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Economia

Venda de armas, bom negócio para Alemanha

Fim de negócio com Coréia do Sul reduz soma das exportações de armas, mas vendas aumentaram para outras regiões, segundo Igrejas Católica e Luterana. Brasil comprou 24 milhões de euros em armamentos da Alemanha em 2002.

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Armamentos, comércio pouco transparente

A Alemanha exportou armamentos em 2002 no valor de 3,2 bilhões de euros, ou seja, 440 milhões ou quase 12% a menos que no ano anterior, segundo relatório da Conferência Unificada Igreja e Desenvolvimento (GKKE), que reúne representantes católicos e protestantes. Desde 1997, a GKKE divulga anualmente um balanço das exportações alemãs de armas, em comparação com a política de ajuda ao desenvolvimento.

A retração nas vendas ao exterior pode ser atribuída sobretudo à redução de quase 850 milhões de euros nos negócios com a Coréia do Sul, que em 2001 havia importado peças de submarinos de alto valor. Portanto, para os demais países em geral houve aumento nas exportações, principalmente para a Índia. De acordo com a GKKE, a Alemanha caiu para o segundo maior fornecedor europeu de armas, atrás da França, e figura entre os cinco maiores do mundo, com uma fatia de mercado de 4,5%.

Fora da Europa e da América do Norte, os principais compradores de armamentos alemães em 2002 foram Israel, Índia, Cingapura, Coréia do Sul, Emirados Árabes e Arábia Saudita. O Brasil veio em seguida, com 24 milhões de euros, quase a metade dos 56 milhões exportados para a América do Sul, que aumentou suas compras da Alemanha em 21 milhões. A Conferência Unificada critica que as exportações para países em desenvolvimento ainda representem 25% do total de licenças para venda de armas emitidas pelo governo alemão.

Jogo duplo em Berlim – A GKKE acusa a coalizão social-democrata e verde de fazer jogo duplo. Berlim prega a paz como o melhor instrumento para o desenvolvimento, mas o volume de venda de armas para regiões em conflitos (Oriente Médio e Índia) contradiz o discurso, advertem as Igrejas Católica e Luterana.

Spürpanzer Fuchs in Kuwait

Sauditas estão interessados na compra de blindados Fuchs

O relatório ataca a possibilidade de a Alemanha exportar blindados Fuchs para a Arábia Saudita e, principalmente, as declarações do chanceler federal Gerhard Schröder na China, a favor da suspensão do embargo de armas da União Européia ao país oriental, assim como pela exportação de uma fábrica de plutônio. Além disso, a GKKE reivindica ainda o fim da garantia estatal (seguro Hermes) às exportações de armas.

A ministra da Cooperação Econômica e Desenvolvimento rechaçou as críticas da organização religiosa. Heidemarie Wieczorek-Zeul disse que a avaliação das Igrejas está equivocada. As exportações de armamentos para o Terceiro Mundo teriam caído 45% em 2002, sendo que as de armas de guerra para os países mais pobres estariam interrompidas.

Armas pequenas – Preocupante é também o comércio de armas pequenas, consideradas pela Conferência Unificada Igreja e Desenvolvimento como "as armas de extermínio em massa do século 21". Coordenador da comissão de exportação de armas da GKKE, Bernhard Moltmann aponta o Iraque como possível fonte de expansão delas no Oriente Médio. A comemoração da captura de Saddam Hussein com tiros para o alto pela população mostra a quantidade existente deste tipo de armas.

Moltmann até elogiou o empenho de Berlim na União Européia e nas Nações Unidas para o desarmamento, desmobilização e destruição de armas pequenas no cenário internacional. Entretanto, ele afirma que internamente pouco foi feito neste sentido na Alemanha. A legislação nacional sobre armas seria obsoleta e só sofre mudanças quando ocorre alguma tragédia, como o massacre de estudantes em Erfurt em 2002.

Apoio à proposta de Lula – Em seu relatório, a GKKE lembra e ressalta a proposta do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ao G-8, em junho, em Evian, de se criar um imposto sobre o comércio de armas. Calcula-se que se fixado em 1% o imposto poderia gerar mais de 300 milhões de dólares ao ano. Os recursos iriam para um fundo internacional de combate à fome. No entanto, a sugestão teria merecido pouca atenção da imprensa, da opinião pública e dos líderes dos países industrializados, responsáveis por 85% dos negócios armamentistas. Somente o presidente francês Jacques Chirac teria assumido o compromisso de examinar a aplicabilidade da proposta.

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