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Ciência e Saúde

Vírus de 30 mil anos é descoberto em permafrost

Encontrado em uma amostra retirada do permafrost, Pithovirus sibericum é inofensivo para seres humanos. Descoberta é alerta para agentes patogênicos congelados que podem ser despertados pelo aquecimento global.

Um novo tipo de vírus gigante congelado há 30 mil anos foi descoberto no permafrost – camada de gelo permanente – do extremo nordeste da Sibéria. Batizado de Pithovirus sibericum, o vírus é inofensivo para seres humanos e animais. Seu despertar, porém, é um alerta para outros possíveis agentes patogênicos que podem "ressurgir" com o degelo, principalmente provocado pelo aquecimento global.

A descoberta foi publicada na segunda-feira (03/03) na revista científica Proceedings of the National Academy of Science (PNAS). Segundo os autores, um grupo de pesquisadores franceses e russos, o vírus só é nocivo para alguns tipos de ameba. Sua capacidade de infectar células, no entanto, faz dele o mais antigo vírus a ser reanimado na história.

Pithovirus

Pithovirus sibericum

Com seus 500 genes, o Pithovirus é considerado um gigante – os vírus da influenza e da aids, por exemplo, têm apenas cerca de dez. Suas dimensões são tão amplas que é possível observá-lo usando apenas um microscópio óptico.

A descoberta fez com que os cientistas alertassem a comunidade internacional para os perigos do aquecimento global. "Nossos resultados substanciam ainda mais a possibilidade que patógenos virais infecciosos podem ser libertados de camadas antigas de permafrost expostas ao descongelamento, à mineração e à perfuração", afirma o estudo.

A amostra na qual foi encontrada o vírus foi retirada da região de Chukotka, perto do Mar Siberiano Oriental, onde a temperatura média anual é de -13° C. De acordo com a pesquisa do grupo de cientistas, as mudanças climáticas na parte russa do Ártico são mais evidentes do que em outras partes do mundo.

Symbolbild Stammzellen

Pesquisadores do CNRS

Enquanto a temperatura média global subiu 0.7° C nos últimos 100 anos, as temperaturas na superfície do permafrost do Ártico aumentaram em 3° C no mesmo período, causando uma diminuição de 7% do gelo permanente no Hemisfério Norte.

Em um comunicado à imprensa, o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), também associado ao estudo, mencionou os riscos de saúde pública relacionados à exploração dos recursos minerais e energéticos nas regiões polares.

"O despertar de vírus que eram considerados erradicados, como o da varíola, cujo processo de replicação é semelhante ao Pithovirus, já não é limitado ao mundo da ficção científica", afirmou o centro. "A probabilidade de um cenário como este deve ser avaliada de forma realista."

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