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Cultura

Vítimas e algozes: terrorismo no cinema

Se a história e a herança da Fração do Exército Vermelho (RAF) alimentaram por décadas o cinema alemão, episódios que remetem a outros tipos de terrorismo voltam sempre às telas em todo o mundo.

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World Trade Center: breve nas telas

A cinematografia alemã conhece bem o assunto. Desde os anos 70 até hoje são vários os filmes que recorrem a terroristas, suas vítimas e até seus descendentes para construir suas narrativas.

Na Itália, o terrorismo de esquerda dos anos 70 também já foi trabalhado nas telas do cinema, como por exemplo em Bom dia, noite, de Marco Bellocchio. Na América Latina, inclusive no Brasil, seqüestradores sob regimes ditatoriais também já serviram de inspiração para os mais diversos roteiros.

Perspectiva norte-americana

Galerie Berlinale 2004 Oliver Stone

Oliver Stone

A história recente, com os ataques ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001, que vinha sendo mantida de lado pelos grandes estúdios da indústria cinematográfica, deve chegar às telas no próximo ano sob a direção de Oliver Stone.

Anunciado pela Paramount à imprensa um dia após os atentados de Londres, ocorridos no último 7 de julho, o filme, que deve ter Nicolas Cage como protagonista, é inspirado na tentativa de dois policiais – John McLoughlin e William Jimeno – de salvar as vítimas sob os escombros das torres gêmeas.

Focada nos dois policiais e em suas famílias, a produção made in USA pretende ser uma demonstração "do heroísmo no nosso país", esclarece a nota distribuída para a imprensa. Além da Paramount, também a Columbia pretende recorrer aos atentados ao WTC na produção de um longa de 102 minutos, baseado em material recolhido por dois repórteres nova-iorquinos sobre o ocorrido.

Spielberg volta aos anos 70

Steven Spielberg

Steven Spielberg

Já os ataques terroristas que deixaram 11 atletas israelenses mortos durante as Olimpíadas de 1972, em Munique, servem de material para o cineasta Steven Spielberg, que dirigiu A Lista de Schindler. Spielberg reconstrói a tragédia ocorrida há 32 anos, quando a organização palestina Setembro Negro tomou um alojamento de desportistas israelenses na Vila Olímpica de Munique.

A tentativa da polícia alemã terminou com a morte de cinco palestinos e de um policial no pequeno aeroporto de Fürstenfeldbrück. A idéia é, segundo informa o estúdio Universal, responsável pela produção, recontar a história com "os olhos dos envolvidos da época".

De terroristas a ícones pop

Christoph Roth Regiesseur von dem Film Baader

Cena do filme 'Baader', de Christoph Roth

Na Alemanha, o terrorismo é parte integrante da história do cinema nacional, que já retomou o tema através de documentários, curtas e longas nas últimas décadas.

A ação da Fração do Exército Vermelho (RAF) e a forma como a sociedade alemã lidou com sua herança deixaram seus rastros na cinematografia do país. Os terroristas Andreas Baader e Ulrike Meinhof, ao longo dos últimos anos, foram "triturados" e transformados em ícones pop. Prontos para o consumo, aos moldes de Che Guevara ou James Dean.

Ficção e documentários

Volker Schloendorff

Volker Schlöndorff

Além de Rainer Werner Fassbinder – o único a se distanciar do assunto, criando já em 1979 a paródia A Terceira Geração –, vários dos grandes diretores alemães dos anos 70 e 80 voltaram ao tema.

Entre eles, Margarethe von Trotta ( Os Anos de Chumbo) e Volker Schlöndorff ( A Honra Perdida de Katharina Blum, Alemanha no Outono, Silêncio depois do Tiro). Em 2001, o documentarista Andres Veiel trouxe às telas Caixa Preta Alemanha, contendo dois retratos paralelos: o de um banqueiro morto num ataque terrorista em 1989 e o do terrorista Wolfgang Grams.

Pelos olhos dos descendentes

Die innere Sicherheit - Petzhold

'O estado em que me econtro', de Christian Petzhold

Já o diretor Christian Petzhold não optou em seu O estado em que me encontro pela perspectiva dos próprios terroristas, nem pela do Estado que os combatia. Seu foco está nos descendentes dos antigos adeptos de organizações clandestinas. Petzhold conta com uma lentidão quase minimalista a história da filha de ex-terroristas, que se vê impossibilitada de manter qualquer espécie laços afetivos, pois vive à sombra do passado de seus pais. É interessante notar que o roteiro do filme é assinado por Petzhold em parceira com Harun Farocki, uma das vozes críticas dentro do cenário artístico alemão.

América Latina

Paramilitär in Kolumbien

Paramilitar na Colômbia

Um capítulo interessante na rede que conecta o cinema e o terrorismo é escrito pela cinematografia de países latino-americanos que enfrentam o problema diariamente. Em Marasmo, por exemplo, dirigido por Mauricio Mendiola, a Colômbia é vista como um território isento de regras, dominado pelas lutas entre guerrilheiros, traficantes e paramilitares.

Uma ciranda que tem terroristas de um e de outro lado, em sociedades e cenários políticos internacionais nos quais se torna difícil distinguir vítimas permanentes de algozes ocasionais. O guerrilheiro bem intencionado se tornando um carrasco inescrupuloso e a sociedade ou o contexto que o fabricou em busca da melhor punição.

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