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Alemanha

Usuários de vários países opinam sobre a Segunda Guerra

Especial de DW-WORLD em seis idiomas sobre o fim Segunda Guerra teve enorme repercussão. Aqui, uma pequena seleção das mensagens enviadas pelos usuários. Escreva você também suas impressões, 60 anos após o conflito.

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Vika escreveu para DW-WORLD/RUSSIAN

"Até agora na Rússia não se conhece a verdade sobre a guerra. E muitos até nem querem saber dela, pois não é uma história especialmente bonita. O que as pessoas pensam sobre a guerra continua sendo o que leram nos livros didáticos da década de 70 do século passado, ou ainda antes. E na Alemanha a propaganda americana antialemã foi iniciada imediatamente após o fim da guerra.
Esta 'lavagem cerebral' dos vencedores, aplicada nos vencidos, foi chamada de desnazificação. Gerações inteiras foram 'doutrinadas'. Estas pessoas não têm nenhum sentimento de orgulho nacional ou auto-estima. Elas estão dispostas a assumir a culpa de outros, até mesmo pelos crimes que seus pais ou avôs nem cometeram. Algo semelhante aconteceu na União Soviética, só que no sentido inverso. Por isso, todos os russos acreditam até agora nos mitos que a propaganda de Stalin incutiu nas suas cabeças."

Thomas Kiss escreveu para DW-WORLD/BRAZIL:

"Tenho 19 anos e moro em São Paulo. Felizmente não tive que passar por experiências decorrentes da insana guerra do século passado, cujo palco foi a Europa. Meu pai, porém, aos 6 anos de idade, teve de fugir com a família, após a eclosão da Revolução de 1956 na Hungria. A questão primordial não é o fato de meu pai ter passado fome, angústia e frio na neve infinda que separava o Leste do Oeste, mas sim o fato de uma revolução − aparentemente irrelevante − ser produto de uma segregação política mundial originada pelo fim da Segunda Guerra. E todos sabemos que não apenas na Hungria e na Tchecoslováquia (com a Primavera de Praga) houve revoluções em prol da liberdade. Toda a Europa Oriental sofreu conseqüências graves decorrentes da ditadura comunista.

Portanto, o 8 de maio de 1945 foi não somente um momento de alegria e libertação para uns, mas também o antônimo disso para outros. E somente através dessa data tão marcante é que somos capazes de perceber o imenso paradoxo que constitui a História dos homens."

Um usuário , que prefere ficar no anonimato, escreveu assim para DW-WORLD/CHINESE:

"A Alemanha e o Japão têm algo em comum: primeiro, invadiram outros países e, mais tarde, perderam a guerra. A diferença, no entanto, é que, já durante a guerra, oficiais de alto escalão planejaram um atentado contra Hitler na esperança de terminar o conflito. Para isso, estavam dispostos a morrer. O Japão, entretanto, exagerou na lealdade ao imperador. Cometeu, sem hesitar, crueldades contra outros povos para atingir a vitória militar. Para isso, o Japão considerou qualquer meio legítimo. Isto é grave. Mais grave ainda é que, 60 anos depois, o Japão não demonstre nenhum sinal de arrependimento; e para eles nem entra em cogitação refletir sobre a guerra e a culpa."

Albert Greuter, de Denver, Colorado, escreveu para DW-WORLD/ENGLISH:

"Eu sou o quarto filho de Renate Maria Preusser e Joseph Robert Greuter. Meu nascimento só se tornou possível com o fim da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos Aliados, pois meus pais se conheceram na Berlim do pós-guerra. Minha mãe trabalhava no Club 48, no setor norte-americano, onde ela conheceu meu pai. Quando ele teve de retornar para os Estados Unidos, minha mãe ficou em Berlim. Mas, um ano depois, ela o seguiu, para constituir família na América. Sou orgulhoso da minha origem alemã. Cursei universidade em Berlim e viajo quase todos os anos para a Alemanha. Infelizmente, quase todos os meus parentes alemães já faleceram."

Horst Antosch escreveu o seguinte para DW-WORLD/GERMAN:

"Em 1945, quando fomos banidos de nossa pátria sudeta, eu tinha seis anos e meio. Apenas algumas imagens ficaram marcadas na minha memória, mas elas são marcantes. Foi em julho de 1945: com pouca bagagem, eu, minha avó, minha mãe e meus três irmãos tivemos de deixar nossa cidade, Wegstädl, num prazo de 12 horas. O irmão mais velho tinha nove anos e o mais novo, três. Iniciamos viagem com a carreta de um agricultor e sob a proteção de um líder partisan tcheco, que um dia antes havia salvo minha mãe da execução.
A imagem mais forte que gravo na memória é o pernoite num campo de trigo na fronteira russo-anglo-americana, para daí podermos fugir para o Oeste. Queríamos a todo custo ir para a Baviera, onde tínhamos a esperança de reencontrar nosso pai desaparecido. Durante a noite, rastejamos até perto da fronteira, para que ao amanhecer pudéssemos vencer alguns poucos metros − segundo nossos cálculos − e deixar a zona ocupada pelos soviéticos. Nossa avó tinha uma corda amarrada em sua cintura, em que estava presa uma mala com os nossos pertences. Era terrivelmente frio. Mordi forte, para não bater o queixo e não fazer barulho. Mas não adiantou, embora eu quisesse ser 'homem' como meu irmão mais velho de nove anos. Então eu escondi meu rosto com os braços e abafei o bater do queixo até adormecer.
Pela manhã, ainda estava um pouco escuro, minha mãe deu o sinal e começamos a correr em direção à fronteira. Aí começou o tiroteio. Os soldados russos de fronteira, que estavam bem escondidos entre as árvores, já haviam nos visto na noite anterior, enquanto rastejávamos no campo de trigo. Foi a única vez que minha mãe falou em desistir. Mas ela não abriu mão e, como sempre, cumprimos nosso intento graças à força de vontade dela e sua preocupação com os filhos. Quando a relembro, eu a chamo de 'a leoa'."

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