Vandalismo custa 50 milhões de euros por ano à ferrovia alemã | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 31.07.2009
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Alemanha

Vandalismo custa 50 milhões de euros por ano à ferrovia alemã

Em um ano, a companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn registrou 46 mil atos de vandalismo. Infratores estão sujeitos a multas que podem superar os 10 mil euros.

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Interior de um trem em Berlim

De um lado, a Deutsche Bahn (DB) tem motivos para se orgulhar: a empresa alemã de transportes e logística espantou a crise mundial com um lucro operacional de quase 2,5 bilhões de euros em 2008, empregando 240 mil pessoas e movimentando uma média de 32.400 mil trens por dia. Por suas mais de 5.700 estações de trem, passaram cerca de 1,9 bilhão de passageiros.

De outro, números contabilizados no mesmo ano apontam para um triste balanço: segundo a DB, cerca de 46 mil atos de vandalismo custaram à companhia 50 milhões de euros.

Entre as principais ações delinquentes estão os riscos e cortes feitos em poltronas, paredes e janelas dos trens, além da pichação ou pintura ilegal em trens, estações, pontes e muros. Em 2008, quase metade das ocorrências estiveram relacionadas a essas pinturas.

Custos elevados de remoção

Vandalismusschäden bei der Bahn

Funcionário exibe janela trincada

A remoção das pichações é cara e especialmente trabalhosa. Além de requerer a transferência dos trens para áreas especiais, exige também mão-de-obra especializada, produtos de limpeza específicos e muito tempo de trabalho.

De acordo com a assessoria de imprensa da DB, é necessário um dia inteiro para que dois ou três profissionais possam remover as imagens e os rabiscos de um único trem. Além disso, os danos que os produtos removedores causam à lataria podem tornar necessária uma nova pintura dos vagões. Segundo a companhia, a pintura de um vagão leva cerca de sete dias para ser feita e custa aproximadamente 15 mil euros.

As pichações feitas nas paredes das estações também geram grandes transtornos à empresa. Uma nova demão de tinta resolve o problema em alguns casos, mas o vandalismo em construções históricas requer comumente cuidados especiais. Em paredes de arenito, por exemplo, a penetração do spray nos tijolos requer, mais uma vez, a aplicação de produtos específicos de limpeza.

Vigilância

Sem poder contar apenas com a eficácia das campanhas de conscientização dos jovens, a DB dispõe de uma estrutura de segurança com iluminação, câmeras e agentes de vigilância em vários pontos da rede ferroviária. "Para isso, investimos anualmente um valor milionário de dois dígitos", assegura o diretor de segurança da Deutsche Bahn, Jens Puls.

Para aplicar tanto dinheiro da melhor forma possível, o departamento de segurança da empresa conta com as informações que funcionários e clientes dão sobre os atos de vandalismo que presenciam.

Perseguição acirrada

A polícia incentiva as testemunhas disponibilizando um disque-denúncia 24 horas por dia. "Não precisamos de heróis, mas de pessoas que diferenciem o certo do errado e que defendam esses valores", defende o presidente da Polícia Federal alemã em Berlim, Klaus Kandt.

Graças às pistas fornecidas pelos denunciantes e aos esforços da polícia de Berlim, os danos causados por atos de vandalismo à DB na capital foram menores em 2008 do que no ano anterior. Apesar de ainda totalizarem 6,8 milhões de euros, houve uma queda de 700 mil euros.

"Os números mostram que a perseguição aos criminosos é o caminho certo e essa política vai continuar sendo seguida", afirmou o oficial.

Indenizações

Bahn-Kampagne gegen Vandalismus

Interior de um trem danificado em Frankfurt

Se forem pegos, os jovens infratores podem ter problemas variados com a empresa e com o Estado, dependendo dos antecedentes criminais e da magnitude dos danos materiais que tiverem causado. De acordo com a polícia alemã, a sentença dada pelo juiz de menores pode ir desde o pagamento de multas até dois anos de prisão.

Puls lembra que a DB instaura um inquérito para cada caso de vandalismo, exigindo indenizações que variam de acordo com uma tabela. Uma pichação dentro do trem ou numa estação custa, por exemplo, entre 180 e 1.400 euros. Uma janela riscada, 1.300 euros. A multa mais cara é para os autores de pinturas ilegais na parede externa de um vagão: 10.400 euros.

Mesmo que não tenham condições de pagar pelos seus atos, os jovens infratores podem ser cobrados pela DB durante 30 anos. Legalmente, a companhia tem inclusive o direito de penhorar os bens dos vândalos para garantir o pagamento das multas cabíveis – um detalhe ignorado por muitos dos jovens que se aventuram para deixar uma marca registrada nas janelas e paredes de prédios e locomotivas.

Campanha de prevenção

A DB e a polícia alemã também cooperam em várias iniciativas destinadas à orientação de adolescentes. Uma delas é a campanha Fair und sicher unterwegs (Viajando de forma correta e segura), lançada em Berlim no final de junho último.

A campanha é dirigida a jovens com idades entre 10 e 15 anos e aborda quatro temas centrais: comportamento de passageiros em trens e estações, prevenção de acidentes, vandalismo e violência.

Além de palestras ministradas em escolas de todo o país, a campanha conta, pela primeira vez neste ano, com uma visita guiada a um trem com cinco vagões adaptados para aulas multimídia. Em cerca de 120 minutos, os alunos da 5ª à 9ª série recebem instruções da polícia e da DB e participam de atividades interativas enquanto o trem se movimenta.

Até o fim de 2009, o trem passará por Berlim, Rostock, Hamburgo, Frankfurt, Stuttgart, Munique, Nurembergue, Leipzig, Magdeburg, Hannover, Dortmund, Essen e Düsseldorf. Em cada uma das cidades, o trem também abre suas portas ao público durante um dia inteiro.

Além do vandalismo, a campanha tem outro foco importante: a segurança nas estações e plataformas de trem. Apenas em 2008, 40 jovens perderam a vida nas instalações da rede ferroviária.

Segundo a própria empresa e a polícia alemã, a maioria das jovens vítimas subestima os perigos que as instalações elétricas de até 15 mil volts e a alta velocidade dos trens representam.

Autor: Elton Hubner
Revisão: Alexandre Schossler

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