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Economia

União Europeia alcança acordo para salvar o Chipre

Plano acertado entre União Europeia, FMI e Chipre prevê perdas consideráveis para os grandes investidores e poupa correntistas que possuem menos de 100 mil euros.

Foi uma longa noite de negociações até se chegar a um acordo para salvar o Chipre. Mas, ao final, todos se mostraram satisfeitos, até mesmo o ministro das Finanças do pequeno país insular, Michalis Sarris. "Dadas as circunstâncias, conseguimos chegar ao melhor resultado possível", afirmou. Segundo ele, uma desastrosa saída da zona do euro foi evitada.

Se um acordo não tivesse sido alcançado na madrugada desta segunda-feira (25/03), pairava a ameaça de uma quebra do sistema bancário e – consequentemente – do Estado cipriota. O Banco Central Europeu (BCE) havia anunciado que só garantiria a liquidez dos bancos da ilha até esta segunda-feira.

Depósitos de até 100 mil euros estão protegidos

A solução encontrada consiste numa ampla ação de reestruturação do superendividado setor financeiro cipriota, o que deverá garantir a maior parte dos 5,8 bilhões de euros que o Chipre deverá levantar para o plano de resgate. Em contrapartida, a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) disponibilizarão 10 bilhões de euros em empréstimos.

O Banco Laiki, o segundo maior da ilha, deverá será dividido em dois: os créditos podres serão transferidos para um bad bank, uma espécie de depósito intermediário para títulos problemáticos. O restante das contas será transferido para o maior banco do país, o Banco do Chipre, que também se encontra em dificuldades.

Sondersitzung EU-Finanzminister

Ministro alemão Schäuble satisfeito com o resultado

Todos os depósitos acima de 100 mil euros no Banco do Chipre serão, a princípio, congelados. Esses correntistas serão obrigados a contribuir com a reestruturação do setor bancário, mas ainda não foi definido em que medida. Calcula-se que as perdas podem chegar a 40% do valor dos depósitos.

Para os países da zona do euro, o mais importante era que todos os depósitos abaixo de 100 mil euros permanecessem intocados. A intenção era mostrar que a garantia de depósitos europeia vale até esse valor.

Pelo plano inicial, rejeitado pelos parlamentares cipriotas, todos os correntistas de todos os bancos do país teriam de prestar uma contribuição. Isso alimentou dúvidas sobre a proteção de depósitos bancários em toda a Europa.

Setor bancário no Chipre vai encolher

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, expressou sua satisfação por "termos conseguido agora aquilo que sempre foi nossa posição", ou seja, os investidores terão que participar dos custos provocados pela insolvência de ambos os bancos. Além disso, o setor financeiro cipriota vai encolher a um nível "saudável", disse o ministro.

Tudo isso foi antecedido por uma disputa sem precedentes entre a zona do euro e o Chipre. O país não queria de forma alguma envolver os investidores para não pôr em risco a sua atratividade como centro financeiro internacional.

Mas o plano acordado agora não difere muito do que foi acertado há cerca de uma semana. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, admitiu que "os instrumentos que escolhemos agora já poderiam ter sido escolhidos há uma semana", mas politicamente não teria sido possível chegar ao mesmo resultado. "Agora temos o melhor resultado, mas nas piores circunstâncias."

Intensas discussões

Rettungspaket für Zypern

Presidente cipriota Anastasiades apostou alto

Nesse meio tempo, muita confiança foi perdida. O comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, já havia avisado que a solução não seria das mais agradáveis. "Infelizmente, os acontecimentos dos últimos dias levaram a uma situação em que não há mais soluções ideais. Restam somente alternativas austeras. Está claro que o futuro próximo será muito difícil para os cipriotas", declarou antes do encontro.

De qualquer forma, o Parlamento cipriota, que havia rejeitado completamente o acordo anterior, não terá de aprovar mais nada agora.

Também entre os países da moeda comum houve muitas discussões nos últimos dias. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, foi responsabilizada no Chipre por exigências inaceitáveis. Imagens de Merkel usando um bigode semelhante ao de Hitler se espalharam pelo país. O ministro francês das Finanças, Pierre Moscovici, chamou o setor bancário cipriota de "uma espécie de cassino".

Na edição dominical do jornal Die Welt, Schäuble declarou que não se deixa chantagear. A disposição de deixar o pequeno país ir à falência, se necessário, tinha aumentado significativamente pouco antes da reunião. Ao menos por enquanto, esse perigo parece ter sido evitado.

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