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Alemanha

Universidade acusa ministra alemã da Educação de plágio

Segundo relatório, Annette Schavan teria plagiado trechos de sua tese de doutorado, defendida em 1980. Confidente de Angela Merkel, ministra teve integridade defendida por professor orientador.

A ministra da Educação, Annette Schavan, enfrenta um momento crítico de sua carreira política. Após acusações de plágio, a Universidade de Düsseldorf investigou a tese de doutorado apresentada pela atual ministra em 1980. No último fim de semana, foi divulgado um relatório da instituição confirmando as acusações.

O documento de 75 páginas acusa Schavan de fraude e aponta "o quadro característico de um procedimento de plágio" em diversos pontos da tese, informou a revista semanal Der Spiegel no último domingo (14/10).

A análise à qual a publicação teve acesso, elaborada pelo professor Stefan Rohrbacher, faz referência a passagens sem a devida referência bibliográfica em 60 das 351 páginas do trabalho. A ministra nega as denúncias.

O professor que orientou a tese de Schavan, Gerhard Wehle, qualificou a ex-aluna como "uma pessoa absolutamente íntegra". "O trabalho fazia total jus aos padrões científicos", declarou ele ao jornal Rheinische Post desta terça-feira.

Segundo Wehle, Schavan escolheu uma abordagem interdisciplinar para o trabalho apresentado em 1980, um "risco" para uma jovem estudante naquele tempo. Para o professor de 88 anos, o trabalho de mais de 30 anos atrás não pode ser avaliado segundo os parâmetros científicos atuais. Wehle disse ainda não ter sido contatado pela universidade a respeito do relatório.

Tese controversa

Verteidigungsminister Thomas de Maiziere

"Confio plenamente em minha colega", defende De Maizière

Aos 57 anos, Schavan é confidente da chanceler federal alemã, Angela Merkel. Após ocupar o cargo de ministra da Cultura do estado de Baden-Württemberg durante dez anos, ela assumiu o atual posto de ministra da Educação e Pesquisa em 2005. Desde 1998, Schavan é também vice-presidente da União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel.

Em maio, caçadores de plágio na internet haviam acusado Schavan de não ter fornecido corretamente referências a outros autores para passagens sobre o tema "indivíduo e consciência". A Faculdade de Filosofia da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf conduziu, então, uma investigação a pedido da própria ministra, que resultou no relatório que veio a público no fim de semana.

O ministro da defesa, Thomas de Maizière, também da CDU, criticou o fato de a análise da universidade ter sido divulgada na imprensa antes que Schavan tivesse conhecimento dele. "Confio plenamente em minha colega", declarou ao jornal Ruhr Nachrichten.

Para De Maizière, é preciso agora aguardar o processo probatório da universidade e dar a Schavan a oportunidade de se posicionar. O comitê responsável pelo relatório se reunirá nesta quarta-feira para discutir o caso.

O presidente da Comunidade de Pesquisa Alemã (DFG, na sigla em alemão), Matthias Kleiner, disse ao jornal Süddeutsche Zeitung estar "irritado com o fato de, em um processo estritamente de confiança e relativo a um indivíduo, um relatório ter se tornado público, ainda por cima antes de ser avaliado pelo comitê encarregado".

Alvo de críticas

Claudia Roth

Roth questiona credibilidade para ministra exercer o cargo, caso acusações sejam confirmadas

Enquanto isso, a presidente do Partido Verde, Claudia Roth, criticou duramente Schavan. "Caso as acusações sejam confirmadas, eu me pergunto com que credibilidade a ministra justamente encarregada da Ciência e da Pesquisa continuará a exercer seu cargo". Para Roth, considerado o cargo de Schavan, só a suspeita de fraude já é bastante grave.

Em 2011, outro caso de plágio atingiu a política na Alemanha. Quando o então ministro da Defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, foi acusado de plágio em sua tese de doutorado, Schavan disse se envergonhar pelo que havia acontecido na posição de cientista. Após semanas de acusação, Guttenberg renunciou ao cargo em março do ano passado.

Agora, o caçador de plágio Martin Heidingsfelder afirma que qualquer um poderia constatar o caso na internet e exige a renúncia da ministra. "Uma ministra da Educação precisa ter uma trajetória acadêmica idônea", critica o fundador da rede de investigação VroniPlag. "A União precisa fazer pressão para que ela de fato deixe o cargo."

LPF/dapd/dpa/afp/rtr
Revisão: Francis França

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