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Mundo

União Europeia articula novo plano para salvar o euro

Líderes da União Europeia falam em união bancária e ajuda irrestrita a instituições financeiras no vermelho. Solução definitiva é esperada até próximo encontro de cúpula, no fim de junho.

Na imprensa alemã, a notícia que circula é que um "plano secreto" para a Europa estaria sendo elaborado. Segundo o jornal Welt am Sonntag, em tal tarefa, trabalham nos bastidores Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu; José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia; Jean-Claude Juncker, chefe do Eurogrupo e Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu.

Tão secreto, no entanto, tal plano não é. É sabido que, durante o último encontro de cúpula da União Europeia (UE), eles receberam a missão de pensar numa solução duradoura para a crise até a próxima reunião do grupo, planejada para o fim deste mês.

Nesse meio tempo, a crise se agravou: o principal problema parece não ser mais o debate sobre a permanência da Grécia na zona do euro, mas se a Espanha teria capacidade de salvar seus bancos. Na semana passada, algumas propostas já circulavam no alto escalão da UE. A ideia de Barroso, por exemplo, aparentemente direcionada à Espanha, é de "uma união bancária com supervisão financeira integrada e garantia coletiva de depósito."

França a favor da ajuda aos bancos

Barroso deixou em aberto, no entanto, o que isso significa exatamente. A ideia se tornou mais clara nesta segunda-feira (04/06). Depois de uma conversa com o novo ministro francês das Finanças, Pierre Moscovici, o comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, sugeriu que seria importante "refletir sobre uma recapitalização direta dos bancos". Ele quis dizer que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) deveriam socorrer os bancos em dificuldade – os espanhóis, por exemplo.

Até o momento, somente os Estados são autorizados a receber fundos desses mecanismos. E, segundo a visão de Berlim, as regras deverão se manter assim. O governo teme que a Alemanha seja responsável pelos bancos espanhóis, sem que tenha o controle sobre eles. As palavras de Moscovici também não serviram para tranquilizar Berlim. "Nós somos a favor da união bancária", disse o francês, acrescentando que ele gostaria que o tópico, na agenda da cúpula de junho, fosse uma das opções para o futuro.

A cautela de Angela Merkel

Em encontro com Barroso na noite de segunda-feira em Berlim, Angela Merkel, chanceler federal alemã, sinalizou algumas concessões. Ela deve discutir com o presidente da Comissão Europeia como a UE pode fazer com que os bancos sejam sistematicamente fiscalizados num contexto específico europeu. No entanto, Merkel ressaltou que essa é uma discussão de longo prazo.

A chefe alemã de governo evitou usar o termo "união bancária". Merkel parece compartilhar a impressão de muitos de que a atual situação da zona do euro não pode continuar como está. Também o pacote fiscal, que foi composto com bastante dificuldade e se encontra num processo complicado de ratificação, não "seria uma medida suficiente".

Polêmica sobre a moeda comum

Desta maneira, Merkel também reagiu a uma afirmação feita por Mario Draghi na semana passada no Parlamento Europeu. A frase concisa dita pelo presidente do Banco Central Europeu saiu praticamente despercebida: "Essa configuração do euro que temos há dez anos, que era considerada sustentável, mostra-se agora insustentável, a menos que outras medidas sejam tomadas."

Gradualmente, o drama dessa afirmação vai ecoando: os mais importantes guardiões da moeda não acreditam mais no futuro do euro e na atual estrutura. Draghi também foi direto quanto aos próximos passos: "O próximo passo para os nossos líderes é que eles deixem claro qual visão eles têm para os próximos anos. Quando mais cedo eles o fizerem, melhor."

Ainda segundo Draghi, já esse esclarecimento daria uma contribuição muito importante para o tão elogiado crescimento e para a diminuição dos custos dos empréstimos para países mais problemáticos. O Banco Central Europeu, no entanto, não fará esse papel no lugar dos políticos, esclareceu Draghi.

A confiança de Van Rompuy

Até o momento, parece haver consenso entre os representantes do alto escalão da Europa de que pequenas novas medidas não são suficientes para recuperar o euro. Alguns querem, no entanto, um apoio o mais rápido possível, total e incondicional. Por outro lado, há aqueles que levam a carga mais pesada, como é o caso da Alemanha. Esse grupo quer evitar de qualquer maneira que a disciplina se perca.

Segundo a descrição de Draghi, a luta dos países em apuros se assemelha a um nadador que tenta atravessar um rio com correnteza e, por causa do nevoeiro, não consegue enxergar o outro lado da margem. Ele espera que os governos consigam, ao menos, dispersar o nevoeiro. A cúpula do fim de junho precisará exercitar como clarear essa neblina.

Apesar de todo esse ambiente cinzento, Herman van Rompuy mostra confiança. Questionado por um jornalista sobre o que aconteceria caso a Europa fracassasse, ele rebateu: "Eu nunca repondo perguntas hipotéticas, porque nós não iremos fracassar. No fim, a Europa será mais forte e nós iremos superar essa crise passo a passo."

Autor: Christoph Hasselbach (np)
Revisão: Carlos Albuquerque

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