União Europeia reafirma urgência de cooperação militar dentro do bloco | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.09.2010
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Mundo

União Europeia reafirma urgência de cooperação militar dentro do bloco

A União Europeia tem dificuldade de se integrar em termos militares. Mas a necessidade de economizar começa a mover os políticos a pensar em reformas. Muitos cogitam até um Exército europeu.

Os ministros da Defesa da União Europeia estão ponderando como utilizar as atuais limitações econômicas como uma chance. Em um encontro realizado em Gent, na Bélgica, o conselho de ministros europeus reiterou, nesta sexta-feira (24/09), a importância da cooperação no setor militar.

"Precisamos desenvolver uma visão política e chegar a um consenso sobre como cooperar e como desenvolver nossas capacidades comuns de forma eficiente", declarou o ministro belga da Defesa, Pieter de Crem, atual presidente do Conselho.

No entanto, falar é mais fácil que fazer. No que se refere à defesa, os países-membros da UE mantêm uma orientação bastante nacional, conforme aponta o ministro alemão Karl-Theodor zu Guttenberg: "Podemos perseguir a meta de nos integrarmos mais, o que já está acontecendo. Mas também precisamos ver os limites desse plano; e os limites muitas vezes são os obstáculos nacionais."

No caso da Alemanha, por exemplo, qualquer operação militar da qual o país participe precisa ser aprovada anteriormente pelo Bundestag, a câmara baixa do Parlamento. Isso também acontece em outros países europeus. Segundo Guttenberg, essa necessidade de aprovação por parte do Parlamento em relação a assuntos militares, apesar de ser importante, também pode se tornar um obstáculo quando se pensa em amplliar as capacidades europeias.

Divisão de tarefas militares ainda é tabu

Guttenberg Afghanistan 2010

Karl-Theodor zu Guttenberg no Afeganstão, em agosto de 2010

Após a Alemanha ter retirado do Afeganistão seus aviões de esclarecimento do tipo Tornado, o governo norte-americano pediu que Berlim enviasse para o país asiático uma reserva estratégica de 350 treinadores. Guttenberg recusou o pedido. "Não precisamos reagir a nada", declarou o ministro incisivamente aos jornalistas.

Uma cooperação militar envolve sobretudo projetos armamentistas comuns e uma melhor divisão de responsabilidades. Isso significa que cada país se especializaria numa tarefa, em vez de assumir todas as funções requeridas por uma operação de defesa. No entanto, para muitas nações, isso ainda é tabu.

Liberais por um exército europeu integrado

A visão do Parlamento Europeu, por sua vez, já é bem mais ousada. O deputado Guy Verhofstadt, líder da bancada liberal, lembra que a EU já tem um serviço diplomático comum e propõe que isso se estenda para o campo militar: "Precisamos de uma defesa comum europeia, de um Exército comum europeu. Agora, com a necessidade de os países-membros economizarem, talvez seja o melhor momento para iniciar algo nesse sentido."

Verhofstadt explica que a Europa tem dois milhões de soldados, enquanto os EUA só dispõem de 300 mil. "Acredito que o Exército norte-americano seja mais eficiente do que as forças armadas dos países da UE. Esse é um bom motivo para começarmos a criar um Exército europeu", opina o político belga.

Verdes pela dedicação humanitária

Já Rebecca Harms, colíder da bancada verde no Parlamento Europeu, também apoia uma cooperação militar dentro da UE, mas apenas para operações humanitárias, em caso de graves catástrofes. "Após as experiências no Haiti e no Paquistão, acho que o melhor que a UE poderia fazer é estar mais preparada para intervenções humanitárias", defende ela.

No encontro realizado em Gent, o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, alertou que, independentemente das chances de uma cooperação militar na Europa, os países-membros da UE investem muito pouco em defesa.

O cenário que Morin esboça é apocalíptico: segundo ele, mesmo considerando uma cooperação maior entre os países, se as verbas de defesa não aumentarem no bloco, a Europa corre o risco de se transformar, a longo prazo, em um protetorado chinês e norte-americano.

Autor: Christoph Hasselbach (sl)
Revisão: Soraia Vilela

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