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Mundo

Venda de petróleo pelo EIIL ameaça aumentar tensão no Oriente Médio

Grupo vende produção das áreas conquistadas para o regime de Bashar al-Assad, que ganha maior poder de fogo na luta contra rebeldes sírios. Com a receita, em contrapartida, EIIL se arma para avançar ainda mais na região.

À medida que avança, o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) contabiliza a conquista de campos de petróleo importantes da Síria, como Al-Omar e Al-Tanak. Juntamente com o campo iraquiano de Ajil, conquistado no final de junho, o grupo sunita dispõe de grandes áreas petrolíferas dos dois lados da fronteira sírio-iraquiana.

A imprensa internacional noticia que os radicais sunitas começaram no início de julho a vender petróleo do Iraque no mercado negro, já que não podem oferecê-lo no mercado regular. Segundo agências de notícias, o ministro francês do Exterior, Laurent Fabius, culpou a organização terrorista por vender petróleo ao regime do ditador sírio Bashar al-Assad.

As indicações são de que o objetivo principal do grupo seria reunir grandes somas, visando se armar para as próximas batalhas. "Os combatentes do EIIL vendem o petróleo a quem tiver interesse", afirmou à agência de notícias turca Anadolu o prefeito da cidade de Tuz Khurmatu, no norte do Iraque. "Eles precisam disso para obter armas e munição."

Essas vendas, porém, têm o potencial de aumentar o caos na região. Com o petróleo, Assad pode abastecer tanques a serem utilizados contra os grupos rebeldes. Em contrapartida, com os lucros angariados, o EIIL pode investir em seus próximos alvos de conquista na Síria e no Iraque.

Isso representa um grande risco para o regime em Damasco, pois, na luta contra os rebeldes seculares, os jihadistas são apenas um parceiro (comercial) temporário. Seu objetivo não é manter Assad no poder, mas sim ampliar a área de influência de seu recém-proclamado califado. Na Síria, ele se estende da fronteira com o Iraque até a com a Turquia, e no Iraque os terroristas continuam a expandir seu domínio em direção ao sul.

Impacto no mercado de petróleo

O campo de petróleo Al-Omar se encontra já desde novembro de 2013 nas mãos de jihadistas. Na época, ele foi conquistado pelos rebeldes da Frente Al Nusra, que o cederam então aos sunitas do EIIL. Desde então, produzem-se lá 10 mil barris de petróleo por dia.

ISIS Kämpfer Militärparade in Syrien 30.06.2014

Combatente do EIIL em desfile militar realizado em Raqqa, Síria

As mais recentes conquistas não só estimulam a violência, como também geram insegurança no mercado internacional de petróleo. Ainda em maio, a Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que o Iraque se tornaria um dos maiores exportadores de óleo. Até 2035, a agência avaliava uma produção anual iraquiana de 9 milhões de barris – portanto quase três vezes a atual, de 3,3 milhões de barris. Com isso, o país superaria a importância da Arábia Saudita como exportadora de petróleo. A marcha vitoriosa do EIIL, porém, frustrou essas expectativas.

No momento, os combatentes sunitas ainda se beneficiam das elevadas receitas do petróleo. Porém poucas empresas exploradoras estariam dispostas a investir num Iraque sob o domínio do Estado Islâmico. Em artigo publicado no Wall Street Journal, os cientistas políticos americanos Gal Luft e Robert McFarlane apontam que, devido ao conflito na região, somente 15% dos investimentos são direcionados para novos campos de petróleo no Oriente Médio.

"Caso o Iraque se afunde ainda mais numa guerra civil, os investimentos vão continuar a diminuir e conduzir a mais cortes de produção", preveem Luft e McFarlane. Atualmente, os grandes campos de petróleo no sul do Iraque – portanto em território xiita – ainda não estão sob risco agudo. Mesmo assim, o avanço do EIIL pode provocar novas alterações no mercado internacional de petróleo.

Vantagens de curto prazo

De acordo com o cientista político Paul Stevens, do think tank britânico Chatham House, a luta contra o EIIL só poderia ter sucesso se o Irã também se envolver. E é certo que Teerã tem grande interesse em impedir o nascimento de um califado radical sunita em sua fronteira noroeste. Ainda assim, pode estar esperando da comunidade internacional algum tipo de recompensa por seu engajamento.

Bildergalerie Irak Regionalkonflikt schiitische Freiwillige 26.06.2014

Voluntários xiitas se organizam para combater o EIIL

Stevens avalia que o encaminhamento da situação no Iraque leva a ver como inevitável o fechamento de um acordo, o qual também poderia incluir a suspensão das sanções que pesam presentemente sobre o país asiático. "Isso colocaria o Irã em posição de abrir suas instalações de extração e produção aos investimentos urgentemente necessários."

A nova dedicação ao Irã, porém, poderá afastar os sauditas, atuais parceiros do Ocidente. Caso o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki continue no poder e se oponha ao EIIL – também graças à ajuda iraniana –, a Arábia Saudita, maior potência dos muçulmanos sunitas, terá que se preparar para uma forte presença xiita em sua fronteira. Na falta de argumentos políticos dissuasivos, o país tem a possibilidade de baixar os preços do petróleo, o que prejudicaria o Iraque e o Irã, que dependem de lucros imediatos.

Assim, enquanto o Estado Islâmico do Iraque e do Levante espalha o medo e terror no Oriente Médio, os beneficiados podem ser os compradores no mercado internacional de petróleo – pelo menos por um breve prazo.

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