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Mundo

Varoufakis: um contra todos

Raramente Bruxelas se mostrou tão unida quanto perante o economista grego. Popular em seu país, ele deixa cargo de ministro apesar da desejada vitória do "não", numa despedida tão polêmica como sua trajetória no governo.

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Varoufakis chega de moto para reunião do governo em Atenas: estilo despojado é uma de suas marcas

Yanis Varoufakis sempre procurou os holofotes. E muitas vezes o tiro saiu pela culatra. O ex-ministro grego das Finanças, que renunciou nesta segunda-feira (06/07), definiu o programa de resgate da União Europeia (UE) como "afogamento simulado fiscal", ou seja, como um método de tortura. Ele acusou a Alemanha de propagar uma onda de medo pela Europa. A UE, disse ele na televisão italiana, estaria se tornando pior do que a União Soviética.

O auge da confrontação foi atingido com uma postagem no Twitter em abril. Após uma reunião informal dos ministros das Finanças da zona do euro em Riga, Varoufakis citou uma frase do ex-presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt: "Eles são unânimes no seu ódio em relação a mim; e eu dou as boas-vindas a esse ódio."

Quando Roosevelt disse isso no Madison Square Garden, em Nova York, era tempo de campanha eleitoral nos EUA, e o foco era a política interna. Mas quando Varoufakis repetiu o discurso, estava claro que se dirigia aos outros 18 ministros das Finanças da zona do euro.

Em um ponto é preciso dar razão a Varoufakis: raramente Bruxelas se mostrou tão unida quanto na questão da crise grega. Quando ele se encontrava com os outros ministros europeus, a divisão era visível: era ele contra o resto.

O ex-ministro grego estava isolado. Na reunião em Riga, ele sentiu que os colegas estavam impacientes. A principal crítica era que Atenas ainda não havia apresentado a prometida lista de propostas de reformas e cortes. O chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, acusou o governo grego de ser o responsável pelo tempo perdido até então nas negociações.

Yanis Varoufakis tritt zurück (Symbolbild)

Varoufakis sempre procurou os holofotes e raramente evitava confrontos com a UE

Então Varoufakis não apareceu para o jantar. Segundo informações de seu círculo de confiança, por "considerar tais eventos monótonos". A ruptura definitiva com o Eurogrupo se deu no dia 25 de junho, quando o então ministro das Finanças grego e o coordenador das negociações com os credores, Euclid Tsakalotos, deixaram juntos uma sessão conturbada em Bruxelas.

Foi uma das muitas cúpulas extraordinárias nas quais o Eurogrupo emitiu uma declaração conjunta. Dessa vez, eles rejeitaram por unanimidade o pedido de Atenas de que o programa de ajuda internacional fosse estendido mais uma vez. A seguir, vieram reações em parte bastante emocionais dos ministros das Finanças, cujo teor era: "Não aguentamos mais."

Perda de confiança

Varoufakis – que, depois de seus estudos em matemática e estatística, fez doutorado em ciências econômicas na Universidade de Essex – já tinha contatos na política antes de assumir o cargo de ministro. Ele foi conselheiro do ex-líder da oposição social-democrata Giorgios Papandreou, que, antes mesmo de ser eleito primeiro-ministro, em 2009, já havia tido desavenças com Varoufakis.

Quando as dificuldades econômicas da Grécia ficaram aparentes, há cinco anos, Varoufakis observou o gerenciamento de crise como professor universitário na Austrália, no Reino Unido e nos EUA. Em seu livro O Minotauro Global, ele pede um debate fundamental em vez de ações de resgate apressadas.

De início, Varoufakis foi ovacionado em sua terra natal como uma estrela da política, mas essa estrela se apagou nas últimas semanas, apesar do resultado no referendo deste domingo – o "não" às exigências dos credores que o ministro das Finanças tanto desejava.

Uma série de fotos sobre sua vida pessoal recentemente publicada na revista semanal francesa Paris Match lhe rendeu zombaria. As imagens mostravam a luxuosa vida do tesoureiro do falido Estado grego, que pouco antes havia pedido ao povo que levasse "uma vida simples".

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