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Cultura

Universidade de Berlim oferece curso com escritores famosos

Desde 1998, a Universidade Livre de Berlim convida autores de best-seller de todo o mundo para dar aulas como professor visitante no curso de formação de escritores, oferecido semestralmente.

Para Raoni Duran já está decidido: no futuro ele quer ser escritor. E, aos 26 anos, o estudante brasileiro de literatura em Berlim já tem uma ideia fascinante para seu primeiro romance. Mas ainda "lhe falta alguma coisa". Ele não tem experiência suficiente para inserir suas ideias artísticas na trama e no modo de escrever adequados.

Quando descobriu o curso em inglês Ler como escritor (Reading as a Writer), no currículo da Universidade Livre de Berlim (FU Berlin, na sigla em alemão), Duran não hesitou e logo se inscreveu. Passar da leitura à escrita já é há muito tempo o seu desejo. "Como escritor é preciso pensar em como o texto realmente funciona, e não sobre os detalhes do texto", opinou o estudante. Foi justamente isso que o ajudou a desenvolver a ideia para um romance.

Aprendendo com os melhores

Quem conduz o curso não é apenas um docente, mas o autor de best-seller Andrew Sean Greer, de São Francisco. Como convidado para a chamada Cadeira de Professor Visitante Samuel Fischer, neste semestre, o norte-americano de 42 anos leciona a 30 estudantes no curso de pós-graduação em Literatura Geral e Comparada. Greer não é o primeiro escritor conhecido que a universidade convida para dar aulas como professor visitante em Berlim.

A cadeira – patrocinada pela universidade, pelo Ministério do Exterior alemão e pela Editora Fischer – já existe desde 1998. Entre os convidados anteriores estão grandes nomes internacionais como o Nobel de Literatura japonês Kenzaburo Oe, o autor austro-alemão Daniel Kehlmann e um dos escritores africanos mais importantes da atualidade, o somali Nuruddin Farah. Greer, por sua vez, tornou-se mundialmente conhecido com os romances As confissões de Max Tivoli e A história de um casamento.

Handwerk Schreiben Seminar an der FU Berlin Andrew Sean Gear

Andrew Sean Greer acredita que qualquer pessoa pode escrever livros

Outras culturas

O curso de Greer é baseado na observação de que, durante a leitura, os jovens escritores assumem a perspectiva de um crítico literário. No entanto, seria mais produtivo procurar impulsos para o próprio trabalho. "Eu quero que meus alunos fiquem cientes de suas possibilidades", assinalou Greer. Por esse motivo, ao longo do semestre, eles praticam diversas técnicas literárias, como mudanças de perspectiva e de tempo. O escritor norte-americano está convencido de que qualquer pessoa é capaz de aprender o ofício de escrever livros.

"O intercâmbio com visitantes de todo o mundo é uma parte importante da identidade de nossa universidade", disse o reitor, Peter-André Alt. A FU Berlin detém desde 2007 o status de Universidade de Excelência. Instituições como o professorado visitante Samuel Fischer ajudam os alunos a compreender melhor outras culturas, ganhando assim um entendimento mais profundo de sua própria cultura, disse Alt.

Grande interesse em curso de escrita

Mas o curso de Andrew Sean Greer aborda apenas marginalmente as comparações culturais. Talvez devido à similaridade entre as culturas alemã e norte-americana? De qualquer forma, Greer se sente bastante em casa em Berlim. "A cidade tem simplesmente uma atmosfera de presente e não de passado, embora se possa perceber o passado em toda parte", disse Greer. "E isso é libertador para mim."

Handwerk Schreiben Seminar an der FU Berlin

Hang (esq.) e Dimitrov: Nem todos sonham com a carreira de escritor

O entusiasmo de Greer pela literatura e pela cidade de Berlim é aparentemente contagiante. Seus alunos estão muito felizes de participar de seu curso de escrita literária. Nem todos querem necessariamente ser escritores, como Raoni Duran. Sarah Hang, de 24 anos, disse ver seu ponto forte na crítica literária. Sua colega Lydia Dimitrov, de 23 anos, já trabalha como tradutora, paralelamente aos estudos. Mas as duas sentem que o curso as enriquece.

O alto nível de satisfação dos alunos também se deve à limitação do número de participantes, disse Peter-André Alt. Ao todo 160 estudantes se inscreveram, mas apenas 30 foram selecionados. Para os candidatos rejeitados, Alt tem uma palavra de consolo. "Felizmente, como o curso é realizado todos os semestres, todos os interessados ​​terão, eventualmente, o prazer de participar", disse o reitor.

Autora: Bianca Schröder (ca)
Revisão: Francis França

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