União Europeia diz que Brasil tem papel-chave na crise nuclear com o Irã | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.02.2010
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Mundo

União Europeia diz que Brasil tem papel-chave na crise nuclear com o Irã

Impasse nuclear entre o Ocidente e o Irã foi um dos assuntos abordados no encontro entre Catherine Ashton, Miguel Moratinos e Celso Amorim em Madri. Retomada da Rodada Doha também foi debatida.

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Moratinos, Ashton e Amorim

A alta representante para as Relações Exteriores e a Política de Segurança da UE, Catherine Ashton, disse nesta segunda-feira (15/05) que a União Europeia (UE) conta com o Brasil para resolver o impasse nuclear com o Irã.

"O Irã tem o direito de usar o poder nuclear para fins pacíficos, mas pela perspectiva da UE, isso não está acontecendo. Então temos que mostrar nossa determinação em assegurar que as regras serão respeitadas. Vamos continuar conversando com o Irã e reconhecemos que o Brasil, como uma potência global, tem um papel-chave na questão", disse a comissária.

Ashton e o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Moratinos, se reuniram em Madri com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, para tratar de assuntos bilaterais. A Espanha ocupa a presidência rotativa semestral da UE e recebeu, pela primeira vez, a nova comissária.

O governo brasileiro parece determinado a cumprir bem a missão de interlocutor no impasse com o país do Oriente Médio. Segundo Amorim, o presidente Lula deverá visitar o Irã em maio.

"A nossa posição sobre o Irã não é diferente nos objetivos, acreditamos na importância do diálogo. O Brasil continua disposto a favorecer o diálogo para garantir, ao Irã, o direito de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos e, à comunidade internacional, a certeza de que esse programa não será desviado para fins militares", pontuou Amorim.

Temas paralelos

A situação no Haiti foi outro assunto tratado na reunião de Madrid, afirmou Ashton. "Discutimos o que tem sido feito agora, mas também a importância de providenciar abrigo para a população. E sabemos que temos que trabalhar em longo prazo para ajudar o país a se renovar economicamente."

Amorim não deixou escapar a oportunidade de ressaltar a importância do Brasil nesse cenário: ele lembrou o papel do país no Haiti, no comando das forças de paz das Nações Unidas, e a ajuda humanitária oferecida pelo governo federal.

Assuntos delicados

O interesse da União Europeia em estreitar relações com o Brasil parece ponto comum entre os países do bloco. Ao menos era esse o tom de Ashton e Moratinos nesta segunda-feira em Madrid.

Entre Amorim e Ashton, o clima era bom – a comissária representou a UE na Rodada Doha, uma das principais bandeiras do ministro brasileiro. Mas o tema ainda é tratado com muito cuidado pelas duas parte. "Os países do Mercosul também são grandes mandantes na agricultura, que é um tema delicado na União Europeia", lembrou Amorim.

Trata-se de um terreno tão delicado que ainda rende troca de acusações nos bastidores do mundo dos negócios. Por iniciativa do Itamaraty, há poucos dias o Brasil denunciou a União Europeia por exportar açúcar subsidiado de forma ilegal e adverte que não exclui a abertura de uma queixa nos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Há três anos, a União Europeia foi derrotada nos tribunais da OMC depois que o Brasil abriu uma queixa sobre os subsídios dados aos produtores de açúcar – desde então, a Europa ficou proibida de exportar açúcar subsidiado acima de 1,27 milhão de toneladas.

Embora o fato recente, Ashton deu mostras que a UE está disposta a avançar nas negociações agrícolas com o Mercosul. "Temos a esperança de que é possível avançar. Se chegaremos a um acordo final, não se sabe, mas um acordo que seja firmado, mais do que uma declaração política", acrescenta Amorim.

Exemplo inspirador

Ainda sobre as barreiras dos países ricos aos produtos agrários do Mercosul, Amorim lembrou um caso de sucesso brasileiro. Depois de sete anos de processo, a OMC autorizou o Brasil a aplicar sanções comerciais aos Estados Unidos por este não ter eliminado seus subsídios ao algodão.

Segundo Amorim, o Brasil está prosseguindo com as medidas de retaliação aos Estados Unidos, mas ainda prefere a negociação. "Quem sabe o caso do algodão mostre a outros setores dos Estados Unidos como seria vantajoso concluir a Rodada Doha", alertou Amorim.

Em maio haverá um encontro oficial entre países da União Europeia e da América Latina para tratar de economia e outros assuntos bilaterais. Já as negociações da Rodada Doha, dada oficialmente como fracassada em 2008, continuam sendo uma ambição da OMC.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Alexandre Schossler

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