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Ciência e Saúde

Variantes do HIV com graus diferentes de contágio podem ajudar no combate à aids

Vírus mutantes da aids são menos perigosos que os originais, revela estudo americano. A descoberta abre novas perspectivas de luta contra a aids, na forma de vacinas que forcem à mutação. Mulheres seguem mais expostas.

As barreiras que o HIV enfrenta durante uma relação sexual são consideráveis. Para provocar uma infecção que tome o organismo inteiro, o vírus precisa vencer a barreira da mucosa nos órgãos sexuais e entrar na corrente sanguínea, para então se multiplicar no corpo. E isso, aparentemente, só poucos conseguem, segundo sugere um estudo conduzido pela equipe liderada por Eric Hunter, no Centro Emory Vaccine, em Atlanta, Estados Unidos.

De acordo com a pesquisa, apenas uma variante – a "mais apta", segundo o conceito de Charles Darwin – é capaz de infectar outros seres humanos. As demais até atacam algumas células nas mucosas, mas não se espalham pelo corpo e, sendo assim, não provocam a infecção de HIV propriamente dita.

Os resultados do estudo explicam por que apenas em cerca de 1% dos casos ocorre infecção através de um parceiro sexual soropositivo. O uso de seringas compartilhadas, por outro lado, lança o vírus direto na corrente sanguínea, o qual, dessa forma, tem menos barreiras a ultrapassar.

Ainda assim, cabe repetir um velho, porém importante aviso: sexo desprotegido é sempre uma má ideia.

Bildergalerie Geschichte von HIV/AIDS

Vírus da aids sob o micrscópio eletrônico

Quando mais recente, mais contagioso

"O vírus HIV sofre mutações como um louco", revelou, em entrevista à Deutsche Welle, Jonathan Carlson, pesquisador da Microsoft Research em Redmond, Washington, e um dos autores do estudo. Por isso, um paciente soropositivo traz, dentro de si, numerosas variantes do vírus. Através da mutação constante de seu material genético e, portanto, de sua forma externa, o vírus consegue repetidamente escapar do sistema imunológico humano.

As variantes que sofreram mutações, porém, são menos adequadas à transmissão. O estudo indica que as mais aptas, no sentido darwiniano, são as que geneticamente menos se afastam do HIV original, estando mais próximas da média – ou seja, se assemelham a um número maior de vírus. Essa sequência genética "melhor" para a transmissão é também a que ocorre com maior frequência. "A média não é média à toa", resume Carlson.

Contudo, isso também significa que "alguém que acabou de se infectar, tem um risco de dez a 20 vezes maior de contaminar seu parceiro sexual do que pacientes crônicos, que já carregam o vírus consigo há tempos", explica o chefe da pesquisa, Eric Hunter. Se alguém está infectado pelo HIV há muitos anos, um grande número de vírus mutantes circula por seu organismo, pois o vírus já vem tentando escapar do sistema imunológico há muito tempo.

Em contrapartida, alguém que tenha recentemente contraído o vírus HIV, ainda tem em seu sangue as variantes mais contagiosas do vírus. Isso é problemático, já que, logo no início de uma infecção, os portadores dificilmente sabem que são soropositivos.

Mas tudo isso, obviamente, não passa de estatísticas, ressalva o pesquisador, são valores médios baseados em probabilidades. Para casos específicos, é impossível traçar previsões. Um único ato de sexo desprotegido pode ter sido demais – independentemente de quem é o parceiro.

Aids-Aufklärung in Südafrika

Uso de preservativos continua sendo essencial para segurança

Mulheres se infectam com mais facilidade

Ao longo de dez anos, os pesquisadores observaram na Zâmbia casais em que apenas um dos parceiros era soropositivo. Apesar de toda a conscientização sobre como evitar o contágio, 137 pessoas se infectaram ao longo do estudo. Nesses casos, os pesquisadores compararam a variante transmitida com o vírus original.

Com isso, ficou confirmado outro fato conhecido: mulheres estão mais propensas a contraírem o vírus em relações sexuais desprotegidas do que homens. "Nós interpretamos os resultados da seguinte maneira: é mais difícil para o vírus ultrapassar a mucosa masculina do que a feminina", observa Hunter. Porém se o homem possui inflamações na área genital, que enfraquecem a barreira da mucosa, ele também contrai o vírus com mais facilidade.

Além disso, as mulheres se contaminam com os vírus mutantes com mais frequência do que os homens, pois também os agentes mais fracos conseguem entrar em sua corrente sanguínea. Por outro lado, isso implica que, quando um homens é contagiado, será por uma variante muito mais perigosa, que desencadeará uma moléstia mais grave.

Ponto de partida para as vacinas?

Os cientistas esperam que os resultados da pesquisa ajudem no combate ao HIV e à aids. "Uma constatação-chave do nosso estudo é que pacientes infectados com vírus mutantes – portanto, mais fracos – oferecem menor risco de transmitir o vírus para outros", conclui Carlson.

Se for descoberta uma vacina ou medicamento que enfraqueça os vírus, diminuindo a probabilidade de serem transmitidos através de relações sexuais, seria possível conter a proliferação do HIV. Vacinas poderiam, por exemplo, estimular o sistema imunológico de tal forma a obrigar o vírus a passar por uma mutações intensas. Esse método não significaria a cura para o soropositivo, mas talvez poderia impedir que ele contamine outras pessoas.

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