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Mundo

União Africana suspende Burkina Faso do bloco

Após golpe militar, União Africana decide suspender Burkina Faso da organização. A tomada de poder pelos militares acontece pouco antes da realização de eleições democráticas históricas no país da África Ocidental.

Após o golpe de Estado em Burkina Faso, a União Africana (UA) anunciou a suspensão do país da África Ocidental do bloco africano. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (18/09), na sequência de uma reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA na capital etíope, Adis Abeba.

A UA informou que a suspensão teria "efeito imediato" e alertou para a imposição de sanções se os golpistas "não libertarem as autoridades de transição" e não deixarem o poder num prazo de quatro dias.

Na última quarta-feira, soldados da guarda presidencial prenderam o governo de transição de Burkina Faso, em meio a queixas de que apoiadores do ex-presidente Blaise Compaoré estariam sendo excluídos das eleições marcadas para 11 de outubro.

Os soldados leais a Compaoré e liderados pelo antigo chefe do regimento presidencial, Gilbert Diendéré, sequestraram o presidente interino Michel Kafando e o primeiro-ministro Isaac Zida, junto a dois outros ministros. Há relatos de que Kafando e os ministros foram libertados, mas o paradeiro de Zida ainda é desconhecido.

Na quinta-feira, os golpistas declararam o general Gilbert Diendéré como novo presidente.

Eleições em espera

O golpe colocou um fim à preparação das eleições, que eram para ser o primeiro pleito democrático jamais realizado no país e deveriam finalizar o governo de transição que comandava Burkina Faso desde que Compaoré foi derrubado, após um levante popular em outubro de 2014. Compaoré pretendia estender ainda mais o seu regime, que já detinha o poder há 27 anos.

Protestos contra o atual golpe se estenderam por todo o país, onde manifestantes queimaram pneus nas ruas da capital, Ouagadogou. Segundo a mídia local, pelo menos oito pessoas morreram e 50 ficaram feridas desde a escalada de violência que se seguiu ao golpe.

O golpe de Estado foi condenado pela União Europeia, Estados Unidos, pela ex-metrópole colonial França e pelas Nações Unidas. Segundo a ONU, Burkina Faso é um dos dez países mais pobres do mundo.

CA/dpa/afp

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