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Economia

União Europeia terá que defender reputação na cúpula do G20

Além de explicar planos para sair da crise, especialistas acreditam que representantes europeus terão que mostrar capacidade de negociação e de coesão do bloco. Encontro no México dará destaque à crise de endividamento.

A crise da dívida na zona do euro será provavelmente o tema predominante durante o encontro do grupo que reúne as 20 maiores economias industrializadas e emergentes, nas próximas segunda e terça-feira (18 e 19/06), no México. As expectativas são grandes, especialmente por parte dos mercados financeiros, ansiosos para saber se o G20 conseguirá encontrar uma resposta para a crise.

E, se o encontro traz a crise financeira em primeiro plano, o pano de fundo é a reputação da União Europeia (UE). Para os representantes de alto escalão da Europa que participarão da cúpula, trata-se, sobretudo, de atestar sua capacidade de negociação e de coesão, pois quanto mais a crise na Europa durar, mais o resto do mundo colocará em dúvida a habilidade de Bruxelas para se impor. Nos bastidores, a UE precisará se reafirmar como instituição econômica e política no cenário global.

Estrela decadente?

Desde o início da crise financeira, a Europa não tem atuado com muita credibilidade, segundo avaliação de Almut Möller, do Conselho Alemão para Relações Exteriores, em entrevista à Deutsche Welle. A especialista observa que a perda de poder da Europa é "sempre tema nas rodas de conversa" em suas viagens para fora do território europeu.

Möller conta que as pessoas questionam se os europeus realmente conseguem administrar a crise. Esta falta de confiança, acredita a especialista, atrapalha o desempenho da UE nas cúpulas internacionais. "Se a percepção dos participantes é a de que a estrela da União Europeia nem chegou a brilhar e já está se apagando, então fica difícil para os europeus impor politicamente suas concepções".

Outra dificuldade é a falta de coesão da UE. Para o exterior, é difícil separar o emaranhado de interesses existentes entre as decisões tomadas pelo bloco europeu e a parcialmente contraditória política de interesses de alguns Estados-membros. Ainda tem sentido a famosa declaração do ex-secretário norte-americano de Estado Henry Kissinger. Ele reclamou certa vez que não sabia para quem precisaria ligar na Europa, já que o continente falava com várias vozes, em vez de ter uma só.

Transtorno com não europeus

Geopoliticamente, a União Europeia não funciona como uma unidade, afirma o professor Ludger Kühnhardt, do Centro de Pesquisas para Integração Europeia da Universidade de Bonn. "A Europa coloca-se internacionalmente mal nesta questão, assim como infelizmente em tantas outras".

Kühnhardt critica o fato de a Europa ter participação no G20 tanto com representantes da União Europeia, quanto com representantes de cada um de seus Estados-membros. "Para quem está de fora, especialmente as novas e emergentes forças como Indonésia, América Latina e África do Sul, esta é uma imagem confusa. E isso não ajuda a passar uma impressão de continente unido aos participantes do G20".

Kühnhardt ressalta ainda que, há anos, setores políticos e econômicos exigem que a UE compareça à cúpula com apenas uma representação comum, e não com representantes individuais dos integrantes do bloco.

Para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, esta discussão não vai passar sem deixar marcas. Com o apelo "Mais Europa", ela tomou as rédeas do tema e acabou ressaltando, indiretamente, o quão ameaçadora ela enxerga a crise europeia.

À imprensa alemã, Merkel já se posicionou não apenas a favor de uma união fiscal, a qual ela defendeu em diversas ocasiões. No último dia 7 de junho, de maneira não usual, ela defendeu uma união política no bloco. "Isso significa que precisamos, aos poucos, dar mais competências para a Europa, conceder também possibilidades de controle", defendeu Merkel.

Solução conjunta

A chanceler federal escolheu o principal ponto de seu apelos com cautela. Ela precisa correr contra o tempo, pois antes mesmo do encontro do G20, neste fim de semana acontecem as eleições na Grécia, as quais devem definir se pela primeira vez um país deixará a zona do euro.

"Mais Europa é a estratégia correta", concorda Kühnhardt. Para ele, considerando que as causas da crise têm como base o endividamento nacional dos países, as soluções só poderiam ser encontradas em conjunto.

Almut Möller também enxerga uma união política de maneira positiva. No entanto, ela acredita que nem todos os Estados-membros podem buscar esta união, sobretudo porque ela seria vinculada a uma entrega de competência a Bruxelas.

"Quando países se encontram sob pressão, eles não estão intuitivamente preparados a abrir mão de poder, pois isso os poda em suas competências, em sua soberania e em sua independência". Além disso, os Estados estariam ocupados com a crise e vão olhar cada vez mais para dentro, e menos para fora, acresceu.

Performance confiante

Para acalmar um pouco mais os mercados e os críticos da ideia europeia de continuar mantendo o barco navegando, a UE precisará demonstrar um sinal de coesão. Mas para convencer os participantes do encontro no México, será necessária uma performance confiante da UE, acredita Kühnhardt, "pois a Europa aparenta estar mais fraca do que ela realmente está". Por isso, a União Europeia precisa de todas as maneiras se mostrar mais forte, se ela pretende aparecer realmente como uma união".

O especialista dá como exemplo as relações comerciais com a África: enquanto o volume de comércio dos países do continente africano com China e Estados Unidos correspondem, respectivamente, a cerca de 100 bilhões de dólares, todos os países-membros do bloco europeu, juntos, somaram uma troca comercial com a África de 250 bilhões de dólares.

"Se somarmos nossos números, somos os mais fortes", considera o especialista. Isso também vale no que diz respeito a temas políticos. "Se a Europa for percebida apenas como um agregado de Estados individuais, logicamente ficamos atrás dos países emergentes", afirma, ressaltando que estes têm uma população maior e mais jovem, que está interessada no consumo, no poder de compra, na melhora de sua qualidade de vida, no crescimento e no avanço, enquanto a Europa envelhece.

Kühnhardt destaca ainda que na soma, da combinação de potenciais, de possibilidades e de radiação em conjunto, "a Europa continua sendo, juntamente com os EUA, a mais importante combinação de poderes da Terra. Só nos apresentamos um pouco pior do que somos na verdade, porque falta um governo comum da União Europeia, que realmente mereça este nome", critica.

Autor: Ralf Bosen (msb)
Revisão: Carlos Albuquerque

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