Urna com cinzas de ativista de esquerda reaparece perto de túmulo de líder estudantil de 68 | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 14.08.2010
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Alemanha

Urna com cinzas de ativista de esquerda reaparece perto de túmulo de líder estudantil de 68

Após desaparecer, urna com as cinzas do ativista Fritz Teufel, ícone do movimento antiautoritário alemão do final dos anos 60, reaparece a 15 quilômetros de distância, ao lado do túmulo do líder estudantil Rudi Dutschke.

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O ativista, nos tempos dos protestos estudantis

Numa história tão surpreendente como macabra, a urna contendo as cinzas do ativista de esquerda Fritz Teufel, um dos ícones do movimento antiautoritário alemão do final dos anos 60, desapareceu misteriosamente do cemitério em que se encontrava.

O objeto foi achado, uma semana depois e a cerca de 15 quilômetros de distância, ao lado do túmulo de Rudi Dutschke, o mais famoso líder do movimento estudantil alemão de 1968.

Teufel morreu em 6 de julho passado, aos 67 anos, tendo sido sepultado dia 15 de julho, numa cerimônia acompanhada por cerca de 300 pessoas. Ele sofria há anos do Mal de Parkinson.

A morte do "revolucionário brincalhão" (um dos apelidos dados a ele pela imprensa) foi destaque em todos os noticiários do país. O desaparecimento dos seus restos mortais surpreendeu a opinião pública e foi motivo de especulações sobre um possível atentado de radicais de direita.

"O diabo está morto"

No sábado passado, pela manhã, um casal de visitantes do cemitério onde Teufel estava enterrado, no bairro berlinense de Mitte, descobriu o túmulo do ativista revirado, com flores pisadas e cinzas espalhadas pelo chão.

A urna tinha desaparecido, e os policiais recolheram as cinzas em um saco plástico, pensando que o material fosse originado da urna. Conforme o jornal berlinense Berliner Kurier, também foi achado um recado sobre a tumba, que aparentemente incluía as palavras "O Teufel (diabo) está morto".

Deutschland Geschichte 1968 Fritz Teufel gestorben

Teufel ganhou em 2001 o Prêmio Wolfgang Neuss de Coragem Civil

A urna de Teufel (sobrenome que significa diabo em alemão) foi reencontrada na manhã desta sexta-feira (13/8) no túmulo de Dutschke, morto em 1979 e enterrado em Dahlem, bairro no sul de Berlim, em um cemitério a quase 15 quilômetros de distância da sepultura de Teufel. A urna estava dentro de um balde, ao lado da sepultura e, segundo a polícia, se encontrava em perfeito estado e seu conteúdo, intacto.

Sob o balde havia um papel com um recado, para cujo conteúdo há diversas versões. Segundo o jornal Berliner Kurier , o texto da mensagem dizia: "Que diversão diabólica. Rudi Dutschke gostaria disso". Fontes ligadas aos investigadores afirmaram mais tarde que a nota dizia: "Acaba de terminar uma diversão diabólica. Fritz teria se divertido com uma brincadeira como essa".

A polícia acredita que as mensagens deixadas próximas às tumbas de Teufel e Dutschke sejam da mesma pessoa. Entretanto, não há pistas sobre o autor.

Para amigo, morto pode ter encomendado trote

Teufel ficou famoso no final dos anos 60, através de protestos marcados pela provocação e pelo estilo irreverente e bem-humorado, que ele mesmo apelidou de "guerrilha da brincadeira".

Foi preso no final dos anos 60, acusado de planejar um atentado terrorista contra o então vice-presidente americano em visita a Berlim. Entretanto, entre as provas apreendidas pela polícia, havia apenas sacos com pudim e farinha de trigo.

O ativista passou, ao todo, oito anos na prisão, condenado, entre outras coisas, por pertencer ao grupo de guerrilha urbana "Movimento 2 de Junho".

Uma de suas últimas ações públicas foi nos anos 80, durante um programa de entrevistas na TV, em que disparou uma pistola com jato de água e tinta contra o então ministro alemão das Finanças, Hans Matthöfer. O político reagiu, jogando todo o conteúdo de uma taça de vinho sobre Teufel.

Um dos antigos companheiros de protestos de Teufel, o escritor Rainer Langhans, levantou a hipótese de que o próprio Fritz Teufel teria encomendado a brincadeira macabra. "Ele era bem capaz de uma coisa dessas. É algo típico dele", disse.

Autor: MD/dpa/ap
Revisão: Alexandre Schossler

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