venezuela, declarou que não daria respaldo e alertou para o risco de episódios de violência.

O governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, que perdeu as eleições para Maduro em 2013, participa da marcha em Guárico, pedindo a libertação dos presos políticos.

Os participantes divulgam imagens dos protestos nas redes sociais com as hashtags #VenezuelaUnidaPorElCambio (Venezuela unida pela mudança) e #30MVamosTodos, com críticas ao governo socialista iniciado por Hugo Chávez em 1999.

Venezuela dividida

Na sexta-feira, os ex-presidentes da Colômbia e da Bolívia, Andrés Pastrana e Jorge Quiroga, foram proibidos de visitar na prisão López e Daniel Ceballos, ex-prefeito da cidade de San Cristóbal. Ceballos também foi preso nas grandes manifestações do ano passado e recentemente foi transferido para uma das penitenciárias mais violentas da Venezuela.

Maduro faz campanha eleitoral por bairros de Caracas desde a manhã deste sábado e ainda não se pronunciou sobre as manifestações. Na sexta, ele advertiu que poderão ser presos os policiais que não evitarem episódios de violência durante os protestos.

"Há duas Venezuelas: uma ala minoritária de extrema direita golpista e com sede de sangue e uma maioria que ama o seu país”, disse.

Neste sábado, o Comitê de Vítimas da Guarimba entregou um documento à Defensoria do Povo da Venezuela pedindo que o governo continue a adotar "medidas firmes contra os responsáveis pelos protestos de 2014", que cometeram "atos terroristas e violentos."

A entidade, que reúne familiares de pessoas mortas nas manifestações antigoverno de fevereiro de 2014, quer mais rigor contra López e Ceballos. Em coletiva de imprensa, o defensor Tarek William Saab destacou que cerca de 40 pessoas morreram, entre civis e agentes de seguranças, devido a "atos criminosos."

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