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Ciência e Saúde

Uso contínuo de termelétricas emergenciais deve encarecer energia no Brasil

Diminuição no nível de reservatórios de hidrelétricas, causada pela falta de chuva, e aumento de 7% no consumo levaram governo a ligar usinas termelétricas, mais poluente e com um custo de produção mais elevado.

As usinas termelétricas estão operando no país com carga quase total, com um despacho de 81% da sua capacidade de 21.670 megawatts. A falta de chuva em algumas regiões e o aumento do consumo de energia impulsionaram essa medida emergencial, que possui um alto custo ambiental e de produção. A conta dessa alternativa de emergência deve ser paga pelo consumidor.

"As usinas termelétricas, chamadas de usinas de reserva, foram construídas para operar, em média, um despacho de 30% sua capacidade. Mas em razão de um período de ausência de chuvas, foi necessário o despacho de praticamente 100% da capacidade instalada, em quase 100% do tempo", conta Alexei Macorin Vivan, presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE).

Essas usinas foram construídas para servir de reserva e são colocadas em funcionamento quando as hidrelétricas não conseguem dar conta do consumo. No início de março, o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas do Brasil atingiu seu patamar mais baixo desde 2001. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde estão concentrados 70% da capacidade de geração de energia do país, os reservatórios chegaram a um volume de apenas 34,6%.

Em contrapartida, o consumo de energia elétrica aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento pode ser explicado pelas altas temperaturas, que impulsionaram o uso de aparelhos de ar condicionado, mas também é consequência de políticas sociais e econômicas que elevaram o rendimento de famílias, estimulando assim o consumo de eletroeletrônicos.

Diante desse cenário, para evitar transtornos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vem acionando cada vez mais as usinas termelétricas. Atualmente, 17.442 dos 21.670 megawatts disponíveis estão operando.

A medida, antes emergencial e temporária, está se tornando cotidiana. "Se elas estão sendo operadas continuamente é porque houve um erro grave de planejamento, gestão e critérios de operação do sistema elétrico brasileiro", afirma Ildo Luís Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP).

Essa não é a primeira vez que tantas termelétricas são acionadas no país. No final de 2012, a situação foi parecida com a atual. Atualmente, o país possuiu mais de 1.800 centrais do tipo, que geram energia a partir de diferentes combustíveis – desde gás natural, passando pelo carvão e pela biomassa.

Windpark in Tramandai, Brasilien

48 parques eólicos estão prontos, mas ainda não operam

Energia mais cara

O acionamento dessas usinas encarece o preço da energia elétrica. Por ser movida principalmente a combustíveis fósseis, muitas vezes importado, seu custo de produção é bem mais alto do que de outros tipos de usina. Segundo Sauer, nas usinas eólicas e hidrelétricas o megawatt-hora (MWh) custa cerca de 100 reais, enquanto nas termelétricas esse valor é de cerca de 800 reais, chegando, em alguns casos, a mil reais.

Para especialistas, essa diferença no preço deverá ser repassada ao consumidor no próximo reajuste da tarifa. "Não é bom ligar as termelétricas, porque toda vez que elas são ligadas nós pagaremos mais caro pela energia. Mas, além disso, elas emitem muitos poluentes e gases do efeito estufa", analisa Ennio Peres da Silva, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A queima desses combustíveis fósseis para a produção de energia libera na atmosfera poluentes como óxido de nitrogênio, óxido de enxofre, material particulado, hidrocarbonetos, além de dióxido de carbono.

Mas há alternativas mais limpas para evitar apagões no Brasil. Segundo Sauer, o potencial eólico e hidráulico existente no país é mais que suficiente para produzir a energia necessária caso o consumo brasileiro venha dobrar e atingir a atual média europeia, de 5 mil quilowatt-hora por habitante.

"Os estudos indicam que é possível prever com segurança a contribuição mínima das usinas, com ou sem reservatório de acumulação, e o máximo da demanda. Assim, dá para saber quantas usinas hidrelétricas e eólicas são necessárias para não precisarmos recorrer ao seguro", reforça Sauer.

Atualmente, 48 parques eólicos com capacidade instalada de 1,2 gigawatt estão prontos para funcionar, mas não operam por falta de linhas de transmissão. A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) espera que, até o final de março, 26 dessas usinas entrem em funcionamento.

Brasilien Itaipu Staudamm Wasserkraft Wasser Umwelt Umweltschutz

Hidrelétricas e eólicas podem suprir a demanda brasileira

Investimentos gerais

Especialistas divergem sobre as soluções, a médio e longo prazos, que poderiam estabilizar o setor energético no país. Para Alexei Macorin Vivan, da ABCE, o governo deveria investir em geração de energia em todas as fontes, principalmente em hidrelétrica com reservatório de acumulação de água.

O advogado especialista em energia reforça que a energia eólica, solar e mesmo térmica devem ser percebidas como fontes complementares, pois elas não substituem as grandes hidrelétricas.

Já Ennio Peres da Silva, da Unicamp, cobra investimentos no sistema de transmissão e distribuição, além da diminuição do consumo. Para ele, o principal problema do país não é produção, mas a sobrecarga existente nas linhas de transmissão e distribuição.

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