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Mundo

União Européia debate dissonâncias transatlânticas

Ministros do Exterior da UE, reunidos em Helsingör, na Dinamarca, modificam agenda de última hora e buscam uma posição conjunta frente ao conflito entre EUA e Iraque.

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Joschka Fischer, ministro alemão do Exterior

É tradição entre os membros da UE, que o país na presidência rotativa do bloco convide os representantes das outras nações para os encontros com um esboço dos temas a serem discutidos. Assim fez Per Stig Möller, ministro dinamarquês das Relações Exteriores, há alguns dias. Os representantes de governo deveriam se concentrar em dois tópicos: a ampliação da UE e o conflito no Oriente Médio.

Mudança de curso - No entanto, o cenário político provocou aí uma mudança de curso. Os ministros reunidos em Helsingör, a 50 quilômetros ao norte de Copenhague, têm a pauta centrada em outros pontos: as recentes ameaças do governo norte-americano de atacar o Iraque e o conflito que envolve os EUA e o Tribunal Penal Internacional de Haia.

Até agora, não há uma posição comum entre os países da UE em relação aos dois temas. Se por um lado o bloco pretende acentuar sua atuação autônoma e soberana na política internacional, por outro não se quer entrar em atrito com os EUA. Principalmente no que diz respeito ao Reino Unido e à Itália, em função de suas relações mais estreitas com Washington.

Não à guerra - Os países da UE são, apesar das divergências, unânimes no "não" às intenções anunciadas há pouco pelo vice-presidente norte-americano Dick Cheney. A determinação de Washington de atacar o Iraque, mesmo sem o apoio dos aliados, provocou sérias dissonâncias nas relações transatlânticas. Como se já não bastassem as divergências euro-americanas quanto ao Protocolo de Kyoto, os conflitos no Oriente Médio e os problemas envolvendo o Tribunal em Haia.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, que chega a Helsingör na noite desta sexta-feira (30), acentuou mais uma vez seu "ceticismo profundo" frente às intenções do governo norte-americano. Os riscos de um ataque ao Iraque, são" incalculáveis", segundo o ministro. Também o presidente francês, Jacques Chirac, afirmou que apoiaria a posição dos EUA somente se Bagdá se negasse categoricamente a receber os inspetores da ONU.

Retirada de Tanques - O ministro alemão da Defesa, Peter Struck, anunciou que Berlim deverá retirar seus 52 soldados e seis tanques Fuchs (destinados à detecção e destruição de minas), estacionados no momento no Kuweit. Os tanques, segundo Struck, foram enviados à região em uma missão de paz da aliança antiterror e não com alvos bélicos. "Se existir o perigo de nossos soldados serem envolvidos em missões de guerra, o que não estaria de acordo com a decisão tomada pelo Parlamento, os tanques teriam que ser retirados".

Até o premiê britânico Tony Blair, conhecido por suas posições de fidelidade aos EUA, vem sofrendo críticas dentro de seu partido e por parte da opinião pública. O Reino Unido sugeriu um ultimato do Conselho de Segurança da ONU ao governo de Saddam Hussein, como forma de pressionar Bagdá a permitir a entrada dos inspetores das Nações Unidas.

Por trás, o petróleo - No entanto, para o governo norte-americano, a razão de uma troca do regime em Bagdá vai muito além da eliminação de armas nucleares e químicas. O Iraque é uma das regiões do mundo com maiores reservas de petróleo. Uma eventual queda de Saddam Hussein viria de encontro aos interesses dos lobbys norte-americanos.

Em caso de guerra, o preço do petróleo iria certamente às alturas, considerando que só a ameaça do conflito já causou um aumento de 50% no preço do combustível este ano. Oficialmente, as reservas de petróleo no Iraque são estimadas em 115 bilhões de barris. Especialistas acreditam que esse número possa ser duplicado, caso o país passe a dispor de métodos de extração mais modernos e avançados.

Pesadelo Diplomático - Os chefes da diplomacia da UE têm neste final de semana uma tarefa árdua pela frente: encontrar uma fórmula que respeite seus interesses e não contrarie o governo norte-americano. Independente do que se esconde atrás do conflito, uma eventual discordância entre os países da UE frente ao problema poderia se transformar em um verdadeiro pesadelo diplomático para o bloco de 15 países. Além disso, se a Europa não defender suas posições perante Washington, é muito provável que países da Ásia, África e América Latina acabem tendo que se curvar aos interesses norte-americanos.

Tribunal de Haia - Neste final de semana podes também serdefinidas as peças de outro jogo nada fácil: o futuro do Tribunal Penal Internacional de Haia. No que diz respeito à imunidade dos soldados norte-americanos no Tribunal, os países da UE não encontraram ainda uma linha única de ação. A Comissão Européia pediu aos países-candidatosa ingressar na UE, há algumas semanas, que se neguem a assinar acordos bilaterais com os EUA, antes que os ministros do bloco tenham encontrado uma posição definitiva a respeito.

Certo é que as tentativas de Washington de estabelecer acordos bilaterais de extradição de cidadãos norte-americanos incomodam o velho continente. Em meio a tantas turbulências transatlânticas, os ministros reunidos na Dinamarca buscam soluções rápidas. É possível que este se torne um final de semana decisivo para a definição do jogo de poder geopolítico e para a posição da UE frente à postura unilateral do linha dura George W. Bush.

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