União Mediterrânea de Sarkozy gera polêmica e desconfiança | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 12.03.2008
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Mundo

União Mediterrânea de Sarkozy gera polêmica e desconfiança

Alguns temem um exclusivo "Club Mediterranée", outros vêem um estratagema para afastar a Turquia da UE. A planejada união de Sarkozy: a consagração da arte de desagradar a gregos e troianos.

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Merkel e Sarkozy: finalmente de acordo?

A França sempre teve uma relação especial com o Mar Mediterrâneo. Ele define a cultura do sul do país, que, por sua vez, já dominou a metade da região, em outras épocas. Os laços com as ex-colônias do Norte Africano também continuam estreitos.

O irrequieto presidente Nicolas Sarkozy já apresentara a idéia em sua campanha eleitoral no ano passado: reavivar a antiga grandeza francesa, criando um novo grêmio internacional. Além disso, para a Turquia, a ligação com os Estados fronteiriços do Mediterrâneo constituiria um bom substituto à plena filiação à União Européia.

Mediterranée ou Club Med?

Ancara farejou aí um estratagema, e manteve-se bastante reticente. Os Estados exteriores à região mediterrânea, que estariam excluídos, acusaram a França de tentar criar um clube exclusivo. Não faltaram nem mesmo alusões ao Club Mediterranée, rede francesa de turismo de luxo.

Em entrevista à Deutsche Welle, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, classificou tais suspeitas como ridículas e infundadas. Pelo contrário: após o encontro entre Sarkozy e a premiê alemã Angela Merkel, a direção estaria clara.

"Trata-se da transformação do Processo de Barcelona numa verdadeira união do Mar Mediterrâneo. Pode chamá-la de Club Med, mas o senhor prefere estar no Mediterrâneo do que no Mar Báltico, garanto!" Com ironia, Kouchner aludia assim aos temores dos Estados não-mediterrâneos.

Barcelona intensificada

Merkel exige o ingresso de todos os 27 países da União Européia, quer tenham costas no Mar Mediterrâneo, quer não. Aparentemente Sarkozy está de acordo, porém sob a condição de a presidência caber a um dos "verdadeiros" Estados mediterrâneos.

Ambos dirigentes só discutirão os detalhes da questão nesta quinta-feira (13/03), durante a cúpula da União Européia em Bruxelas. O próprio ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, não sabe acrescentar muito mais, além de tratar-se de uma "continuação intensificada do Processo de Barcelona".

Há 12 anos iniciou-se naquela cidade portuária espanhola um diálogo intenso entre os Estados da UE e os países do Oriente Médio e Norte da África com costas no Mar Mediterrâneo. A cooperação visa a criação de uma zona de livre comércio em 2010, incluindo o fomento a programas de formação e ao intercâmbio cultural.

Convites enviados, fato consumado?

Nos últimos anos, a UE injetou 8 bilhões de euros em ajudas financeiras na região. O presidente francês considera isto pouco. Agora tudo deverá melhorar. Alguns políticos europeus, como a ministra austríaca das Relações Exteriores, Ursula Plassnik, perguntam-se como isso poderá ocorrer. Ela encara com extremo ceticismo os planos de Sarkozy.

"Estou esperando uma argumentação suficientemente convincente da França sobre por que precisamos de algo totalmente novo, diferente, que não seja mais do que uma mudança de denominação."

Ao mesmo tempo, a chefe de diplomacia reivindica status mediterrâneo para seu país. "Para nós, austríacos, o Mar Mediterrâneo não está apenas geograficamente próximo. Ele é também parte de nossa identidade austríaca, européia, se assim quiserem."

Um desafio para os reunidos nesta quinta-feira, em Bruxelas, será achar uma fórmula conciliatória para o funcionamento da União Mediterrânea. No que toca a Sarkozy, ele já enviou os convites para a cúpula de inauguração, em 13 de julho próximo, em Paris. (br/av)

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