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Mundo

Unidos contra Villepin

Milhares de pessoas vão às ruas na França. Os protestos contra o "contrato de primeiro emprego" adquirem conotação política contra o premiê Villepin e se distinguem dos recentes tumultos na periferia de Paris.

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Protestos em Paris

As manifestações na França levaram neste domingo (19/03) 1,5 milhão de pessoas às ruas. Todas em defesa dos direitos trabalhistas dos jovens e contra as reformas anunciadas pelo premiê Dominique de Villepin. Os protestos já se arrastam por mais de uma semana.

Beco sem saída

A questão legistlativa e jurídica do "contrato do primeiro emprego" adquiriu no decorrer destes dias um caráter político, enquanto sindicatos se unem e ameaçam uma greve geral que pode paralisar o país.

"Os franceses não se opõem apenas ao 'contrato de primeiro emprego', mas estão fartos de um Villepin que os taxa de arrogantes, alienados e desinteressados no diálogo. Menos de um ano após sua posse, que deveria trazer otimismo e novos ares à França, o país se encontra num beco sem saída", analisa o semanário alemão Der Spiegel.

Adversários unidos

Unruhen in Frankreich Dominique de Villepin

Premiê Dominique de Villepin

Sindicalistas tradicionalmente adversários dão as mãos para carregar cartazes contra o premiê. "Villepin provocou danos duradouros com essa história de reformas", observa o diário francês Le Monde. Afinal, romper com estruturas trabalhistas existentes há anos parece ser uma tarefa praticamente impossível no país.

Há 12 anos, por exemplo, o então primeiro-ministro Edouard Balladur tentou mudar as regras que regem o mercado de trabalho, tendo desistido após uma onda semelhante de greves e protestos.

Centro versus periferia

Embora o desejo de ir às ruas seja o mesmo, as manifestações de agora pouco tem a ver com a revolta dos descendentes de imigrantes dos banlieues, que provocaram tumultos em Paris e outras cidades, poucos meses atrás. Os protestos de hoje são conduzidos pelos filhos da classe média bem educada, por universitários, que temem pelo futuro próximo.

"A linha de segregação social não separa apenas o centro rico dos guetos na periferia, ela também marca categorias sociais e etárias. Os futuros franceses com formação universitária sentem um medo duplo em relação ao futuro. Eles herdam as dívidas do Estado e os problemas acumulados", comenta o diário berlinense Der Tagesspiegel.

Já os anteriores, relembra o diário suíço Neue Zürcher Zeitung, foram "a explosão da frustração dos jovens que têm poucas chances e muito pouco a perder – tampouco um emprego, pois nos banlieues o desemprego é altíssimo".

Enquanto o jovem de classe média grita atropelada pelo medo da demissão nos dois primeiros anos do emprego que provavelmente terá, a periferia ainda se mantém calma. No entanto, observa o jornal, "lá fora, no subúrbio, o grau de tensão é alto. Há sinais de que esta tensão pode aumentar".

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