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Cultura

Vítimas do nazismo e comunismo ganham museu na Hungria

Um museu controvertido, dedicado às "vítimas do nazismo e do comunismo", será aberto no domingo (24) em Budapest por iniciativa do governo conservador, em meio à campanha para as eleições legislativas.

"A abertura do museu reduz os momentos sombrios da históra húngara ao nível de uma asquerosa propaganda política", critica o historiador Andras Mink. A diretora do museu, Maria Schmidt, contesta afirmando que as vítimas do nazismo e do comunismo "terão o sentimento de serem reabilitados e os que têm a consciência pesada sentirão remorso".

O museu foi instalado num esplêndido palacete de um bairro residencial no centro de Budapeste. Em 1944, o edifício foi ocupado pelo movimento dos nazistas húngaros - Cruzes de Flechas, que ajudaram na exterminação de aproximadamente 600.000 judeus húngaros e milhares de ciganos nos campos de concentração.

Entre 1945 e 1956, o palacete acolheu a sede da AVO, a polícia secreta húngara, que torturou e assassinou nos seus subsolos milhares de dissidentes do regime húngaro pró-soviético.

Objetivos políticos - No ano passado, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban (conservador), engajou-se no financiamento do museu, depois de ter decretado um "dia de memória para as vítimas do comunismo" (24 de fevereiro) e outro "dia de memória para as vítimas do Holocausto" (17 de abril). Graças ao premiê, o museu foi construído em tempo recorde.

Mas como apontam muitos críticos, como o cientista político Laszlo Bruszt, a história húngara tornou-se objeto de querelas políticas e não há consenso no país sobre o significado histórico do nazismo e do comunismo. Para ele, "é preciso primeiro impedir que a propaganda racista e antisemita se instale no debate público". Recentemente, o Fiedesz, partido que está no poder, qualificou a oposição social-democrata de "vassalos do terror comunista" e "bruxos".

A Hungria, ex-satélite da extinta União Soviética, aproximou-se do Ocidente após a queda do Muro de Berlim. Tornou-se membro da OTAN em 1999 e espera entrar na União Européia em 2004. A Miep, oposição de extrema-direita, já anunciou que protestará no domingo, entrando no museu para homenagear "suas vítimas".