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América Latina

Venezuela liberta dois líderes opositores

Justiça venezuelana concede liberdade condicional e prisão domiciliar a ex-ministro da Defesa e a ex-prefeito de San Cristóbal. Ambos realizaram greve de fome, em junho, com outro notório antichavista, Leopoldo López.

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Ex-ministro da Defesa e general aposentado Raúl Isaías Baduel: antes aliado de Hugo Chávez, hoje crítico do chavismo

O general reformado Raúl Isaías Baduel, que foi ministro da Defesa por dois anos durante o governo Hugo Chávez, se tornou na quarta-feira (13/08) o segundo líder da oposição a conseguir liberdade condicional em menos de 24 horas. Além dele, Daniel Ceballos, ex-prefeito de San Cristóbal, foi transferido ao regime de prisão domiciliar por razões médicas.

Um tribunal venezuelano concedeu a Baduel liberdade condicional depois de ele ter completado seis anos e quatro meses da pena de sete anos e 11 meses por acusações de corrupção.

"No momento, estou no Ramo Verde [prisão militar em Los Teques] para encontrá-lo", disse o advogado do ex-general, Omar Mora Tosta. "Ele recebeu a liberdade condicional." De acordo com o advogado, Baduel tinha direito ao benefício há três anos, mas sua detenção foi prolongada "artificialmente".

Baduel serviu com Chávez como cadete do Exército venezuelano em 1970, e ajudou a restaurar o então presidente ao poder após um golpe de Estado em abril de 2002. Baduel comandou o Exército entre 2004 e 2006, antes de servir como ministro da Defesa em 2006. No ano seguinte, ele rompeu com o seu amigo de longa e se tornou um forte crítico do chavismo.

Em 2009, autoridades prenderam Baduel por acusações de corrupção que, segundo ele, foram uma retaliação por ter desertado do círculo íntimo de Chávez. O ex-general, em seguida, passou a residir na mesma prisão militar onde está encarcerado o oposicionista mais notório da Venezuela, Leopoldo López.

O filho do ex-general, Raúl Emilio Baduel, foi preso em 2014 acusado de liderar os protestos contra o governo. Em março, ele foi condenado a oito anos de prisão.

Greve de fome com Leopoldo López

As inesperadas libertações de Baduel e Ceballo podem ser um sinal de maior leniência por parte do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Seu governo tem estado sob críticas dos Estados Unidos devido à prisão de cerca de 50 ativistas antigoverno.

Segundo organizações de direitos humanos, eles estão sendo alvo de acusações falsas destinadas a silenciar a dissidência. Autoridades americanas colocaram a libertação de presos políticos como condição para a normalização das relações diplomáticas entre os países.

Ex-prefeito de San Cristóbal, Ceballos é acusado de rebelião civil durante os protestos antigoverno de 2014. Em junho, ele iniciou uma

greve de fome

juntamente com Baduel e López para exigir que o governo liberte os oposicionistas e defina uma data para

eleições legislativas

.

"Este é um grande passo, mas não vamos descansar", disse sua mulher, Patricia Gutiérrez Ceballos, que também é a atual prefeita de San Cristóbal. "Exigimos a plena liberdade de Daniel Ceballos. Assim, não apenas conseguiremos a liberdade de Daniel e Leopoldo, mas a de um país inteiro."

O ex-prefeito foi transportado pelo Serviço Nacional Bolivariano de Inteligência até sua casa em Caracas para aguardar julgamento em prisão domiciliar, que lhe proíbe falar publicamente, usar redes sociais e se engajar em atividades políticas. No entanto, a imprensa conseguiu postar no Twitter uma foto de seu reencontro com a família.

Autoridades venezuelanas também libertaram outros presos políticos, mas nenhum com o poder ou carisma de Baduel, Ceballos ou do ainda encarcerado López. Em abril, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, teve prisão domiciliar concedida por razões médicas.

PV/efe/dpa/ap

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