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Mundo

Varoufakis é recebido como estrela em Berlim

Acostumado a ouvir críticas de colegas e da imprensa europeia, ministro grego ganha aplausos do público berlinense. Ele fala em harmonia e diz aguardar "discurso de esperança" de Merkel.

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Yanis Varoufakis em Berlim

O ministro grego das Finanças, Yannis Varoufakis, é o enfant terrible da política europeia: antipatizado por seus colegas de pasta, ridicularizado e até mesmo difamado pelas mídias. Mas, nesta segunda-feira (08/06), ele foi a estrela da noite na capital alemã. Centenas de berlinenses prestigiaram a apresentação do eloquente professor de economia na Catedral Francesa da praça Gendarmenmarkt.

Uma longa fila se formou na entrada. Alguns manifestantes seguravam cartazes e faixas com dizeres de solidariedade para com os gregos. No interior do edifício, o ministro – que há semanas atrai para si a ira dos políticos europeus e das instituições credoras da Grécia – foi recebido com música grega e muitos aplausos.

"Vim para criar pontes", afirmou Varoufakis. Ele disse que quer trazer a harmonia diante das recorrentes tentativas de incitação às brigas e à discordância entre os povos. De acordo com o ministro, gregos e alemães, por exemplo, teriam superado suas diferenças depois da Segunda Guerra e se aproximado entre si. Foi a crise da dívida que instalou um abismo entre os dois povos, e a moeda comum europeia motiva um afastamento cada vez maior.

"Nós europeus criamos um sistema defeituoso do euro"

O ministro afirmou que a culpa pelo superendividamento de seu país não seria nem só dos gregos nem das potências econômicas europeias. Com seu poder econômico forte e salários baixos, a Alemanha, por exemplo, acumulou imensos superávits comerciais – à custa de países periféricos, que se endividaram cada vez mais, comentou.

Para ele, o sistema da moeda comum foi falho desde o início e, por esse motivo, a crise foi inevitável. "É inútil falarmos sobre a dívida usando categorias morais ", sublinhou. "Nós europeus criamos juntos esse sistema e temos que corrigi-lo em conjunto."

Segundo Varoufakis, três governos sucessivos em Atenas em cinco anos confundiram tanto os alemães quanto os gregos. Esses governos fingiram ser capazes de conter a falência estatal da Grécia por meio de novos empréstimos e do empobrecimento da população. Mas isso não funcionou nem pode funcionar: um país que não gera crescimento não pode reembolsar suas dívidas, afirmou.

Griechenland Athen Armut

"Estou com fome", diz cartaz de pedinte em calçada de Atenas

Crescente pobreza na Grécia

De acordo com o político, dezenas de milhares de gregos perderam seu trabalho, suas casas e suas aposentadorias. As leis trabalhistas foram eliminadas. A consequência é que, há seis meses, 500 mil trabalham sem pagamento: "Isto é pior do que escravidão."

Por esse motivo, seu governo propôs às instituições credoras elaborar leis trabalhistas modernas e reformar o sistema de aposentadoria, para que os fundos sociais recebam mais dinheiro e o sistema se torne sustentável.

Ambas as propostas foram rejeitadas, disse. Em vez disso, os credores passaram a exigir novos cortes nas aposentadorias, que já haviam sido reduzidas em 40%, como também um novo aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) da conta de eletricidade, de 13% para 23%. No entanto, tais reformas não vão salvar a economia grega: "Se vocês continuarem a pressionar nossa população e a jogá-la na miséria, nunca seremos reformáveis", advertiu.

"Discurso de esperança" para os gregos

O ministro grego das Finanças recordou a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, quando os Aliados começaram a desmantelar a indústria do país derrotado, para transformá-lo numa nação agrária.

Ele explicou que somente com o "discurso da esperança", proferido em 1946, em Stuttgart, pelo então secretário de Estado americano, James F. Byrnes, teve início uma virada e foram criadas as bases para o Plano Marshall e o "milagre econômico" alemão. Em Berlim, o político disse desejar da chanceler federal alemã, Angela Merkel, um discurso semelhante, que dê novamente ao seu povo a esperança de um futuro melhor.

Yannis Varoufakis encerrou seu discurso com uma recordação pessoal de infância e uma homenagem à Deutsche Welle. Ele disse lembrar-se bem de como seus pais escutavam a programação em grego transmitida em ondas curtas pela emissora alemã para o exterior, durante a ditadura militar na Grécia de 1969 a 1975.

"A Deutsche Welle era nosso aliado contra a repressão", afirmou Varoufakis. Noite após noite, a emissora trazia uma lufada de ar fresco proveniente da Alemanha, que se manteve firme no apoio à democracia grega. "Para mim, a Alemanha era uma fonte de esperança."

Na Catedral Francesa em Berlim, Varoufakis deparou-se com um público aberto, que o escutou com interesse. Por outro lado, na política alemã e europeia, ele continua a ser visto com ceticismo, furor e desconfiança. E na crise da dívida não há nenhuma solução à vista.

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