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Economia

União Européia quer liberalizar comércio de automóveis

A Comissão Européia quer acabar com as estritas regras que regem a comercialização de carros novos e propôs uma revolução no mercado. Isso desagradou as montadoras e o chefe de governo alemão, Gerhard Schröder.

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Carros novos não serão vendidos apenas nas concessionárias

A Comissão Européia quer liberalizar o comércio de automóveis novos na Europa e dar mais direitos aos comerciantes. Isso acontecerá em detrimento das montadoras que até agora davam as cartas, no que se refere à venda de seus modelos. A comercialização de veículos novos está submetida a estritas regras que consistem uma exceção à proibição de cartéis e Bruxelas quer acabar com isso. Na Alemanha, as montadoras e o Sindicato dos Metalúrgicos temem a perda de milhares de empregos.

Concessionárias sem liberdade de ação - Na Alemanha, os automóveis novos são vendidos, via de regra, por redes de concessionárias exclusivas das montadoras. Tais comerciantes não podem vender além da região que lhe é atribuída, nem abrir filiais em outros lugares. Bruxelas quer que, no futuro, qualquer comerciante de automóveis possa fazer propaganda, vender e abrir representações onde quiser. Com isso, pelo menos teoricamente, lhe estaria aberto todo o mercado dos 15 países da União Européia.

Somente os fabricantes com uma parcela superior a 10% do mercado terão abolidas tais "regiões protegidas", o que atinge principalmente as grandes montadoras alemãs. Aos comerciantes será permitido negociar com várias marcas. A indústria automobilística teme prejuízos principalmente para as marcas de luxo. Os donos das atuais concessionárias da BMW, por exemplo, tremem nas bases só de pensar que um comerciante belga possa alugar uma garagem em Hamburgo, instale um desses escritórios montados num contêiner e venda ali os modelos Classe 3 ou Classe 5. Difícil dizer, no momento, o que a clientela achará desse comércio, mas, no fundo, tudo irá depender do preço.

As críticas de Schröder e das montadoras - Embora muitas montadoras já tenham começado a diminuir sua rede de representantes oficiais, para reduzir seus custos, a Federação das Indústrias Automobilísticas Alemãs não está satisfeita com os planos da Comissão. Ela teme uma concentração no comércio de automóveis novos, em prejuízo dos pequenos comerciantes. Enquanto a federação fala na perda de "dezenas de milhares de empregos", Wolfgang Rhode, da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos diz que "até 100 mil empregos estarão em jogo nos próximos anos". O setor de veículos na Alemanha emprega atualmente 532 mil pessoas.

O chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, advertiu para as conseqüências negativas das medidas. Diante do alto índice de desemprego, a Alemanha não pode admitir "novas dificuldades no mercado de trabalho", disse Schröder, durante a inauguração da nova fábrica da Opel, nesta terça-feira. O chefe de governo alemão acusou as autoridades da UE de pensarem unilateralmente na livre concorrência e muito pouco na produção industrial. O Clube Alemão do Automóvel, ao contrário, saudou a iniciativa da UE, dizendo que ela trará mais concorrência, preços mais baixos e melhores serviços.

Peças e serviços - Pelos planos da Comissão Européia, o comerciante, que atualmente é obrigado a oferecer serviços de atendimento e consertos, poderá passar essas atribuições a empresas ou oficinas mecânicas subcontratadas. A posição destas últimas será reforçada, ao ser-lhe garantido o acesso direto a peças originais dos fabricantes, o que está reservado somente aos representantes oficiais da marca.

A Comissão não precisa da aprovação dos governos, nem do Parlamento Europeu para aprovar as novas regras. Contudo, as propostas serão discutidas com os interessados e a decisão sairá no verão europeu. O setor terá um ano para aplicar as novas diretrizes, que entrarão em vigor em 1º de outubro de 2003.